Política Monetária Draghi: Juros baixos são "janela de oportunidades" para realizar reformas estruturais

Draghi: Juros baixos são "janela de oportunidades" para realizar reformas estruturais

O presidente do BCE defende que, ao contrário do que muitos dizem, as medidas não convencionais do BCE não retiram estímulos aos governos para implementarem reformas. Em vez disso, dão espaço e suporte.
Draghi: Juros baixos são "janela de oportunidades" para realizar reformas estruturais
Reuters
Rita Faria 30 de Novembro de 2016 às 16:57

Mario Draghi voltou a pedir aos governos da Zona Euro que não percam "a janela de oportunidades" proporcionada pelos juros baixos para fazer reformas estruturais.

"A política monetária está a dar apoio e espaço aos governos para levarem a cabo as reformas estruturais necessárias", afirmou o presidente do Banco Central Europeu (BCE), num discurso em Madrid, esta quarta-feira. "Cabe aos governos da Zona Euro agir, individualmente ao nível nacional, e conjuntamente ao nível europeu".

Ainda que a região da moeda única tenha mostrado alguma resiliência perante a turbulência global, o crescimento da produtividade tem sido lento e o desemprego mantém-se elevado.

Como Draghi já havia referido anteriormente, a política monetária tem sido um grande impulsionador da economia do euro, numa altura em que a autoridade monetária tem no terreno um plano de acção não convencional.

No entanto, esta abordagem também tem sido alvo de algumas críticas – nomeadamente da Alemanha – por alegadamente reduzir a pressão sobre os governos para implementarem importantes reformas estruturais. Uma visão que o presidente do BCE contesta.

"Existem certamente alguns comentadores que acreditam que as medidas não convencionais do BCE estão a retirar os incentivos à reforma. Taxas de juros mais baixas tendem a apoiar, em vez de dificultar, a implementação de reformas", sublinhou Mario Draghi, no discurso citado pela Bloomberg. "Vemos isso confirmado por evidências anedóticas em alguns países maiores da Zona Euro, que implementaram recentemente importantes reformas do mercado de trabalho".

O discurso do presidente do BCE foi a última aparição pública agendada antes da reunião mensal de política monetária do banco central, agendada para a próxima quinta-feira, 8 de Dezembro.

 




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comentários mais recentes
Anónimo Há 6 dias

Em 2015 tivemos taxas de 1,5%, hoje 3,7%. Povo deste país, abram os olhos. Em 2015 começámos a reestruturar a dívida. Estes iluminados acabam com o resto. Preparem-se que a Grécia está aqui tão perto e é uma excelente fonte inspiradora. Que oportunidade estamos a perder!

Anónimo Há 1 semana

...limpando-lhes o balanço ao mesmo tempo dando-lhes disponibilidade financeira para comprarem nova dívida pública! E governos como o n/vão aproveitando....a n/dívida é pior do que aquela que tínhamos quando Sócrates/Teixeira dos Santos chamaram a troika! Este esquema do BCE está a manter a...

Anónimo Há 1 semana

...e dá de ganhar milhões aos grandes fundos e grandes bancos internacionais como a Goldman Sachs! O BCE não compra dívida diretamente aos Estados membros da UE porque assim não estaria a dar de ganhar aos grandes fundos/bancos! Compra a dívida que os fundos/bancos têm em carteira limpando-lhes...

Anónimo Há 1 semana

Mário Draghi agente da Goldman Sachs no coração da EU! O prog "não convencional" da compra da dívida pública leva países com governos irresponsáveis como o nosso a endividarem-se desalmadamente (veja-se a estratégia de crescimento à conta do endividamento para consumo...) e dá de ganhar milhões.....

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