Política Monetária Draghi: Recuperação da Zona Euro ainda está muito dependente dos estímulos monetários

Draghi: Recuperação da Zona Euro ainda está muito dependente dos estímulos monetários

O presidente do BCE garante que a autoridade monetária vai continuar a utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir que a inflação se aproxima da meta de 2%.
Draghi: Recuperação da Zona Euro ainda está muito dependente dos estímulos monetários
Reuters
Rita Faria 18 de Novembro de 2016 às 11:09

O presidente do Banco Central Europeu (BCE) admitiu esta sexta-feira, 18 de Novembro, que a recuperação da economia da Zona Euro não é forte o suficiente para garantir um crescimento sustentável dos preços, mantendo-se dependente dos estímulos da autoridade monetária.

 

"Não vemos um fortalecimento consistente da dinâmica subjacente dos preços", afirmou Mario Draghi, num discurso em Frankfurt, citado pela Bloomberg. "Mesmo havendo muitas tendências encorajadoras na economia da Zona Euro, a recuperação continua a ser altamente dependente de uma constelação de condições de financiamento que, por sua vez, dependem do apoio monetário contínuo".

 

As palavras do líder do BCE sugerem que o balanço do banco central – actualmente em 3,5 biliões de euros – não vai encolher num futuro previsível. Na próxima reunião de política monetária, a 8 de Dezembro, o Conselho de Governadores poderá mesmo decidir estender o programa de compra de activos – que termina em Março de 2017 – para além dessa data.

 

Draghi não fez qualquer referência às decisões que serão tomadas na próxima reunião, mas garantiu que a autoridade monetária vai continuar a agir de acordo com o que for necessário para que a inflação se aproxime do objectivo de 2%.

 

O BCE "continuará a actuar, utilizando todos os instrumentos disponíveis no nosso mandato para assegurar uma convergência sustentada da inflação para um nível inferior, mas próximo de 2%", assegurou o presidente do banco central.

 

"Olhando para a frente, a nossa avaliação vai depender se observamos ou não um ajustamento sustentado no caminho da inflação em direcção ao nosso objectivo", reforçou Draghi. "E isso significa que a convergência da inflação para 2% é duradoura, mesmo com uma redução na acomodação monetária. A dinâmica da inflação, por outras palavras, precisa ser auto-sustentada".

 

O presidente do BCE deu, assim, um sinal de que o banco central vai continuar a apoiar a recuperação da economia da região da moeda única, numa altura em que o seu homólogo dos Estados Unidos – a Reserva Federal norte-americana – se prepara para subir os juros pela segunda vez num período de um ano.

 

Tal como explicitou a presidente da Fed, Janet Yellen, num discurso em Washington, esta quinta-feira, demorar demasiado tempo a tomar essa decisão pode levar a Fed a ter de subir abruptamente os juros no futuro ou criar comportamentos de riscos excessivos nos mercados.

 

"Se o Comité Federal do Mercado Aberto [FOMC] adiar subidas na taxa dos fundos federais por demasiado tempo, pode acabar por ter de restringir a política de forma relativamente abrupta", referiu nas notas para a audição no Congresso dos EUA que forma publicadas no site da Fed. Yellen acrescenta ainda que "manter a taxa dos fundos federais ao nível actual durante demasiado tempo pode encorajar a tomada de riscos excessivos e, em última análise, comprometer a estabilidade financeira".



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