Finanças Públicas Em mês de negociações do OE, Centeno não vê folga no défice

Em mês de negociações do OE, Centeno não vê folga no défice

Défice caiu mais de mil milhões de euros até Julho. Numa altura em que o Orçamento do Estado para 2018 está a ser negociado, o ministro avisa que a margem ganha é necessária para compensar segundo semestre.
Em mês de negociações do OE, Centeno não vê folga no défice
Miguel Baltazar/Negócios
Rui Peres Jorge 27 de agosto de 2017 às 18:49

Em contabilidade de caixa o défice orçamental caiu quase 1,2 mil milhões de euros nos primeiros sete meses do ano, o que duplica a meta de 600 milhões de euros inscrita no orçamento para o total do ano. Face aos resultado, o ministro das Finanças veio sublinhar que esta melhoria não se manterá no segundo semestre, sinalizando que não identifica  particulares folgas face ao objectivos traçados para o ano.

No mesmo comunicado em que na sexta-feira deu conta de uma redução homóloga de 1.153 milhões de euros no défice orçamental até Julho, o gabinete de Mário Centeno diz que o resultado permitirá acomodar o efeito de vários factores "que se irão traduzir num abrandamento do ritmo de melhoria do défice" ao longo dos próximos meses, onde se incluem: "do lado da despesa, o actual perfil do pagamento do subsídio de natal, com 50% em Novembro; e, do lado da receita, a não repetição da receita fiscal do PERES e o acerto de margens financeiras com a União Europeia".

O lembrete das Finanças surge num momento em que está a ser negociado o Orçamento do Estado para 2018, e em que, face ao bom momento da economia, se especula quanta margem orçamental haverá para acomodar aumentos de despesa e baixas de impostos. Na terça-feira, dia 29, o governo reúne-se com Bloco de Esquerda para debater o documento.

Receita cresce muito acima da despesa

A redução do défice orçamental resulta de um aumento da receita muito superior ao da despesa nos primeiros sete meses do ano, detalha o Ministério das Finanças no comunicado: "A evolução do défice resultou do aumento expressivo da receita de 3,2% e de um acréscimo da despesa de 0,5%"
.
O lado da receita, o encaixe com impostos no Estado aumentou 4,4%, "valor substancialmente superior ao crescimento de 3% previsto em sede de Orçamento", destaca o Governo. "A receita bruta de IVA manteve um crescimento expressivo de 6,9%; as contribuições para a Segurança Social registaram um crescimento de 6,1%, as retenções na fonte de trabalho dependente em sede de IRS cresceram 4,1% e a receita de IRC cresceu 18,8%", lê-se na mesma nota, que não refere a queda de 3,5% no IRS - resultante de um aumento de quase 22% nos reembolsos deste imposto.

Do lado dos gastos, "a despesa primária [a que exclui os juros] das Administrações Públicas estabilizou face a 2016, incorporando um aumento muito significativo de 28,8% do investimento [excluindo PPP]", avalia o ministério, que dá ainda conta de um abrandamento do aumento da despesa com pessoal para 0,2%. O aumento é explicado pela "prioridade no investimento em recursos humanos nas áreas da saúde e da educação".

O aumento dos gastos no SNS substancialmente acima da estabilização prevista no Orçamento, e que o Negócios destacou há um mês, até se agravou. "A despesa do SNS aumentou 4,5% [4,3% em Junho], o que revela a prioridade atribuída a este sector", justifica o ministério.
Na nota enviada à imprensa, as Finanças dão conta de uma redução em termos homólogos da dívida não financeira e dos pagamentos em atraso há mais de 90 dias.




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comentários mais recentes
juliomtx0@gmail.com 28.08.2017

Esta cambada governa para uma parte minoritaria da populacao

pertinaz 28.08.2017

ESTES ESTUPORES QUE NOS DESGOVERNAM SÃO PIORES QUE A TROIKA...!!!

DJ viajante 27.08.2017

Austeridade de Janeiro a julho, contenção de Agosto a Dezembro. Alguem viu a troika por ai?

Anónimo 27.08.2017

Neste momento, em que o Orçamento, para o ano de 2018, está a ser discutido, tem que haver maturidade intelectual por parte dos partidos que apoiam o governo, para não darem passos maiores do que as pernas. Se querem destruir o que de bom foi feito, exijam tudo: o possível e o impossível

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