Finanças Públicas Dívida pública sobe para 247,4 mil milhões de euros em Abril

Dívida pública sobe para 247,4 mil milhões de euros em Abril

A dívida pública nacional na óptica que conta para Bruxelas aumentou quase 4 mil milhões de euros num mês e atingiu um novo recorde. As emissões de dívida e de OTRV explicam a forte subida.
Dívida pública sobe para 247,4 mil milhões de euros em Abril
Bruno Simão/Negócios
O endividamento público aumentou 3,9 mil milhões de euros em Abril, atingindo os 247,4 mil milhões de euros, avançou o Banco de Portugal na quinta-feira, dia 1 de Junho. Mesmo descontando o efeito de aumento de depósitos, a dívida subiu mais de mil milhões de euros.

"Neste período, a dívida pública situou-se em 247,4 mil milhões de euros, aumentando 3,9 mil milhões de euros relativamente ao final de Março", escreve o banco central numa nota enviada à imprensa, explicando que a "variação reflecte emissões líquidas de títulos de 3,5 mil milhões de euros e um incremento das responsabilidades em numerário e depósitos (0,3 mil milhões de euros)".

O valor de 247,4 mil milhões de euros a dívida pública em Abril é o mais elevado de sempre, sendo mesmo a primeira vez que supera a fasquia dos 245 mil milhões de euros.

 

Um agravamento que, tal como explica o banco central, é justificado sobretudo pela emissão de títulos de dívida por parte do IGCP. Em Abril, o instituto que gere a dívida do Estado emitiu 1.250 milhões de euros em bilhetes do Tesouro (curto prazo), 1.250 milhões de euros em obrigações do Tesouro (longo prazo) e mais mil milhões de euros em OTRV junto de 63 mil investidores particulares.

Foram estas três operações que somaram os 3,5 mil milhões de euros citados pelo Banco de Portugal na nota hoje publicada. E ao invés do que aconteceu em meses mais recentes, o IGCP não efectuou qualquer reembolso relevante de dívida, tendo abatido apenas 39 milhões de euros ao valor total. Em títulos de dívida, o Estado português tinha um total de 140,488 mil milhões de euros em Abril, superando a marca dos 140 mil milhões de euros pela primeira vez.

O valor da dívida contraída através de empréstimos situava-se em Abril nos 83,5 mil milhões de euros, em linha com o registado nos meses anteriores.


Em Abril, os depósitos também subiram 2,8 mil milhões de euros, para 19,8 mil milhões de euros, o que não evitou uma subida da dívida líquida, diz ainda o banco central: "Os activos em depósitos da administração central aumentaram 2,8 mil milhões de euros. A dívida pública líquida de depósitos da administração central registou, assim, um acréscimo de 1,1 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, totalizando 227,6 mil milhões de euros".

Quer isto dizer que a maioria do dinheiro angariado pelo Estado com as emissões de bilhetes e obrigações do Tesouro, bem como em OTRV, foram canalizadas para depósitos.

Dívida pública acima dos 130% do PIB no primeiro trimestre

Apesar de já ter revelado os dados referentes a Abril, só hoje o Banco de Portugal revela o peso da dívida pública na economia no primeiro trimestre. Chegou a Março nos 130,6% do PIB, o que representa um ligeiro agravamento face aos 130,4% registados em Dezembro.

Ainda assim, continua bem abaixo do máximo histórico de 133,1% registado no terceiro trimestre do ano passado.

As previsões que do FMI e da Comissão Europeia apontam para um recuou da dívida pública portuguesa este ano, para valores ligeiramente acima de 128% do PIB, contra 130,4% no ano passado.



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mais votado Anónimo 01.06.2017

Estas cenas tristes e apertos constantes só acontecem em países onde ser funcionário excedentário da função pública ou da banca resgatadas é considerado trabalho, enquanto investir, inovar e empreender não é considerado trabalho.

comentários mais recentes
GabrielOrfaoGoncalves 02.06.2017

António Costa: o melhor primeiro-ministro de sempre... na perspectiva dos agiotas que lucram com o que emprestam a Portugal.

Força, Costa! "Devolve" lá o que foi "roubado" às pessoas. Nunca digas a essas pessoas que o que elas ganhavam antes da crise de 2008-2009 só podia ser pago com dinheiro emprestado, com o dinheiro da agiotagem internacional, e nunca com o dinheiro que a economia portuguesa, sozinha, conseguia gerar. Não lhes digas senão elas ainda têm um AVC e depois é mais despesa com o serviço nacional de saúde, ou então com a ADSE, e sabes que a Catarina é contra "dar milhões aos privados" (na dúvida, o melhor é falecer, portanto).

E nunca, mas nunca te esqueças disto:

https://www.youtube.com/watch?v=duOwjPjPQdo

Vá, "devolve" lá o que foi "roubado" e marimba-te na dívida e nos juros. Sim, pá, sê porreiro e marimba-te para os números, que esses conhecem os agiotas muito bem e gostam é de tipos porreiros, alegres e sorridentes como tu, pá!

ó Costa . . 01.06.2017

Onde é que tu estavas em 2009 ?

Judas Priest 01.06.2017

Qual foi o desgoverno que deixou cair Portugal no Procedimento por Défices Excessivos (PDE) ?

Pensem lá bem. . . . qual era o desgoverno em 2009 ?

Quem era o number one ?
E o number two ?

Vá lá, ninguém acerta ?

Anónimo 01.06.2017

As esquerdas sindicais que vêem no factor trabalho um fim em si mesmo e no sindicato o clube que fanaticamente apoiam quais tiffosi inebriados pelo keynesianismo desmiolado e o marxismo anti-capital, como se houvesse alguma distinção entre os factores produtivos a não ser aquela que advém do valor que a sua combinação consegue gerar com base na mais economicamente racional alocação dos mesmos, têm que perceber que a crise económico-social de equidade e sustentabilidade que se vive é acima de tudo culpa sua porque é com base nas profundas distorções de mercado que fomentam que outras distorções de mercado obtêm as condições para surgir e proliferar.

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