Política Monetária Draghi: Ainda precisamos de "condições de financiamento muito favoráveis"

Draghi: Ainda precisamos de "condições de financiamento muito favoráveis"

O presidente do BCE passou uma mensagem positiva sobre a evolução da economia, mas como a inflação não está a reagir, "continuam a ser necessários estímulos monetários amplos", defendeu.
Draghi: Ainda precisamos de "condições de financiamento muito favoráveis"
Reuters
Rui Peres Jorge 26 de outubro de 2017 às 15:31
Reconhecendo que está mais próximo, mas ainda longe de cumprir o seu mandato, o BCE continua com o lento processo de retirada de estímulos monetários da Zona Euro. A dois meses do final do ano, o banco central anunciou que vai continuar a comprar activos financeiros pelo menos até Setembro de 2018 – e  até depois disso se for necessário – mas também que o ritmo de aquisições mensais passará em Janeiro para 30 mil milhões de euros, dos actuais 60 mil milhões. Além disso, o valor dos títulos que cheguem à maturidade continuará a ser reinvestido até à maturidade, num montante que, em média, poderá rondar os 10 mil milhões de euros mensais; e as taxas de juro manter-se-ão nos níveis actuais "bem para lá" do fim das compras líquidas de activos.

Mario Draghi explicou as decisões que eram aguardadas à meses como resultado de uma perspectiva "prudente" e "persistente" sobre a condução da política monetária na região. Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio, o líder do banco central apresentou-se "optimista" quanto à evolução da economia da região, mas cauteloso quanto à evolução da inflação.

"A atmosfera da reunião foi muito positiva. Todos os membros do Conselho enfatizaram as melhores condições da economia" da Zona Euro, tanto em relação ao crescimento, como ao investimento e à criação de emprego. Já "a perspectiva sobre a inflação é diferente, pois ainda não estamos próximos do nosso objectivo [de inflação inferior, mas próxima de 2%]", afirmou, lembrando por mais de uma vez que as estimativas do BCE para a inflação são agora de 1,5% este ano, 1,2% no próximo e 1,5% em 2019.

Os anúncios foram recebidos sem sobressaltos. As bolsas europeias subiram ligeiramente, o euro desvalorizou face ao dólar e as taxas de juro da dívida pública caíram. Estes são sinais da percepção entre investidores de que o BCE continuará a apoiar a economia da Zona Euro de forma significativa e por um longo período de tempo, uma mensagem que de resto Draghi sublinhou na sua intervenção.

Inflação baixa continua a preocupar

"As decisões de hoje foram tomadas para preservar as condições de financiamento muito favoráveis que ainda são necessárias para um retorno sustentado da inflação até níveis inferiores, mas próximos de 2%", afirmou Mário Draghi, acrescentando que "continuam a ser necessários estímulos monetários amplos para que se continuem a gerar pressões inflacionistas que suportem desenvolvimentos na inflação no médio prazo".

A avaliação sobre a robustez e sustentabilidade da recuperação da inflação para o objectivo de 2% suscitou "visões diferentes" entre os governadores, com um pequeno número a considerar que o banco central deveria ter já anunciado a conclusão do programa de compras em Setembro de 2018, após os nove meses e 270 mil milhões de euros de extensão anunciados hoje.

Esta foi a única decisão que não foi unânime na reunião de hoje, tendo antes sido aprovada por "uma larga maioria" que "preferiu manter o programa num formato aberto". É que por enquanto a confiança na recuperação da inflação "continua a ser afectada por este ser um processo muito dependente das nossas políticas. Ainda não é auto-sustentado", defendeu.

Quando questionado sobre análise que defendem que a capacidades dos bancos centrais para controlar a inflação é hoje muito menor, dados os efeitos da globalização, Draghi optou por sublinhar que, mesmo assim, há muito que banco central ainda pode influenciar.

"Não excluo esses factores internacionais (…) Há factores globais em relação aos quais não podemos fazer nada, mas há muito que podemos fazer sobre factores internos", em particular no estimulo ao crescimento e à criação de emprego que, com tempo, acabarão por gerar aumentos salariais e, logo, inflação, defendeu.



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mais votado surpreso Há 3 semanas

Conversa fiada.Tudo o que faz é em nome da Itália,país com dificuldades e entregue a uma elite medíocre e egoísta.Esperemos que venha um novo ministro da Finanças alemão,a dar um murro na mesa

comentários mais recentes
Tentando Perceber a Política Há 3 semanas

Os Clientes, depositantes é que Pagam esta Política de financiamento Bancário, á Borla, ainda por cima tem de Pagar para ter dinheiro no banco.
Mas é o Sistema que rege a Europa, e são os Cidadãos que elege Estes Obreiros de sistemas que depois se viram contra os Eleitores.

Anónimo Há 3 semanas

O Banco Central Etaliano, padroeiro dos ssobrendividados, anda a brincar com o dinheiro dos alemães que têm uma inflação de 1,9% e taxas de juros negativas. Já teve a resposta dos alemães :um ministro das finanças alemão do FDP e 94 deputados alemães da AfD. E também um novo governo na Áustria.

pertinaz Há 3 semanas

DÁ MUITO JEITO A ESTA ESCUMALHA QUE NOS DESGOVERNA, MAS SERÁ BOM NO LONGO PRAZO...???

surpreso Há 3 semanas

Conversa fiada.Tudo o que faz é em nome da Itália,país com dificuldades e entregue a uma elite medíocre e egoísta.Esperemos que venha um novo ministro da Finanças alemão,a dar um murro na mesa

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