Eleições Trump: o candidato que "nunca é ganancioso demais"

Trump: o candidato que "nunca é ganancioso demais"

Quando se apresentou na corrida à Casa Branca, Trump foi desvalorizado. A tal ponto que o Huffington Post decidiu incluir as notícias relativas à sua candidatura na categoria de entretenimento. Para espanto, o aprendiz transformou-se em mestre na arte da política.
Trump: o candidato que "nunca é ganancioso demais"
Reuters
Celso Filipe 08 de Novembro de 2016 às 00:01
Donald John Trump nasceu a 14 de Junho de 1946 em Queens, Nova Iorque.  Quando lançou a sua candidatura à Casa Branca, em Julho de 2015, ninguém o levou propriamente a sério. "Comigo [na Casa Branca] o país voltará a ser grande e coleccionará vitórias. E serei o maior Presidente para a criação de postos de trabalho que Deus já criou", declarou na ocasião.

A desconfiança era de tal forma generalizada que o influente jornal norte-americano, Huffington Post, decidiu em Agosto de 2015 incluir o noticiário relativo a Trump na categoria de entretenimento. Um ano depois, em Agosto de 2016, o homem que fez fortuna no sector do imobiliário, conseguiu aquilo que muitos julgavam ser impossível, ser nomeado candidato oficial do Partido Republicano às presidenciais. O "espectáculo à parte", como o classificou na altura o Huffington Post, transformou-se num actor político de primeira grandeza.

"Você nunca é ganancioso demais" é uma das frases que se encontra na internet quando se pesquisa pensamentos de Trump na web. Outra é, "vou até ao inferno para pagar o menos possível".

Donald Trump gosta de passar a imagem de multimilionário, mas a realidade é que durante o seu percurso passou por quatro falências, em 1991, 1992, 2004 e 2009. Na primeira teve de vender uma companhia aérea, a Trump Shuttle e um iate, o Trump Princess, para saldar uma dívida de 900 milhões de dólares. Nas restantes, aproveitou a lei, pressionando os credores a aceitarem planos de reestruturação e o seu apelido, transformado em marca valiosa, foi um activo utilizado durante estes processos de recuperação.

O ponto mais alto desta transformação de um apelido numa marca como notoriedade e retorno financeiro aconteceu através do "reality show" "O Aprendiz", que foi para o ar em Janeiro de 2004. Neste concurso, Trump faz a avaliação de um conjunto de 18 candidatos que vão sendo eliminados até se encontrar o vencedor, cujo prémio era um lugar numa das suas empresas. Muito antes disso, em 1987, Donald Trump já havia lançado o livro "A Arte da Negociação", no qual defende a importância da alavancagem como técnica para captar o interesse da outra parte.

Donald John herdou do pai, Fred, a habilidade para os negócios. Fred fez-se rico construindo prédios nos bairros de Queens e Brooklyn, Donald John, deu-lhe brilho, apostando em erguer luxuosas torres na zona de Manhattan. Gwenda Blair, autora do livro "The Trumps" contou à BBC a trajectória de enriquecimento do agora candidato presidencial. "Donald Trump enriqueceu com o dinheiro do seu pai. Ele precisou do seu pai como fiador e contou com as amizades dele na política  e no sector bancário." Carl Icahn, também citado pela BBC, elogia as capacidades empresariais de Trump. "É uma pessoa com uma mente muita aberta, tem um ego forte, acredita em si próprio e está disposto a ouvir", afirmou este norte-americano especialista em fusões e aquisições.

O primeiro divórcio de Trump foi, ele próprio, um negócio. Em 1990, a então mulher, Ivana, pediu o divórcio, e o assunto dominou a actualidade noticiosa durante dias a fio. No fim, Donald deu 10 milhões de dólares (8,9 milhões de euros) e uma pensão anual de 600 mil dólares (538 mil euros) a Ivana, com a qual acabou a fazer anúncios para a Pizza Hut.

Após a separação de Ivana, Trump casou com Marla Maples, uma união que durou entre 1993 e 1999, e em 2015 contraiu matrimónio com Melania, uma eslovena que começou a sua carreira como modelo e é agora candidata a primeira-dama. Trump tem cinco filhos, Donald Jr., Ivanka, Eric, Tiffany e Barron. Três da primeira mulher, um da segunda e um outro da terceira.

Em Setembro deste ano, a  Forbes reviu em baixa a sua fortuna pessoal, que ainda assim é muito vultosa, 3,7 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros), menos 800 milhões de dólares (717 milhões de euros) do que em 2015, correspondente ao 156.º lugar no "ranking" dos mais ricos elaborado pela revista norte-americana.

Se Trump é colérico, aqueles que o contestam também já perderam as estribeiras linguísticas. "Ele é uma vergonha para o país. Deixa-me enfurecido o facto de este país ter chegado a um ponto que permitiu a este idiota, este palhaço, chegar onde está", declarou o actor Robert de Niro. Trump agradece a publicidade.

Propostas

O muro que alimentou a polémica

A promessa de construção de um muro na fronteira entre os EUA e o México foi uma das propostas mais polémicas de Trump.

O regresso do proteccionismo
Trump quer sair de acordos de comércio livre, declarar a China uma manipuladora cambial e aumentar significativamente as taxas alfandegárias.

Cortar com a dependência energética
A aposta é no reforço da produção de energia internamente para tornar os Estados Unidos totalmente independentes da OPEP.

Deportar 11 milhões de imigrantes
Trump pretende deportar 11 milhões de imigrantes, construir um muro na fronteira com o México e  impedir as remessas de imigrantes mexicanos.

Um bilião de dólares em infra-estruturas
O candidato aposta nas infra-estruturas com um plano bem maior do que o de Clinton: um bilião de dólares no prazo de dez anos.

Ataques à Reserva Federal dos EUA
Trump tem reiterado os ataques à presidente da Fed, Janet Yellen. Acusa-a de ter criado um bolha para apoiar as políticas de Obama.




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