Conjuntura Dívida pública recua quase 4.000 milhões em Outubro

Dívida pública recua quase 4.000 milhões em Outubro

Esta foi a segunda descida consecutiva, depois de três meses seguidos de agravamento, que elevaram os níveis da dívida pública acima dos 250 mil milhões de euros. A queda de Outubro foi a maior em mais de dois anos.
Dívida pública recua quase 4.000 milhões em Outubro
Miguel Baltazar/Negócios
A dívida pública ficou em 245,3 mil milhões de euros no mês de Outubro, uma descida de 3,872 mil milhões em relação a Setembro, na maior queda desde Junho de 2015, mês em que recuou 4,129 mil millhões de euros.

Segundo os dados do Banco de Portugal, a descida reflecte amortizações líquidas de títulos de 3.500 milhões de euros, menos 900 milhões de euros em empréstimos (sobretudo devido ao reembolso antecipado de mil milhões ao FMI). Em sentido contrário houve um aumento de certificados do Tesouro (600 milhões de euros).

Esta foi a segunda descida consecutiva, depois de três meses seguidos de agravamento, que elevaram os níveis da dívida pública acima dos 250 mil milhões de euros.

A queda acentuada do endividamento público era já expectável, tendo o Governo alertado mesmo para o "trambolhão" que iria ocorrer este mês. Apesar do alívio registado em Outubro, a dívida pública situa-se mais de 2 mil milhões de euros acima do valor registado no mesmo mês do ano passado.

A queda de Outubro ficou a dever-se sobretudo à amortização, efectuada a 16 de Outubro, de uma obrigação do Tesouro a 10 anos, no valor de seis mil milhões de euros. Um pagamento que levou o secretário de Estado Adjunto e das Finanças a antecipar que a dívida iria dar um "trambolhão" em Outubro. A queda não foi mais forte porque Portugal também emitiu dívida nesse mês, daí as amortizações líquidas terem ficado em 3,5 mil milhões de euros.

Uma queda mais acentuada foi sentida nos activos em depósitos das administrações públicas (5 mil milhões de euros), daí que a a dívida pública líquida de depósitos das administrações públicas tenha aumentado 1,1 mil milhões de euros em relação a Setembro, totalizando 222,7 mil milhões de euros. 

Dado Outubro não ser um mês de final de trimestre, só é possível apurar o peso da dívida pública na economia em relação a Setembro. Tal como o Banco de Portugal já tinha revelado, a dívida pública no terceiro trimestre ficou em 130,8% do PIB, abaixo dos 132,1% do segundo trimestre.

Com a queda acentuada registada em Outubro e novos pagamentos efectuados do FMI em Novembro (2.780 milhões de euros a 17 de Novembro), é expectável que a dívida publica continue a cair até ao final do ano, quer em valor nominal, mas sobretudo em termos de peso no PIB. 

As previsões do Governo apontam para que a dívida pública chegue ao final do ano nos 126,2% do PIB, descendo novamente, em 2018, para 123,5% do PIB.
(notícia actualizada às 11:30 com mais informação)



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mais votado JCG Há 1 semana

Jornalismo de merda*! como é que a dívida pública portuguesa pode descer (descer mesmo) a não ser por meras operações de gestão de tesouraria ou então pelo não registo contabilístico de dívidas a fornecedores (algo que já se comprou a crédito mas ainda não se fez o registo? É claro que se o Estado tem mil milhões de dívida que vencem no fim deste mês, se for já, agora ao mercado, pedir mais mil milhões - empréstimo novo para pagar dívida antiga, que se vai vencer - e se esses novos mil milhões (que estão em caixa) forem somados à dívida, e se nada mais mexer, haverá um período em que a dívida sobe mil milhões e depois desce mil milhões (quando se usar o dinheiro para pagar a dívida antiga), mas só um jornalismo de merda* coloca estes escritos nos termos em que o faz. Ou são néscios ou serventes do Costa ou da Catrina ou do Gerolmo; é por isso que depois muita gente exige tudo: se há dinheiro em caixa e a dívida até está a descer...

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Anónimo Há 6 dias

Só más notícias para o enfoque político de Santana Lopes. Lembrar que a falta de capacidade para montar um governo levou à queda abrupta do seu governo. Portugal precisa de uma oposição verdadeira e competente...não podemos voltar ao tempo do BPN e dos Golden Visas...

pertinaz Há 6 dias

O MINISTRO DA SAÚDE JÁ SE CALOU QUANTO A LIQUIDAR AS DÍVIDAS DOS HOSPITAIS

ESCUMALHA DE VIGARISTAS...!!!

semcrer Há 1 semana

Caro JCG,

Enquanto existirem défices bem como operações de capitalização de bancos que ficticiamente não sejam contabilizadas nas contas públicas (leia-se CGD, fundo de resolução...) a dívida em termos absolutos irá sempre aumentar.

Já em % do PIB as coisas são bem diferentes.

P.S. Gostava de ter visto o mesmo tipo de comentário aquando da notícia dos 250 mil milhões de dívida... http://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/divida-publica-supera-pela-primeira-vez-os-250-mil-milhoes-de-euros

Neves Há 1 semana

Caro JCG concordo, não seria era tão contundente :), parece o jogo do 1+1=2-1=1, pagamentos previamente definidos conjunturais, o planeta transformou-se num casino.

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