Política Eleições municipais em Itália deixam Berlusconi e Salvini a sorrir

Eleições municipais em Itália deixam Berlusconi e Salvini a sorrir

As eleições municipais que decorreram este domingo em Itália resultaram numa derrota do centro-esquerda e, em contrapartida, numa vitória do centro-direita, protagonizado por Berlusconi e Salvini. O PD de Renzi sofre nova derrota.
Eleições municipais em Itália deixam Berlusconi e Salvini a sorrir
REUTERS Stefano Rellandini
David Santiago 26 de junho de 2017 às 12:23

Novas eleições locais em Itália e nova derrota para Matteo Renzi e para o centro-esquerda. Este domingo decorreu a segunda volta das eleições autárquicas nos municípios em que no primeiro turno nenhum candidato alcançou a maioria absoluta e o grande vencedor foi o centro-direita. Porque apesar de o PD ter conquistado mais câmaras, o centro-direita assegurou mais cidades, em especial capitais de província.

 

Os candidatos apoiados pelos partido mais representativos do centro-direita e da direita, designadamente o Força Itália de Silvio Berlusconi e a Liga Norte de Matteo Salvini, garantiu a liderança de 16 capitais de província face às sete anteriormente detidas, enquanto o PD ficou com cinco face às 16 anteriormente lideradas. 

 

O que fez do centro-esquerda o grande derrotado da noite eleitoral. Há um ano o PD, agora novamente liderado pelo ex-primeiro-ministro transalpino, foi o grande derrotado nas eleições municipais que decorreram nas maiores cidades italianas, perdendo metrópoles como Roma e Turim para o anti-sistema Movimento 5 Estrelas. Nas eleições que decorreram este domingo, e que decorreram nos restantes municípios, os candidatos desta área política venceram apenas seis dos 17 municípios alcançados há cinco anos.

 

O centro-esquerda perdeu mesmo a principal cidade em disputa. O candidato Gianni Crivello (44,76%), apoiado entre outros pelo PD, perdeu Génova para a coligação protagonizada por Marco Bucci (55,24%), o candidato do centro-direita apoiado pela Liga Norte (foi a segunda força mais votada) e pela Força Itália. Génova era liderada há 25 anos pelo centro-esquerda. Face a 2013, o PD perdeu o controlo de cidades como Roma, Turim, Génova e Veneza.

 

O Corriere della Sera escreve esta segunda-feira, 26 de Junho, que "a frio, a leitura dos resultados parece fácil: o centro-direita venceu, o centro-esquerda perdeu e o 5 Estrelas já tinha perdido há duas semanas". Este jornal faz referência à derrota do partido de Beppe Grillo na primeira volta que teve lugar há 15 dias, isto depois de há um ano ter sido o grande vencedor.

 

No total dos dois turnos, o centro-esquerda garante 56 autarquias, o centro-direita 47 e o 5 Estrelas 46. Contudo, as coligações do centro-esquerda caem face aos 93 municípios conquistados nas últimas eleições locais.

 

Outro dado a reter destas eleições locais foi a elevada taxa de abstenção, superior a 50% do eleitorado, num domingo em que predominou o bom tempo no país, pelo que apontado como factor dissuasor da ida às urnas.

 

A recuperação do centro-direita melhora as perspectivas de Salvini e de Berlusconi, embora o primeiro surja como o principal vencedor dada a forte votação conseguida pela forma de extrema-direita Liga Norte. Ainda assim, Berlusconi tem motivos para sorrir já que o reforço do centro-direita mostra que nas próximas legislativas a não serão apenas Renzi e Grillo quem terá uma palavra a dizer.

 

Marco Damiliano, vice-director do semanário L’Espresso, escreve que o antigo primeiro-ministro reforça com este resultado o objectivo de "unir o centro-direita, mas também o de apresentar-se como aliado indispensável do PD".

 

Berlusconi tem como objectivo surgir perante o eleitorado transalpino como "o homem da estabilidade", acrescenta Damiliano para quem 2018 (ano em que deverá haver eleições) será a "data do renascimento" do líder da Força Itália, para já ainda impedido de se candidatar ao Parlamento na sequência da Lei Severino adoptada depois da sua condenação, em 2013, por fraude fiscal. 

Com eleições legislativas previstas para 2018 - embora ainda persista enquanto forte hipótese um cenário de eleições antecipadas para o início do Outono deste ano - este é um mau resultado para Matteo Renzi, líder que desde a sua demissão da chefia do governo transalpino, em Dezembro último, na sequência da derrota no referendo constitucional, tem vindo a perder margem eleitoral. A última sondagem citada pelo L´Espresso coloca o 5 Estrelas na frente com 30,2% das intenções de voto, seguido pelo PD com 26,5%. 

A Liga Norte e a Força Itália surgem depois com intenções de voto na casa dos 12%, contudo a realçar nesta sondagem está o facto de, junto, o centro-direita somar 30%. Ou seja, tal significa que Renzi deverá voltar a precisar de Berlusconi para formar governo o que por si só seria uma vitória do antigo primeiro-ministro a quem já tinha sido passado o atestado de morte política. 




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