Conjuntura Economia portuguesa perde uma década com a crise

Economia portuguesa perde uma década com a crise

Em 2018, o rendimento gerado em Portugal será em termos reais o equivalente ao de 2008. Uma década perdida com a crise, conclui-se das previsões do Banco de Portugal que antecipam uma recuperação lenta, mais lenta que a da Zona Euro, embora sustentada.
Economia portuguesa perde uma década com a crise
Rui Peres Jorge 14 de dezembro de 2016 às 22:00

Portugal só regressará ao nível de rendimento anual que gerava em 2008 em 2018. Sem destoar, o desemprego também só voltará à casa dos 8% a 9% de anteriores à recessão no final desta década. Estas são previsões do Banco de Portugal (BdP) que expõem a década que o país perdeu para a grande recessão do inicio do século XXI.

O cenário traçado pelo banco central afasta os prognósticos mais drásticos para a economia portuguesa, e prevê uma recuperação lenta, mas "mais sustentada da economia portuguesa" assente no investimento e nas exportações.

Ao mesmo tempo, Portugal deverá  crescer menos do que a Zona Euro, permanecendo sob a espada dos mercados que pende sobre o financiamento de uma das economias mais endividadas da Europa e que, em termos nominais, crescerá em torno de 2,5%  a 3% ao ano até ao final da década – o que justifica a recomendação por mais ambição em reformas estruturais e na consolidação orçamental.

O novo normal: crescimento real de 1,5%

Segundo o Banco de Portugal, o crescimento da economia nacional deverá acelerar de 1,2% em 2016, para 1,4% em 2017, e 1,5% em 2018 e 2019, com a ajuda essencial das exportações e do investimento, que crescerão mais de 4% ao ano, entre 2017 e 2019. Em contraste, o consumo privado crescerá sempre abaixo de 1,5% neste período, traduzindo, em parte, o esforço das famílias para reduzirem o seu endividamento num contexto de impostos altos e esforço de consolidação  que determinará  uma quase estagnação do consumo público.

A dinâmica de crescimento em curso permitirá ao País continuar a registar excedentes externos, na casa de 1% do PIB ao ano, o que ajudará a uma redução gradual da dívida externa, estima ainda o banco central, que revela que os resultados não são melhores devido à elevada factura com juros e dividendos pagos ao exterior, e a uma redução prevista do volume de remessas de emigrantes enviadas para Portugal. É que o excedente da balança comercial, considerando bens e serviços, rondará os 1,8% do PIB ao ano até 2019.

Perante estas previsões, o boletim económico do Banco de Portugal identifica "um padrão de crescimento mais sustentado, caracterizado pela continuação da reorientação de recursos para sectores mais expostos à concorrência internacional e mais produtivos, pela manutenção de um excedente nas contas externas e pelo prosseguimento do processo de redução do endividamento do sector privado não financeiro", lê-se no documento, onde se destaca também que "a recuperação da actividade será acompanhada por uma continuação da melhoria gradual da situação no mercado de trabalho". A taxa de desemprego baixará para 8,5% em 2019, o mínimo de uma década.




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comentários mais recentes
Incrivel 15.12.2016

Metam o safardana do Coelho atraz das grades. Como é que foi a venda de diamantes a Angola Passos? Deu para mamarem?

Anónimo 15.12.2016

O tecno-mentiroso bem que tentou meter um país na miséria. Se ainda lá estivessem até a roupa nos levavam. Em boa hora foram corridos.

Vasco Ribeiro 15.12.2016

42 anos...

Manuel Nelson Bouças 15.12.2016

A somar a todas as outras que tem perdido com más governações...??????

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