Política Monetária Draghi: "Desigualdade tem impacto na estabilidade financeira"

Draghi: "Desigualdade tem impacto na estabilidade financeira"

Antes da sua intervenção esta tarde no ISEG, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) pediu alguns segundos de silêncio pelas vítimas do incêndio em Pedrogão Grande.
Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão
Bruno Simão - Fotografia
Nuno Aguiar 26 de junho de 2017 às 18:06

Num encontro com estudantes de economia em Lisboa – o primeiro "Youth Dialogue" organizado pelo BCE -, Mario Draghi procurou responder a algumas das dúvidas dos jovens portugueses e europeus, da política monetária à transparência das instituições, da produtividade e inovação ao desemprego. A desigualdade foi outro dos temas em destaque.

 

No salão nobre do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o responsável máximo pelo BCE foi questionado, presencialmente e via Facebook, sobre a relação entre desigualdade e estabilidade financeira. O banqueiro central elogiou a pertinência do tema que durante muitos anos foi relegado para segundo plano e reconheceu que, embora "a globalização e os avanços tecnológicos tenham produzido muita riqueza", também criaram "muitos perdedores". Pessoas que não partilham dos benefícios criados por esses movimentos, que não conseguem comprar casa ou carro. "Isso também tem impacto na estabilidade financeira", sublinhou.

 

O que pode o BCE fazer para ajudar a corrigir isso? Draghi argumenta que a sua principal arma é garantir a estabilidade dos preços. Atingir o objectivo de inflação do banco (próximo, mas abaixo de 2%) ajudará aos esforços de maior equidade, uma vez que uma inflação muito baixa, como aquela que temos actualmente, beneficia mais os credores.

 

Além disso, nota Draghi, "a maior fonte de desigualdade é o desemprego", pelo que uma política monetária mais expansionista, que estimule a actividade económica, poderá, também por essa via, atenuar as desigualdades.

 

Ainda assim, o presidente do BCE não deixou de referir que o problema necessita que lhe sejam dirigidas políticas públicas específicas – leia-se, intervenção dos governos nacionais -, mas defendeu não ser o seu papel sugerir medidas nessa área.

 

Antes de iniciar esta sessão, Draghi fez questão de mencionar o incêndio de Pedrogão Grande e pediu alguns segundos de silêncio em homenagem às 64 vítimas mortais.

 

Durante o resto do dia, Mario Draghi estará em Sintra, onde participará no Fórum do BCE, que tem aí lugar anualmente. Ben Bernanke, ex-presidente da Reserva Federal dos EUA, será o orador principal durante o jantar inaugural desta noite.




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