Política Monetária Economia britânica pode crescer mais de 3% em 2014 mas Banco de Inglaterra mantém discurso cauteloso

Economia britânica pode crescer mais de 3% em 2014 mas Banco de Inglaterra mantém discurso cauteloso

O Banco de Inglaterra espera que a economia britânica cresça 3,4% em 2014. Ainda assim alerta que esta recuperação "não é equilibrada, nem sustentável" e promete manter a taxa de juro no mínimo histórico de 0,5% durante mais um ano.
Economia britânica pode crescer mais de 3% em 2014 mas Banco de Inglaterra mantém discurso cauteloso
Bloomberg
Ana Luísa Marques 12 de fevereiro de 2014 às 12:33

O Banco de Inglaterra espera que a economia britânica cresça 3,4% em 2014. Ainda assim alerta que esta recuperação "não é equilibrada, nem sustentável" e promete manter a taxa de juro no mínimo histórico de 0,5% durante mais um ano. 

 

"A actividade [económica] continua abaixo dos níveis registados no período pre-crise e a taxa de poupança das famílias deverá continuar a cair", afirmou o Governo do Banco de Inglaterra, Mark Carney, durante a apresentação do Quarterly Inflation Report esta quarta-feira, 12 de Fevereiro, em Londres. 

 

Apesar das previsões da instituição apontarem para um "forte crescimento" económico em 2014 (3,4%), o banco central "não quer correr riscos" e promete manter a taxa de juro no mínimo

Não seremos complacentes com esta recuperação [económica]. Estamos serenos mas não complacentes.  
 
Mark Carney
Governador do Banco de Inglaterra

histórico de 0,5% durante mais um ano. "A ausência de pressões inflaccionistas, a existência de capacidade produtiva que não está a ser aproveitada e as ameaças que existem, tanto interna como externamente, levam o banco a manter a taxa de juro baixa por mais um tempo".   

 

Carney acrescentou, ainda, que qualquer alteração na taxa de juro de referência ocorrerá "gradualmente" e até um patamar de 2% a 3% (ou seja, muito abaixo do valor alcançado antes da crise, em 2007, de 5,75%). Desde final de 2007 até ao início de 2009, o Banco de Inglaterra, ao comando de Mervyn King, baixou a taxa de juro nove vezes até aos 0,5%.

 

"Após um longo período de taxas excepcionalmente baixas, subir as taxas de juro de forma gradual protege-nos do risco de estas subidas terem um forte impacto no produto e no consumo", explicou o canadiano Mark Carney, que assumiu o leme do Banco de Inglaterra em Julho de 2013, citado pelo jornal britânico "The Guardian". 

 

A 7 de Agosto desse ano, Mark Carney decidiu adoptar uma estratégia semelhante à seguida pela Reserva Federal dos Estados Unidos e ligar, pela primeira vez, a política monetária à taxa de desemprego do país (na altura nos 7,8%). 

 

Esta quarta-feira, o Governador do Banco de Inglaterra decidiu alterar esta estratégia - conhecida por "forward guidance" - indexando a política monetária a outros indicadores económicos, além da taxa de desemprego:

 

1. pela primeira vez, o banco central não irá aumentar a taxa de juro até que a capacidade produtiva da economia britânica esteja totalmente aproveitada (o que não deverá acontecer antes de 2015);

 

2. além da taxa de desemprego, o banco central terá em conta outros indicadores como relatórios de empresas e o número de horas trabalhadas

 

3. a taxa de juro irá subir de forma gradual e o programa de estímulos será mantido por mais algum tempo

 

4. o banco irá publicar novas previsões;

 

5. o programa de activos (375 mil milhões de libras) será mantido, pelo menos, até à primeira subida da taxa de juro de referência, que não deverá ocorrer dentro do próximo ano.

 

(Notícia actualizada às 13h58)




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