Eléctrica está hoje a emitir 750 milhões de euros em obrigações, numa operação que marca o regresso duma empresa portuguesa ao mercado de dívida internacional desde que Portugal pediu ajuda externa. A procura já supera a oferta em mais de 10 vezes.

A Energias de Portugal está hoje a realizar uma emissão de obrigações com uma maturidade de 5 anos, uma operação que ganha especial importância pois marca o regresso de uma empresa portuguesa ao mercado de dívida.
A notícia está a ser avançada pela Bloomberg, que destaca que desde Janeiro de 2011 que uma empresa portuguesa não recorria ao mercado de dívida para se financiar.
Segundo a agência
Dow Jones o livro de ordens já chega aos 7,5 mil milhões de euros, ou seja, 10 vezes o montante que a
EDP pretendia emitir. A Bloomberg avançava que a eléctrica pretendia emitir 750 milhões de euros, pagando uma taxa implícita de 5,875%. A Dow Jones adianta que a taxa de juro será em redor de 6,25%.
Contactada pelo
Negócios, fonte oficial da EDP não confirmou a operação.
O bancos gestores da operação são Barclays,
BNP Paribas, Crédit Suisse,
ING, Mizuho Financial Group, Société Générale, Espírito Santo Investiment Bank e o Millennium
BCP.
O regresso ao mercado por parte da EDP tira partido do alívio recente das taxas no
mercado secundário, que está relacionado com as avaliações positivas ao programa da troika e com as medidas de apoio à liquidez anunciados por Mario Draghi, o presidente do
BCE. O sentimento mais positivo nos mercados tem, de resto, sido aproveitado por várias empresas espanholas para emitir dívida nos mercados, como a Telefónica e a
Repsol.
Em Portugal, as dificuldades de emissão no mercado aberto têm levado empresas como a EDP, a
Portugal Telecom, a
Brisa, a
Semapa e a
Zon Multimédia a emitir dívida no retalho. A EDP recebeu também, entretanto, um empréstimo de um banco chinês no valor de mil milhões de euros.
O regresso de Portugal aos mercados de dívida, com a emissão de obrigações de médio e longo prazo, está previsto antes de Setembro de 2013, altura em que chega à maturidade uma linha de obrigações em que estão emitidos cerca de 10 mil milhões de euros.