Empresários consideram que a baixa da TSU é uma medida que só irá fomentar o desemprego e provocar uma quebra no consumo interno, avança o "Correio da Manhã".

A medida que compreende a Taxa Social Única (TSU) prevê um aumento dessa taxa para os trabalhadores e uma diminuição da mesma para as empresas. Os patrões do sector exportador, sector que beneficiará mais com esta medida, em declarações ao Correio da Manhã, já vieram dizer que abdicam de baixa na TSU em nome da economia portuguesa.
Empresários consideram que esta medida irá provocar uma quebra no consumo interno e fomentar o desemprego.
Fortunato Frederico, presidente do grupo Kyaia, considera eu “isto é uma medida que não tem pés nem cabeça, nem coração. Em vez de embaratecermos o salário tirando dinheiro aos trabalhadores, era preferível pedir-lhes mais tempo de trabalho” , afirmando também que esta medida vai obrigar as empresas que trabalham exclusivamente para o mercado interno a fechar portas.
A opinião do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e exportador de vinhos, João Machado, vai ao encontro da de Fortunato “Aquilo que ganhamos no mercado internacional perdemos muito mais no mercado interno” e diz mesmo que “estamos totalmente disponíveis para pagar a taxa como neste momento, pagando os trabalhadores os 11%, como agora.”, de acordo com o CM.
Para os patrões, o impacto dessa medida será muito será bastante negativo na economia portuguesa. Para o ex-secretário de Estado de Cavaco, Alexandre Relvas, seria ideal que esta medida fosse anulada e já apelou ao PSD e ao CDS-PP que a repensassem.
“Estamos dispostos a todas as soluções úteis para o país e o seu desenvolvimento”, afirma Stefano Saviotti, líder da cadeia de hotéis D.Pedro.
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, na passada quarta-feira, disse ter um “optimismo moderado” de que o aumento da TSU para os trabalhadores e a diminuição dessa mesma taxa para as empresas possa vir a minorar a destruição de emprego.
Na passada quinta-feira, António Saravia, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), em conferência de imprensa, lamentou que o governo não tenha ouvido os parceiros sociais e afirmou que “nunca a descida da TSU para as empresas devia ser compensada pelos trabalhadores.” Saraiva acusou o governo de ter “ignorado” e “agredido” a concertação social.
O chefe de missão do
FMI, Abeb Selassie, considera que a medida é “criativa” para resolver o problema do défice e da competitividade. Em entrevista o ao Público, Selassie nega que a TSU tenha sido uma medida imposta pela troika “Foi uma ideia posta sobre a mesa. Achamos que é razoável e apoiamo-la”.