Emprego Emprego teve a maior subida de que há registo… e não foi a prazo

Emprego teve a maior subida de que há registo… e não foi a prazo

O número de pessoas empregadas avançou 3,2% no primeiro trimestre, o que representa o maior aumento de que há registo, mesmo se analisarmos a série que começa em 1998. O número de contratados a prazo até recuou. Mas o de falsos recibos verdes terá aumentado.
Emprego teve a maior subida de que há registo… e não foi a prazo
Miguel Baltazar/Negócios

O emprego cresceu 3,2% em termos homólogos no primeiro trimestre deste ano, o que representa a maior subida homóloga alguma vez registada tanto na série actual (que começa em 2011) como na anterior (que começa em 1998). Os números do INE revelam, além disso, que durante o mesmo período o número de contratados a prazo até recuou. Mas aumentaram os "outros tipos" de contratos, onde estarão incluídos os falsos recibos verdes.

A informação oficial aponta para a criação de 144,8 mil empregos no prazo de um ano. Com esta recuperação Portugal (só) volta aos níveis de emprego do início de 2011.

No destaque hoje divulgado o INE refere que o aumento de 3,2% é "o maior desde o terceiro trimestre de 2013", mas a série revela que não há registo de uma subida homóloga superior.

Questionada sobre o assunto, fonte oficial do INE explicou ao Negócios que essa análise "só considerou o período em que as variações homólogas foram positivas". Antes de 2013 houve reduções de emprego que o INE não considerou na comparação.

Os quadros do INE mostram que esta criação homóloga de emprego esteve sobretudo concentrada no sector dos serviços. O sector que inclui transportes, armazenagem e actividades de comunicação deu o maior contributo líquido para a subida de emprego, seguido do comércio, reparação de veículos, alojamento e restauração.

Os especialistas das actividades intelectuais e científicas e os administrativos estiveram entre os que mais cresceram.

Menos contratos a prazo, mais falsos recibos verdes

 

Por outro lado, os dados também revelam que, dentro do trabalho por conta de outrem, este aumento foi sobretudo conseguido através de contratos sem termo. Estes vínculos mais estáveis aumentaram 4,8%, enquanto os contratos a termo recuaram 2,1%, para um total de 680 mil.

Mas se o objectivo é garantir um modelo de maior estabibilidade nem tudo são boas notícias. Na análise do peso da precariedade também são geralmente tidos em conta os chamados "outros contratos", que continuam a registar um aumento de 13,7%, apesar de terem um peso muito menor: 135 mil pessoas em total.

Em causa estão pessoas "com um contrato de prestação de serviços" que por não terem autonomia quanto a processos ou horários e por estarem sujeitos à "autoridade" do empregador são classificados como trabalhadores por conta de outrem, tal como já explicou no passado ao Negócios fonte oficial do INE.

Uma descrição que faz em tudo lembrar a dos chamados "falsos recibos verdes" –  um conceito informal que oficialmente o INE não subscreve.

Considerando estas duas categorias, que é o que habitualmente se faz, o peso destes contratos precários no total de trabalho por conta de outrem contrariou a tendência de aumento e situou-se nos 21,2%, o mais baixo desde há dois anos.

A avaliar pelos dados que são públicos esta será, ainda assim, uma das mais altas taxas de precariedade da União Europeia.

Notícia actualizada às 15:16 com mais informação


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mais votado Anónimo Há 2 semanas

O trabalho por si só já não é uma boa medida para aferir a saúde de uma economia nem a sua evolução à escala temporal, mas antes o trabalho e o capital sejam medidas mais correctas, porque para além dos salários pagos a quem oferece factor trabalho e dos lucros empresariais, os agentes económicos, especialmente quanto mais desenvolvida for a economia onde residem, obtêm cada vez mais rendimentos e criam cada vez mais valor através de outros lucros, rendas, mais-valias, dividendos, royalties sobre propriedade intelectual e juros.

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

É generalizado. A conjuntura mundial é boa. Só países em guerra é que este ano e no próximo não crescem. A questão está na qualidade e adequabilidade do mix de factores produtivos alocados que variam muito de governo para governo, deixando nuns casos a respectiva economia com fortes vectores de equidade e sustentabilidade futura e noutros com fortes vectores de iniquidade e insustentabilidade futura. "A economia grega deverá retomar o crescimento este ano e consolidar o mesmo em 2018, depois da interrupção da recuperação no quarto trimestre de 2016, segundo as previsões da primavera da Comissão Europeia, hoje divulgadas em Bruxelas.

Assim, o Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia deverá crescer 2,1% este ano e 2,5% em 2018,"

Anónimo Há 2 semanas

É preciso despedir activos tóxicos!!! A banca e a administração pública estão repletas desses activos tóxicos.

Anónimo Há 2 semanas

Na agricultura + 5 mil empregos, na industria + 28 mil empregos e nos serviços + 112 mil empregos. Resta saber quantos destes 112 mil dos serviços foram na função pública.
Já agora a populaçao activa com menos de 44 anos diminuiu num ano 55 mil pessaos. Para onde terão ido?

Anónimo Há 2 semanas

Ao contrário da situação nos países ricos e desenvolvidos, o excedentarismo em países atrasados, cheios de pobreza, miséria e subdesenvolvimento, como na África Subsariana, é desprezável, ou um mal necessário, na medida em que como não existe um sistema público de segurança social nem outras estruturas do Estado de Bem-Estar Social, o excedentarismo acaba por cumprir, ainda que parcialmente e de forma muito limitada, as mais fundamentais e estruturantes funções sociais dos Estados de Bem-Estar Social já bem estabelecidos no Primeiro Mundo. No Primeiro Mundo, onde existem condições para criar valor do mais elevado quilate, mesmo com escassez de recursos naturais, o excedentarismo, nas organizações públicas e privadas, é um cancro económico e social que extrai valor do Estado, incluindo o Estado Social, da economia e da sociedade, tendo por isso que ser combatido sem piedade, a par com os flagelos da corrupção política, do compadrio e demais formas de cleptocracia instituída.

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