Política Monetária "É demasiado cedo” para falar sobre retirada dos estímulos do BCE

"É demasiado cedo” para falar sobre retirada dos estímulos do BCE

Para o governador do Banco da Grécia, “é demasiado cedo” para debater uma retirada gradual dos estímulos por parte do Banco Central Europeu. Yannis Stournaras considera que, como a inflação está longe da meta do BCE, é prematuro falar sobre redução dos estímulos.
"É demasiado cedo” para falar sobre retirada dos estímulos do BCE

"É demasiado cedo". Yannis Stournaras, membro do Banco Central Europeu (BCE) e governador do Banco da Grécia, deu uma entrevista à Bloomberg TV onde manifestou a sua visão sobre a retirada de estímulos monetários por parte da autoridade monetária da Zona Euro. A poucos dias do encontro da autoridade monetária (marcado para o próximo dia 8 de Dezembro) em que a extensão do programa de estímulos deverá estar em cima da mesa, Stournaras defendeu que "é demasiado cedo " debater uma retirada gradual dos estímulos monetários.

O programa de compras, fixado nos 80 mil milhões de euros mensais, tem fim programado para Março de 2017, mas poderá ser prolongado, como admitiu o presidente do BCE Mario Draghi na última reunião da autoridade monetária.

"Claro que a política monetária vai continuar a ser acomodatícia até que a inflação esteja no seu nível desejável, que é 2% ou ligeiramente abaixo", referiu o líder do banco central grego. Estamos "ainda a uma grande distância desta meta", acrescentou. Ainda sobre a inflação, o governador do banco central helénico defendeu que a política monetária deu "um contributo substancial" para que a subida dos preços esteja a crescer.

Os últimos dados do Eurostat indicam que a inflação na Zona Euro subiu para 0,5% em Outubro, o nível mais elevado desde Junho de 2014. "O BCE tem uma posição de longo prazo, têm de confiar no BCE", disse Stournaras à Bloomberg. "Estamos a fazer a coisa certa e no dia 8 vamos debater a situação, a nova previsão, e depois vamos decidir o que fazer", acrescentou.


Na última sexta-feira, Mario Draghi, presidente do BCE, admitiu que a recuperação da economia da Zona Euro não é forte o suficiente para garantir um crescimento sustentável dos preços, mantendo-se dependente dos estímulos da autoridade monetária.


"Não vemos um fortalecimento consistente da dinâmica subjacente dos preços", afirmou Mario Draghi, num discurso em Frankfurt, citado pela Bloomberg. "Mesmo havendo muitas tendências encorajadoras na economia da Zona Euro, a recuperação continua a ser altamente dependente de uma constelação de condições de financiamento que, por sua vez, dependem do apoio monetário contínuo".

Draghi não fez, na altura, qualquer referência às decisões que serão tomadas na próxima reunião, mas garantiu que a autoridade monetária vai continuar a agir de acordo com o que for necessário para que a inflação se aproxime do objectivo de 2%.

Antes destas palavras do líder da autoridade monetária, a 3 de Novembro, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, afirmou que "as políticas monetárias atingiram o topo do limite das suas possibilidades, com todos os riscos e efeitos colaterais", referindo-se às políticas do BCE.

No final de Outubro, Luis Maria Linde, membro do BCE, já tinha defendido que o programa de compra de activos que está em marcha para estimular a economia da Zona Euro deve ser reduzido lentamente, até para evitar surpresas nos mercados. "Há um prazo em Março do próximo ano, e há uma discussão em curso sobre a sua redução gradual porque não podemos ir de um certo valor a zero, em 24 horas", admitiu na altura o também governador do Banco de Espanha, num debate com estudantes, em Itália.

Linde não se comprometeu com datas, mas explicou que o programa de alívio quantitativo é uma medida não convencional que só será retirada quando a situação normalizar. "Estas são medidas não convencionais que serão retiradas assim que a situação normalizar, ou seja, quando a inflação regressar para um nível próximo de 2%", afirmou. Linde insistiu, porém, que a retirada deve ser feita de forma gradual para evitar choques nos mercados.

"Para mim, ir devagar é uma coisa importante. E só se formos devagar é que poderemos evitar surpresas nos mercados financeiros, porque as surpresas são perigosas", reforçou.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub
pub