Do milagre em Portalegre ao caos no Pingo Doce
04 Maio 2012, 20:13 por Nuno Carregueiro | nc@negocios.pt
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A campanha do Pingo Doce centrou quase todas as atenções duma semana que trouxe notícias potencialmente positivas para quem tem crédito à habitação. Viagem guiada pela semana que hoje termina através das notícias que a fizeram.
O início da guerra de preços que gerou o caos nos supermercados e dividiu o país


Uma acção de marketing espectacular, uma afronta aos trabalhadores, um golpe no 1º de Maio. As reacções à superpromoção do Pingo Doce no último feriado foram variadas e díspares, com a empresa a receber críticas e elogios.

O desconto de 50% nas compras acima de 100 euros provocou o caos nas 369 lojas Pingo Doce,
Anatomia de um golpe
Leia o editorial do Negócios sobre a promoção do Pingo Doce. E outro artigo de opinião: Sem Pingo de juízo.


com a forte afluência de clientes a deixar as prateleiras vazias e a obrigar os supermercados a fechar mais cedo que o habitual.

As imagens, que marcaram a aberturas dos telejornais dessa noite, chocaram o país, por mostrarem o “retrato fidedigno da nova pobreza”, como defendeu Pacheco Pereira, ou que o país está com medo, com considerou António Costa.

Para o ministro da Economia, a acção que até apanhou de surpresa o chairman da Jerónimo Martins, é comum noutros países. Mas certo é que a reacção as autoridades foi célere. A ASAE colocou-se de imediato no terreno a investigar e dois dias depois tinha já concluído que o Pingo Doce tinha violado a lei, por vender produtos com prejuízo.

O Pingo Doce fez um balanço positivo da super-promoção, que o director-geral da empresa considera ser um “grande exemplo de como uma empresa pode canalizar valor para a sociedade". Já os fornecedores mostram-se preocupados com a possibilidade de virem a pagar parte da factura, uma hipótese que o Governo quer averiguar.

Os analistas também não ficaram indiferentes à iniciativa do Pingo Doce. Não percebem o racional da medida do Pingo Doce, esperam agora uma guerra de preços no retalho alimentar, bem como uma resposta da Sonae.

O milagre de Portalegre

Mas os consumidores não foram os únicos a receberem boas notícias esta semana, numa altura em que a Euribor a seis meses já está abaixo de 1% pela primeira vez desde Junho de 2010 e o BCE manteve os juros em 1%. Elsa Geadas recebeu "o milagre da minha vida" quando um juíz do Tribunal de Portalegre decidiu que a entrega da casa ao banco era suficiente para liquidar a dívida do crédito à habitação. Uma decisão que afecta não só a cidadã de Portalegre , mas também todos os que estão na mesma situação, já que a banca admite entrega de casa para saldar dívida em casos-limite.

A Sefin pede ao Governo para legislar sobre a entrega da casa aos bancos, a banca pede estabilidade das regras e Passos Coelho quer mexer nas regras do crédito à habitação, para impedir abusos nas alterações de “spreads”.

Isto numa altura em que a banca tem já 3,5 mil milhões de euros em casas para vender. É o resultado da crise, que leva também os portugueses a cortarem no consumo de combustíveis, apesar dos preços estarem agora a cair, a reflectir a queda dos preços do petróleo, que em Nova Iorque já está abaixo dos 100 dólares.

O optimismo, o desemprego e a austeridade



Mas também houve más notícias, sobretudo para os detentores de rendimentos elevados, que deverão pagar mais IRS, sendo que as piores surpresas estão agora reservadas aos independentes.

A banca continua também o centro da agenda. Ficou a saber-se que o Estado poderá ficar com 20% do capital do BCP, banco que segunda-feira deverá anunciar um regresso aos lucros. Já o BES conclui o aumento de capital, garantindo a colocação total nos mercados, numa semana em que Horta Osório disse que o “Lloyds no caminho certo para devolver dinheiro aos contribuintes".

Esta foi também a semana em que o Governo se mostrou mais optimista que a troika no que diz respeito à evolução da economia nos próximos anos e deu mais pistas sobre a reposição dos subsídios e salários dos funcionários públicos. Se tudo correr bem, tal acontecerá em 2018. Mas se Vítor Gaspar traça um cenário menos sombrio, devido à evolução das exportações, Passos Coelho avisa que é preciso estar preparado para níveis de desemprego a que país não estava habituado e alerta que o modelo de crescimento assente em baixos salários é modelo de empobrecimento (ver vídeo em baixo).

Medina Carreira chamou de tontos a quem acha que há excesso de austeridade e Krugman lamentou que não se ter equivocado quando criticou a dose de austeridade aplicada na Europa. Isto na semana em que antecedeu as decisivas eleições para as presidenciais em França, onde Hollande tem colocado na agenda a necessidade de adoptar políticas pró-crescimento. Para o colunista do "Financial Times", o candidato socialista representa “o início de uma insurreição progressista".

Grito de 119 milhões



Espanha continua na mó de baixo. As expropriações na América Latina continuam a ser notícia, na semana os bancos do país também foram alvo de cortes de “rating”. Até Picasso perdeu o estatuto de pintor com a obra de arte mais valiosa do mundo, pois o "Grito" de Munch foi arrebatado por 119 milhões de dólares, num leilão da Sotheby's, destronando o "Nu" do pintor espanhol. NU é também o nome da promoção do IKEA, numa semana em que descontos foi a palavra de ordem. A Galp anunciou um de 5% numa oferta combinada de gás e electricidade.


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