União Europeia Embaixador demissionário na UE pede que digam a verdade ao "poder" sobre as negociações do "Brexit"

Embaixador demissionário na UE pede que digam a verdade ao "poder" sobre as negociações do "Brexit"

O embaixador britânico na União Europeia, Ivan Rogers, que na terça-feira apresentou a sua demissão, pediu aos seus colegas em Bruxelas para desafiarem o "pensamento confuso" e que digam a verdade ao "poder" sobre as negociações do "Brexit".
Embaixador demissionário na UE pede que digam a verdade ao "poder" sobre as negociações do "Brexit"
Bloomberg
Lusa 04 de janeiro de 2017 às 10:18

Rogers renunciou de forma inesperada quando faltam quase três meses para que o Reino Unido inicie as negociações formais sobre a sua retirada da União Europeia depois de os britânicos terem votado a favor do "Brexit" no referendo do passado 23 de Junho.

 

A demissão de Rogers é vista hoje pela imprensa como um claro descontentamento com a gestão do Governo da conservadora Theresa May antes do início das conversações com Bruxelas.

 

Na sua carta de demissão enviada aos colegas em Bruxelas, e publicada esta quarta-feira, 4 de Janeiro, na imprensa britânica, o diplomata teceu duras críticas contra o Governo, ao afirmar que os ministros precisam de ouvir pontos de vista "incómodos" da Europa.

 

Também revela que os funcionários ainda não sabem quais são as prioridades de negociação do Governo de Londres.

 

Na carta, o embaixador, que deixará o seu posto nas próximas semanas, quando for nomeado o seu substituto, adverte que o Governo só conseguirá o melhor para o país se "aproveitar a melhor experiência (de pessoal) que nós temos".

 

"Espero que vocês continuem a desafiar os argumentos infundados e o pensamento confuso e que nunca tenham medo de dizer a verdade aos que estão no poder", acrescentou.

 

"Espero que se apoiem uns aos outros nesses momentos difíceis, em que devem entregar mensagens que são desagradáveis para os que necessitam ouvi-las", sublinha o diplomata.

 

O diplomata explicou que decidiu renunciar agora ao invés de esperar para terminar o seu tempo de serviço no final do ano para evitar a interrupção do processo de negociação sobre o "Brexit".

 

"É óbvio que não faz sentido que o meu cargo mude de mãos no final deste ano", escreveu Rogers.

 

Rogers, considerado um diplomata experiente nas negociações com a UE, renunciou ao cargo pouco antes de o Reino Unido activar, em finais de Março, o processo de negociações sobre o 'Brexit', a saída do país do bloco europeu.

 

Designado em finais de 2013, o diplomata foi um dos principais assessores do ex-primeiro-ministro conservador David Cameron nas negociações prévias ao referendo europeu para tentar garantir alterações às cláusulas da participação britânica na UE.

 

Na sequência dessas conservações, onde foram acordadas mudanças no acesso dos cidadãos comunitários às ajudas sociais britânicas, Cameron decidiu convocar um referendo sobre a permanência ou saída do Reino Unido da UE, que decorreu em 23 de Junho.

 

No final de 2016 Rogers suscitou uma enorme controvérsia, ao considerar que o acordo comercial com a UE após a saída britânica do bloco levaria uma década a ser concretizado e que inclusivamente poderia fracassar porque necessitaria da ratificação dos restantes 27 Estados-membros.

 

Segundo o Financial Times, as relações do embaixador com a equipa da primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, deterioraram-se nos últimos meses.

 

Rogers é um funcionário britânico e foi secretário pessoal do ex-ministro da Economia Kenneth Clark, tendo ainda colaborado com o ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair.

 

Theresa May indicou que vai fornecer durante este mês diversos pormenores sobre os seus planos de negociação com o bloco europeu, após ter sido criticada pela ausência de informações sobre o que sucederá no 'pós-Brexit'.

 

O Reino Unido deverá abandonar a União Europeia na Primavera de 2019. 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 3 semanas

Não se preocupem nem tenham medo! porquê? porque vão saír todos e não só os ingleses...

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Não se preocupem nem tenham medo! porquê? porque vão saír todos e não só os ingleses...

Resposta de Pedroa Anónimo Há 3 semanas

A ver vamos...

Quando os bens britânicos começarem a serem taxados para entrar num mercado com mais de 400 milhões..
Quando os grandes bancos com sede na city deixarem de poder operar na UE...
Quando os cidadãos britânicos começarem a precisar de passaporte para entrar na europa..
Quando os britânicos tiverem de negociar novos tratados comerciais com China, USA, Russia sem o peso do resto da UE a ajudar...
Quando o Reino Unido passar a ser só Gales, Inglaterra, e Irlanda do Norte...
Quando perderem o petróleo do mar do norte se a Escócia sair da GB..

Depois vamos ver se saem todos ou não...

é que é fácil criticar a UE mas, não apresentar um plano alternativo...

Nem eles estavam com vontade de sair...
A geração que vai ter de viver fora da união europeia votou claramente para ficar..
Quem queria sair eram iludidos com o passado que pensam que vão voltar aos tempos do império..

Vamos ver...


pub
pub
pub
pub