Europa Draghi e Schäuble chocam em Washington sobre o futuro para a Zona Euro

Draghi e Schäuble chocam em Washington sobre o futuro para a Zona Euro

Para Draghi "faz sentido" usar folgas orçamentais, enquanto Schäuble rejeita passar "cheques em branco". Estas posições foram defendidas em Washington.
Draghi e Schäuble chocam em Washington sobre o futuro para a Zona Euro
Reuters
André Cabrita-Mendes 10 de outubro de 2014 às 12:54

Mario Draghi versus Wolfgang Schäuble. Estímulo monetário contra austeridade orçamental. Mais uma vez, declarações de ambos os responsáveis demonstram que Frankfurt está mais afastado de Berlim do que os 400 quilómetros que separam as duas cidades alemãs.

 

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) e o ministro das Finanças de Angela Merkel estão na capital norte-americana para o encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde os seus discursos voltaram a divergir.

 

O banqueiro central deu o tiro de partido ao declarar que a autoridade monetária está pronta para aprovar mais medidas de estímulo, se necessário. "O BCE está preparado para alterar o tamanho e/ou a composição das nossas intervenções não convencionais e da nossa folha de balanços, se requerido", declarou na quinta-feira, 9 de Outubro, citado pela Bloomberg.

 

Mario Draghi considera também que chegou a hora da Alemanha abrir os cordões à bolsa. Como maior economia europeia, a retracção económica alemã acarreta sérias consequências para os seus maiores parceiros comerciais: os outros estados-membros da Zona Euro. "Para os governos que têm espaço orçamental, então claro que faz sentido usá-lo", defende.

 

O banco central tem estado bastante activo nos últimos meses. Primeiro, as taxas de juro estão agora em mínimos históricos. Depois, o programa de compra de activos privados já está em marcha. Por último, já teve lugar a primeira fase dos empréstimos a baixos juros aos bancos europeus com o objectivo de aumentar a liquidez no mercado.

 

A última fronteira para o Banco Central Europeu é agora a compra de dívida pública dos países da Zona Euro, semelhante ao "quantitative easing" da Reserva Federal norte-americana. Programa a que a Alemanha de Angela Merkel se opõe ferozmente.

 

Passar cheques não é a solução para a Zona Euro

 

Já o discurso do ministro das Finanças alemão segue em sentido contrário ao de Draghi. Wolfgang Schäuble considera que outra ronda de estímulos do BCE vai criar "um grande problema de risco moral" porque vai aliviar a pressão sobre os governos na trajectória de correcção das suas economias.

 

"Não se pode resolver os problemas com a política monetária. Estes têm de ser solucionados com as decisões dos governos nacionais porque não temos uma união económica e orçamental", afirmou na quinta-feira em Washington.

 

"A política monetária só consegue acomodar, comprar tempo", apontou o ministro de Angela Merkel, que defende que "passar cheques" em branco não é solução para a região do euro.

 

O abrandamento económico da Zona Euro continua a causar apreensão entre responsáveis políticos em todo o mundo. Um novo alerta chegou via Christine Lagarde, depois do FMI ter revisto em baixa as suas previsões para a Zona Euro: 0,8% este ano e 1,3% no próximo.

 

"Alertámos, há um ano, para os riscos de uma persistente baixa inflação", disse a líder do Fundo. "Já foram tomadas medidas pelo BCE para tentar resistir e reverter esse risco. Esperamos que mais venha a ser feito. E agora alertamos para o risco de recessão na Zona Euro".

 

Berlim começa a reconhecer que as suas perspectivas económicas não são as melhores. Schäuble já admitiu que a economia alemã está mesmo a arrefecer. "Não há como negar que o ambiente económico piorou", declaração que vai no sentido da proferida ontem por Angela Merkel. Mesmo assim, a Alemanha deverá crescer 1,4% este ano, face aos 0,4% de França ou a quebra de 0,2% de Itália.

 

Exportações abrandam, produção industrial cai

 

As cartas já estão na mesa para Berlim e os indicadores económicos mais recentes não deixam espaço para dúvidas: o arrefecimento económico chegou. As exportações alemãs em Agosto caíram para o nível mais baixo em cinco ano e a produção industrial abrandou 4% face ao mês anterior.

 

Também o presidente do banco central alemão – que se tem oposto à política recente do BCE – veio mostrar preocupação pelas medidas anunciadas por Mario Draghi. "Preocupa-me muito, porque há um risco relacionado com o anúncio de uma meta para a folha de balanço do BCE, juntamente com outros dois programas de compra de activos", disse Jens Weidmann ontem em Washington.




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mais votado Joao 10.10.2014

Ao menos os Alemães estão a impedir de cometermos suicidio... Imprimir euros para destruir as economias dos paises. Se os Americanos quiserem fazer isso que façam eles.

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Joao 10.10.2014

Ao menos os Alemães estão a impedir de cometermos suicidio... Imprimir euros para destruir as economias dos paises. Se os Americanos quiserem fazer isso que façam eles.

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