Política Monetária Eleições na Europa poderão levar BCE a considerar “outras respostas”

Eleições na Europa poderão levar BCE a considerar “outras respostas”

O presidente do Banco da Grécia acredita que, se as eleições em França e na Alemanha trouxerem mais instabilidade, o BCE terá de considerar novas respostas. Por agora, a diminuição dos estímulos não está a ser discutida "nem informalmente", garante Stournaras.
Eleições na Europa poderão levar BCE a considerar “outras respostas”
Reuters
Negócios com Bloomberg 28 de Novembro de 2016 às 08:41

Yannis Stournaras, membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), admite que o resultado das eleições em países como França e Alemanha, no próximo ano, poderá levar a autoridade monetária a considerar outras respostas, em termos de políticas.

Em entrevista à Bloomberg, o também governador do banco central da Grécia, explicou que, se as próximas eleições na Zona Euro trouxerem "mas incerteza e volatilidade ou mais eurocepticismo", e se "prevalecer mais proteccionismo em ambos os lados do Atlântico, isso será mau". "Talvez nesse caso precisemos considerar outras respostas políticas", admitiu Stournaras.

Ainda assim, o responsável acredita que a política monetária que o BCE tem seguido "vai continuar", até porque a inflação ainda está longe da meta de 2% do banco central.

Na próxima reunião do BCE, a 8 de Dezembro, Mario Draghi poderá anunciar o alargamento do programa de compra de activos – fixado actualmente em 80 mil milhões de euros mensais – que tem fim programado para Março do próximo ano.

"Se vai continuar ao mesmo ritmo por um período de tempo específico, ou a um ritmo mais lento por um período mais longo, ainda terá de ser decidido", esclareceu Stournaras. "Suspeito que haverá uma série de opções em cima da mesa, quando nos reunirmos a 8 de Dezembro".

Porém, o governador do Banco da Grécia recorda que o programa de alívio quantitativo "não é permanente" nem o BCE quer que seja. "Se a inflação se aproximar da meta de forma sustentável, o alívio quantitativo vai parar", recordou, sublinhando, contudo, que a redução dos estímulos "não está a ser discutida agora, nem mesmo informalmente".
 

"A transição importa muito. Não está só em causa o ponto onde queremos chegar, mas também a forma como chegamos lá. E não estamos lá, de todo. Mas espera-se que a inflação suba nos próximos meses. Poderemos encontrar-nos nesse ponto talvez daqui a um ano", avançou.

Os últimos dados do Eurostat indicam que a inflação na Zona Euro subiu para 0,5% em Outubro, o nível mais elevado desde Junho de 2014.


Em meados deste mês, Mario Draghi, presidente do BCE, admitiu que a recuperação da economia da Zona Euro não é forte o suficiente para garantir um crescimento sustentável dos preços, mantendo-se dependente dos estímulos da autoridade monetária.


"Não vemos um fortalecimento consistente da dinâmica subjacente dos preços", afirmou Mario Draghi, num discurso em Frankfurt, citado pela Bloomberg. "Mesmo havendo muitas tendências encorajadoras na economia da Zona Euro, a recuperação continua a ser altamente dependente de uma constelação de condições de financiamento que, por sua vez, dependem do apoio monetário contínuo".

Draghi não fez, na altura, qualquer referência às decisões que serão tomadas na próxima reunião, mas garantiu que a autoridade monetária vai continuar a agir de acordo com o que for necessário para que a inflação se aproxime do objectivo de 2%.




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