Finanças Públicas Em Setembro ficamos a saber quanto é que a Caixa penaliza o défice

Em Setembro ficamos a saber quanto é que a Caixa penaliza o défice

O prazo máximo era Março de 2018, mas o Eurostat compromete-se agora a divulgar a sua decisão mais cedo. Dentro de dois meses saberemos quanto é que a recapitalização da Caixa penalizará o défice orçamental deste ano.
Em Setembro ficamos a saber quanto é que a Caixa penaliza o défice
David Martins/Correio da Manhã
Nuno Aguiar 20 de julho de 2017 às 10:40
Já é conhecida a data em que ficaremos a saber qual o impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos no apuramento do défice orçamental de 2017. Numa nota publicada esta manhã em conjunto com a informação sobre contas públicas da Zona Euro, o Eurostat diz que a decisão sobre como registar a operação deverá estar terminada em Setembro de 2017.

"O défice [de Portugal] no primeiro trimestre de 2017 não inclui qualquer impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. A recapitalização da CGD é estimada em 4.874 milhões de euros (4.444 ocorreram no primeiro trimestre de 2017), dos quais 3.944 milhões foram feitos pelo Estado português, montante que ascende a 2,1% do PIB anual projectado", escreve o instituto europeu de estatística. 

"Dada a complexidade desta operação, estão a decorrer trocas de informação e diálogo entre as Estatísticas de Portugal e a Comissão Europeia (Eurostat) no que diz respeito ao seu registo em contas nacionais. Espera-se que esta discussão esteja concluída em Setembro de 2017", acrescenta.

Recorde-se que o Instituto Nacional de Estatística (INE) tinha dito em Junho deste ano que a decisão sobre este tema tinha como prazo máximo Março de 2018, altura em que o INE divulga o défice de 2017. O comunicado do Eurostat desta manhã fixa a tomada de decisão para seis meses mais cedo."

Os exemplos do passado no que diz respeito à recapitalização de bancos públicos apontariam para que a operação penalizasse o défice orçamental, uma vez que a Caixa acumulou prejuízos nos últimos anos. No entanto, as perdas da CGD coincidiram com um momento difícil do resto do sector bancário, que também teve perdas.

Além disso, a operação foi previamente discutida com a Comissão Europeia, que decidiu tratar-se de uma operação de mercado, que não pesará sobre a avaliação que Bruxelas fará do esforço orçamental nacional. Ainda terça-feira, Pierre Moscovici, comissário europeu para os assuntos económicos, voltou a sublinhar que a Comissão decidiu retirar Portugal do Procedimento dos Défices Excessivos sabendo que o Eurostat poderia decidir no sentido de incluir a recapitalização nas contas do défice e que aquilo que conta é a trajectória do saldo orçamental, que segue no sentido de maior equilíbrio. Isto é, mesmo que défice aumente, será visto como uma subida temporária.



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mais votado Anónimo 20.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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Anónimo 20.07.2017

O excedentário é pago com impostos e dívida pública com origem em credores externos. O sobrepagamento efectuado ao excedentário ainda lhe dá para aforrar e adquirir títulos de dívida junto do Estado. Depois o Estado cobra mais impostos e emite mais dívida junto de credores externos e títulos de tesouro para os excedentários, cada vez em maior número face às necessidades e cada vez mais sobrepagos por via de progressões e outros bónus, comprarem. De seguida vem eleição e o excedentário vota em quem promove o excedentarismo e endivida e taxa o resto da população para sustentar esta forma de pilhagem e extorsão continuada. De seguida entram os bancos cá do burgo. Concedem créditos de todos os tipos, formas e feitios aos excedentários e exigem ao governo mais excedentários para terem mais clientes a quem conceder mais crédito. Os juros sobem. Nova ronda de aumentos a pedido dos sindicatos dos excedentários e a pedido dos bancos. Bancarrota. Troika. Governo impopular por um mandato. Repete.

Anónimo 20.07.2017

Não se admirem com a insólita glorificação do anémico crescimento económico português. Em Portugal o mirabolante mote diz que não existem forças de mercado, em especial do sector público para dentro, e por isso não se pode reestruturar uma organização portuguesa com recurso a despedimentos ou desalocação de oneroso factor produtivo trabalho que seja desnecessário e injustificável à luz dos mais básicos e elementares princípios da boa gestão lean, da racionalidade económica, do avanço tecnológico e das condições de oferta e procura reais existentes em dado momento ou período de tempo.

Anónimo 20.07.2017

A dívida pública anda a bater recordes. Mas o pior é que a banca de retalho subsidiada pelo Estado está mesmo à espera disso para aumentar a carteira de clientes e elevar o "produto bancário". A banca de retalho tradicional é a maior amiga do excedentarismo, da falta de transparência e demais fontes de despesismo. Não brinquem mais com o fogo que esta pandilha é perigosa e totalmente irresponsável.

Anónimo 20.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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