A campanha do Pingo Doce centrou quase todas as atenções duma semana que trouxe notícias potencialmente positivas para quem tem crédito à habitação. Viagem guiada pela semana que hoje termina através das notícias que a fizeram.
O início da guerra de preços que gerou o caos nos supermercados e dividiu o país
Uma acção de marketing espectacular, uma afronta aos trabalhadores, um golpe no 1º de Maio. As reacções à superpromoção do
Pingo Doce no último feriado foram variadas e díspares, com a empresa a
receber críticas e elogios.
O desconto de 50% nas compras acima de 100 euros provocou
o caos nas 369 lojas Pingo Doce,
com a forte afluência de clientes a deixar as
prateleiras vazias e a obrigar
os supermercados a fechar mais cedo que o habitual.
As
imagens, que marcaram a aberturas dos telejornais dessa noite, chocaram o país, por mostrarem o
“retrato fidedigno da nova pobreza”, como defendeu Pacheco Pereira, ou que o
país está com medo, com considerou
António Costa.
Para o ministro da Economia, a
acção que até apanhou de surpresa o chairman da
Jerónimo Martins, é
comum noutros países. Mas certo é que a reacção as autoridades foi célere. A
ASAE colocou-se de imediato no terreno a investigar e dois dias depois
tinha já concluído que o Pingo Doce tinha violado a lei, por
vender produtos com prejuízo.
O Pingo Doce fez um
balanço positivo da super-promoção, que o director-geral da empresa considera ser um
“grande exemplo de como uma empresa pode canalizar valor para a sociedade". Já os fornecedores mostram-se
preocupados com a possibilidade de virem a pagar parte da factura, uma
hipótese que o Governo quer averiguar.
Os analistas também não ficaram indiferentes à iniciativa do Pingo Doce.
Não percebem o racional da medida do Pingo Doce,
esperam agora uma guerra de preços no retalho alimentar, bem como
uma resposta da Sonae.
O milagre de Portalegre Mas os consumidores não foram os únicos a receberem boas notícias esta semana, numa altura

em que
a Euribor a seis meses já está abaixo de 1% pela primeira vez desde Junho de 2010 e o
BCE manteve os juros em 1%. Elsa Geadas recebeu
"o milagre da minha vida" quando um juíz do Tribunal de Portalegre
decidiu que a entrega da casa ao banco era suficiente para liquidar a dívida do
crédito à habitação. Uma
decisão que afecta não só a cidadã de Portalegre , mas também todos os que estão na mesma situação, já que
a banca admite entrega de casa para saldar dívida em casos-limite.
A Sefin pede ao Governo para
legislar sobre a entrega da casa aos bancos, a banca pede
estabilidade das regras e Passos Coelho quer
mexer nas regras do crédito à habitação, para impedir abusos nas alterações de “spreads”.
Isto numa altura em que a
banca tem já 3,5 mil milhões de euros em casas para vender. É o resultado da crise, que leva também os portugueses a
cortarem no consumo de combustíveis, apesar dos
preços estarem agora a cair, a reflectir a
queda dos preços do petróleo, que em
Nova Iorque já está abaixo dos 100 dólares.
O optimismo, o desemprego e a austeridade
Mas também houve más notícias, sobretudo para os detentores de
rendimentos elevados, que deverão pagar mais IRS, sendo que as piores surpresas estão agora
reservadas aos independentes.
A banca continua também o centro da agenda. Ficou a saber-se que o
Estado poderá ficar com 20% do capital do
BCP, banco que segunda-feira deverá anunciar um
regresso aos lucros. Já o
BES conclui o aumento de capital,
garantindo a colocação total nos mercados, numa semana em que
Horta Osório disse que o
“Lloyds no caminho certo para devolver dinheiro aos contribuintes".
Esta foi também a semana em que o Governo se mostrou
mais optimista que a troika no que diz
respeito à evolução da economia nos próximos anos e deu mais pistas sobre a
reposição dos subsídios e salários dos funcionários públicos. Se tudo correr bem, tal
acontecerá em 2018. Mas se Vítor Gaspar traça um cenário menos sombrio, devido à
evolução das exportações, Passos Coelho avisa que é
preciso estar preparado para níveis de desemprego a que país não estava habituado e alerta que o
modelo de crescimento assente em baixos salários é modelo de empobrecimento (ver vídeo em baixo).
Medina Carreira chamou de tontos a
quem acha que há excesso de austeridade e Krugman lamentou que
não se ter equivocado quando criticou a dose de austeridade aplicada na Europa. Isto na semana em que antecedeu as decisivas eleições para as presidenciais em França, onde Hollande tem colocado na agenda a necessidade de adoptar políticas pró-crescimento. Para o colunista do "Financial Times", o candidato socialista representa
“o início de uma insurreição progressista".
Grito de 119 milhões
Espanha continua na mó de baixo. As
expropriações na América Latina continuam a ser notícia, na semana os
bancos do país também foram alvo de cortes de “rating”. Até Picasso perdeu o estatuto de pintor com a obra de arte mais valiosa do mundo, pois o
"Grito" de Munch foi arrebatado por 119 milhões de dólares, num leilão da Sotheby's, destronando o "Nu" do pintor espanhol. NU é também o nome da
promoção do IKEA, numa semana em que descontos foi a palavra de ordem. A Galp anunciou um de 5% numa
oferta combinada de gás e electricidade.