Política Monetária Draghi: BCE só sobe juros quando terminar programa de compras

Draghi: BCE só sobe juros quando terminar programa de compras

Mario Draghi deixou hoje bem claro que a normalização da política monetária do Banco Central Europeu começará pelo fim do programa de compra de activos, antes de ter início um hipotético ciclo de subida de juros, que estão actualmente em terreno negativo.
Draghi: BCE só sobe juros quando terminar programa de compras
Reuters
Nuno Carregueiro 24 de maio de 2017 às 15:55

"Não há nenhuma razão para nos desviarmos das indicações que consistentemente temos dado nas declarações introdutórias das conferências de imprensa das reuniões", disse o presidente do BCE, reforçando que "os programas de compra de activos são inevitavelmente mais difíceis de calibrar, mais complexos de implementar e mais facilmente produzem efeitos colaterais". Isto comparando com outros instrumentos, tais como "taxas de juro moderadamente negativas".

 

O BCE tem actualmente no terreno um conjunto de medidas que o banco central apelida de "não convencionais", sendo que sempre tem dito que as taxas de juro só subirão quando estiver concluído o programa de compra de activos.

 

Contudo, com a recuperação da economia e a taxa de inflação na Zona Euro a subir para perto da meta do BCE, vários economistas têm alertado que faria mais sentido subir primeiro as taxas de juro, uma vez que as taxas de juro negativas poderão estar a penalizar a transmissão da política monetária.

 

Draghi afastou este cenário, pois apesar de reconhecer os efeitos secundários negativos das taxas de juro abaixo de zero, salienta que estes têm sido "limitados" e potencialmente inferiores aos efeitos não desejados do programa de compra de activos.

 

BCE sem pressa na retirada de estímulos

     

O BCE tem no terreno actualmente um agressivo programa de compra de dívida, que elevou o balanço da instituição para 2,3 biliões de euros e foi desenhado para combater a ameaça de deflação e impulsionar o crescimento económico. Com a inflação mais próxima da meta do banco central (em torno mas abaixo dos 2%) e a economia a dar sinais consistentes de recuperação, muitas são as vozes a defender que o BCE deveria começar já a dar sinais que os estímulos vão ser reduzidos.

 

Em entrevista à Bloomberg, Constâncio não vê pressa nesse anúncio, até porque para o vice-presidente português não existem ainda certezas que a inflação na Zona Euro esteja num ritmo sustentado de subida.

 

"Estamos comprometidos com um conjunto de instrumentos [de política monetária] até ao final do ano e temos que tomar decisões sobre o que fazer no futuro", disse Constâncio, acrescentando que essa comunicação da decisão terá que ser efectuada "antes do final do ano, na minha perspectiva mais perto do final do ano".

 

Questionado sobre se o BCE iria manter o programa de estímulos, mesmo se a inflação superar a fasquia dos 2%, Constâncio afirmou que "não antecipo esse cenário".   

 

Os responsáveis do BCE têm sinalizado que uma possível alteração ao programa de estímulos não será substancial e que não será anunciada tão cedo. Uma visão que contraria a perspectiva de vários economistas, que defendem que o BCE deveria alterar a sua linguagem já na reunião de 8 de Junho e com isso dar um sinal ao mercado.

 

"Não estamos lá ainda, temos de aprender a ser pacientes", afirmou Peter Praet, membro do Conselho Executivo do BCE. "É um debate para as próximas semanas e meses", acrescentou o responsável, afirmando que é importante acompanhar a trajectória da inflação.


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comentários mais recentes
janaina macedo calvo Há 1 dia

Queridos!
Recentemente ouvimos falar que o Banco Central irá baixar a taxa de juros Selic, ouvimos também que os juros do crédito rotativo nos cartões irão diminuir em 50% com as novas regras. Mas afinal, o que são juros? Vejam novo artigo no blog Café&Finanças http://cafeefinancas.blogspot.com.br

Anónimo Há 3 dias

O BCE que acabe os estímulos mas que obrigue a Alemanha a cumprir os Tratados, acabando com a pouca vergonha dos excedentes orçamentais enquanto os outros da UE se borram todos para conseguir crescer 1% do PIB.

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