Conjuntura Empresários antecipam abrandamento da recuperação do investimento

Empresários antecipam abrandamento da recuperação do investimento

Os empresários que participaram no inquérito semestral do INE ao investimento apontam para um aumento de 3,8% no investimento este ano, uma travagem que contrasta com as previsões mais recentes do Banco de Portugal.
Empresários antecipam abrandamento da recuperação do investimento
Bruno simão
Rui Peres Jorge 26 de janeiro de 2017 às 11:32

Os empresários que participam no inquérito semestral do INE ao investimento apontam para um aumento nominal do investimento de 3,8% em 2017, menos dos que os 6,5% que estimam que tenha crescido em 2016, avançou o instituto. O indicador do INE contrasta em várias dimensões com as estimativas do Banco de Portugal, e revela ao longo do tempo revisões substanciais nos resultados apontam pelos empresários, o que dificulta a sua interpretação.

"De acordo com as intenções manifestadas pelas empresas no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de Outubro de 2016 (com período de inquirição entre 1 de Outubro de 2016 e 18 de Janeiro de 2017), o investimento empresarial em termos nominais deverá apresentar uma taxa de variação de 3,8% em 20172, explica o INE, que diz ainda que "os resultados deste inquérito apontam ainda para um aumento de 6,5% do investimento em 2016".

Os números agora revelados para 2016 reflectem "uma ligeira revisão em alta face às perspectivas reveladas no inquérito anterior (variação de 6,0%) [do primeiro semestre de 2016] e uma revisão mais acentuada face às perspectivas reveladas no inquérito de Outubro de 2015 (variação de 3,1%)". A interpretação dos dados do inquérito do INE é dificultada pelas revisões significativas nas respostas dos empresários e pelo contraste com as previsões conhecidas, em particular as do Banco de Portugal.

Por exemplo, nas primeiras previsões para o ano seguinte reveladas nos inquéritos de Outubro de 2015 e agora no de 2016, os empresários parecem mais optimistas agora quando à evolução do investimento no ano seguinte: 3,1% contra 3,8%. No entanto, olhando apenas paras respostas obtidas no final de 2016, a nova expectativa de aumento de investimento empresarial no ano passado, subiu dos iniciais 3,1% para os actuais 6,5%, o que parece indicar que estão menos optimistas quanto à evolução desta variável em 2017 – para a qual antecipam o aumento de 3,8%.

Esta evolução menos optimista contrasta com as estimativas de recuperação do investimento empresarial em termos reais (descontando o efeito dos preços), avançada pelo banco de Portugal em Dezembro, na qual estimou um aumento gradual de 1,9% em 2016 para 5,6% em 2019.

A generalidade das estimativas aponta para recuperação gradual do investimento, mas tende a apresentar valores em termos reais, ou seja, descontando o efeito dos preços. Uma aceleração em termos reais seria compatível com uma desaceleração em termos nominais caso os empresários antecipem uma queda de preços nos bens de investimento que lhes permitisse investir mais, gastando menos.

Más perspectivas de venda continuam a limitar o investimento

A expansão da capacidade de produção continua a ser o objectivo mais referido pelos empresários para investir tanto em 2016, como em 2017, mas em termos de peso relativo perderá importância em 2017 face ao investimento apostado na reestruturação das empresas, diz o INE: "O investimento de extensão da capacidade de produção destacou-se por ser o mais referido em ambos os anos", mas ao mesmo tempo, destaca o instituto, "perspectiva-se, entre 2016 e 2017, uma redução da importância relativa dos investimentos orientados para a substituição, para a extensão da capacidade de produção e para outros investimentos, enquanto o investimento associado à racionalização e restruturação verá o seu peso relativo aumentar", lê-se na nota enviada à imprensa. 

A deterioração das perspectivas de venda e a dificuldade em obter crédito bancário estão destaque em 2017 enquanto factores limitativos do investimento: "Entre 2016 e 2017 prevê-se um aumento do peso relativo da deterioração das perspectivas de venda e da dificuldade em obter crédito bancário e uma redução do peso relativo da capacidade de autofinanciamento" enquanto factores que limitam a capacidade de investir, diz o INE. Nos dois anos, as piores perspectivas de venda lideraram a tabela de factores que travam a formação bruta de capital fixo sendo referidas por cerca de um terço das empresas, sendo o segundo lugar ocupado pela insuficiente capacidade de autofinanciamento em 2016, e pela incerteza quanto à rendibilidade dos investimentos em 2017. A dificuldade em obter crédito surge na quarta posição.




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