Américas E vão cinco: Lula da Silva é réu outra vez

E vão cinco: Lula da Silva é réu outra vez

O juiz Sérgio Moro aceitou a quinta denúncia contra Lula da Silva, desta vez ligada à operação Lava Jato. Em causa alegadas vantagens recebidas de contratos entre a Petrobras e a Odebrecht para a compra da sede do Instituto Lula e de uma casa do ex-presidente.
E vão cinco: Lula da Silva é réu outra vez
Ueslei Marcelino/Reuters
Paulo Zacarias Gomes 19 de Dezembro de 2016 às 13:28

O antigo presidente da República do Brasil viu o seu nome novamente apontado como réu pela justiça brasileira. É a quinta vez que é chamado à barra dos tribunais, neste caso uma vez mais por causa da operação Lava-Jato, de combate à corrupção.

A denúncia de Luiz Inácio Lula da Silva em mais um caso foi aceite pelo juiz federal responsável por aquela operação, Sérgio Moro, avança esta segunda-feira, 19 de Dezembro, o jornal Estado de São Paulo.

Segundo o jornal, Lula lideraria "uma sofisticada estrutura ilícita" que garantia apoio parlamentar através da "distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal," nomeadamente na empresa energética pública Petrobrás.

De acordo com a denúncia aceite, os directores nomeados para a empresa "geravam recursos" ligados a oito contratos assinados com a construtora Odebrecht (cerca de 2 a 3% dos 73,4 milhões de reais envolvidos, ou 20,8 milhões de euros) e transferiam-nos para "enriquecimento ilícito" de Lula e de outros agentes políticos, além de financiarem campanhas eleitorais.


Parte do valor pago terá sido "branqueado" com a compra, em 2010, de um imóvel em São Paulo para instalar o Instituto Lula. Segundo a acusação, a DAG Construtora terá comprado e mantido o imóvel com dinheiro vindo da Odebrecht - cerca de 3,52 milhões de euros. Parte dos alegados subornos (143 mil euros) foram conduzidos para a compra de um imóvel junto à casa do ex-presidente em São Bernardo do Campo, São Paulo, por um testa-de-ferro de Lula (Glaucos da Costamarques, também arguido).


O pagamento terá sido intermediado pelo deputado Antonio Palocci, com a ajuda do assessor Branislav Kontic. Ambos estariam em contacto com o líder da construtora, Marcelo Odebrecht. Todos estes elementos são também réus no processo por crimes de corrupção activa, passiva e lavagem de dinheiro. Também a mulher de Lula, Marisa Letícia Lula da Silva, está acusada de crime de lavagem de dinheiro.

Além das três denúncias de que foi alvo no âmbito da Lava-Jato (duas no Estado do Paraná e uma em Brasília) o antigo chefe de Estado está ainda visado em processos no âmbito das operações Zelotes e Janus.

No âmbito da Lava-Jato, além deste caso, Lula é suspeito de ter beneficiado de verbas oriundas de três contratos entre a OAS e a Petrobras para a reserva e reforma de um apartamento triplex no Guarujá, São Paulo e de obstruir a justiça ao tentar comprar o silêncio do antigo director da Petrobrás, Nestor Cerveró.

Na sexta-feira, o antigo presidente foi ainda formalmente acusado na operação Zelotes por alegadamente ter prometido beneficiar as clientes da consultora M&M – entre as quais a Saab – numa operação de venda de 36 caças militares da fabricante sueca ao Estado brasileiro.

Contra Lula pende ainda outra acusação no âmbito da operação Janus, segundo a qual teria ajudado a empreiteira Odebrecht a obter obras no estrangeiro (nomeadamente em Angola) usando para tal verbas do banco público BNDES. 




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