Política Dois dias depois, BE já diz que demissão da ministra é uma "inevitabilidade"

Dois dias depois, BE já diz que demissão da ministra é uma "inevitabilidade"

Na segunda-feira, Catarina Martins deixou a porta entreaberta à saída de Constança Urbano de Sousa, mas só depois do ciclo de combate a incêndios e do conselho de ministros de sábado que avaliará o relatório de Pedrógão. Agora, o BE diz que a demissão era uma "inevitabilidade". E não quer que mudem só as caras.
Dois dias depois, BE já diz que demissão da ministra é uma "inevitabilidade"
Miguel Baltazar
Paulo Zacarias Gomes 18 de outubro de 2017 às 12:25
"Ninguém quer uma demissão de uma ministra no meio de um combate ao fogo". As palavras são de Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, ditas na passada segunda-feira. Menos de 48 horas depois – e após a saída esta manhã da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa – o BE faz outra leitura: a demissão da ministra é agora uma "inevitabilidade", pela boca do líder parlamentar do partido.

"É uma inevitabilidade face ao processo a que nós assistimos durante os últimos meses neste Verão, da mesma forma que é inevitável a aceitação pelo primeiro-ministro," afirmou esta quarta-feira, 18 de Outubro, Pedro Filipe Soares.

Há dois dias, Catarina Martins não tinha fechado a porta à saída da ministra, mas apenas quando acabasse "este ciclo de combate" aos fogos e depois do conselho de ministros extraordinário de sábado para debater o relatório da comissão independente sobre os incêndios. "O ‘timing’ da demissão não é o mais relevante deste processo", diz agora o líder parlamentar.

Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Pedro Filipe Soares avisou no entanto que a mudança não pode ficar pelas caras e que é preciso uma "alteração profunda do modelo de Protecção Civil, insistindo na ideia de colocar prevenção e combate debaixo da mesma estrutura.

"Mudar rostos para manter a política era o pior erro que podia acontecer, não corresponderia às expectativas do país," acrescentou. E defendeu que se as propostas apresentadas há quatro anos pelo partido tivessem sido adoptadas "daria para muito ter sido feito, incluindo não termos aprovado a lei de Assunção Cristas que permitiu espalhar eucaliptos pelo país sem rei nem roque. (…) O CDS não é isento de responsabilidades nesta matéria".

Sobre a proposta de moção de censura anunciada pelo CDS, o líder parlamentar não quis revelar uma decisão, preferindo esperar para ver o documento: "Não iremos apresentar posição em relação a um documento que não existe antes de o conhecermos, não faz sentido. (…) Não temos bola de cristal nessa matéria" disse.

Já sobre a apreensão do material militar desaparecido em Tancos e encontrado esta madrugada na Chamusca, Pedro Filipe Soares pediu um relatório sobre o sucedido, à semelhança do que aconteceu para Pedrógão para que "a verdade venha ao de cima e país seja esclarecido".



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