Finanças Públicas Endividamento das famílias e empresas atinge mínimos de dez anos

Endividamento das famílias e empresas atinge mínimos de dez anos

A economia portuguesa está menos alavancada, sendo que a redução do endividamento está a ser feito sobretudo à custa das empresas e dos particulares.
Endividamento das famílias e empresas atinge mínimos de dez anos
Bloomberg
Nuno Carregueiro 21 de dezembro de 2017 às 13:22

O endividamento das famílias e das empresas privadas portuguesas atingiu no terceiro trimestre deste ano o nível mais reduzido desde 2007, que é o primeiro ano para o qual existem dados.  

 

De acordo com o Banco de Portugal, o sector privado não financeiro chegou a Setembro com uma dívida de 403,89 mil milhões de euros, o que corresponde a 212% do PIB. Desde pelo menos 2007 que não se verifica um valor tão reduzido, sendo que o máximo histórico foi fixado em 2013 nos 264% do PIB.

 

Esta desalavancagem do sector privado, num contexto de taxas de juro em mínimos históricos e maior restritividade na concessão de crédito por parte dos bancos, está a ser feita pelas empresas e também pelas famílias, respondendo assim a um dos principais problemas da economia portuguesa. Quanto ao endividamento do Estado, tem vindo de descer de forma menos célere e pronunciada.

 

O endividamento do sector não financeiro (empresas privadas, famílias e Estado), chegou a 721,12 mil milhões de euros em Setembro deste ano, o que corresponde a 378,5% do PIB. Trata-se do nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2011 e traduz uma redução de quase novo pontos percentuais no espaço de um ano. O endividamento do sector não financeiro atingiu um máximo histórico no primeiro trimestre 2013 nos 425,8% do PIB.

 

No caso das empresas privadas, a dívida ascendia a 262,1 mil milhões de euros em Setembro, ou 137,6% do PIB. Este valor corresponde ao nível mais reduzido desde 2007 e compara com o máximo de 171% do PIB registado em 2013.

 

Já as famílias portuguesas têm baixado o seu endividamento de forma pronunciada. Em Setembro ascendia a 141,7 mil milhões de euros, o que equivale a 74,4% do PIB. Este é o nível mais baixo desde 2007 e compara com o máximo atingido no terceiro trimestre de 2009 nos 95,7% do PIB. Esta descida deve-se sobretudo à redução do peso do crédito à habitação concedido a particulares, que representa agora 53,2% do PIB, contra 56,66% do PIB há um ano.

 

Empresas aumentam endividamento em Outubro

 

O Banco de Portugal também revelou esta quinta-feira, 21 de Dezembro, os dados relativos a Outubro, que não têm o peso no PIB dado este não ser um mês de final de trimestre.

 

Em Outubro de 2017, o endividamento do sector não financeiro baixou cerca de 300 milhões de euros para 720,8 mil milhões de euros.

 

"Esta redução deveu-se ao decréscimo de 2,9 mil milhões de euros verificado no endividamento do sector público e ao aumento de 2,6 mil milhões de euros observado no endividamento do sector privado".

 

O endividamento das empresas privadas cresceu mais de 2,5 mil milhões de euros entre Setembro e Outubro, devido sobretudo "ao acréscimo do endividamento externo das empresas privadas", que foi  "parcialmente compensado pela redução do endividamento (…) perante o sector financeiro residente".




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comentários mais recentes
Anónimo 21.12.2017

Está tudo rico menos eu!!!!!

Brites_LX 21.12.2017

acordem !!
quer dizer, há estatísticas a dizer que a dívida total do País tem aumentado mas se as Famílias e Empresas devem menos então QUEM é que está a acumular dívida?!?!?!?!

fpublico condenado a 48 anos trabalho/descontos 21.12.2017

as familias dos bairros sociais e dos vigaristas não devem nada. Teem casas a custa dos meus impostos, são uns xulecos

Anónimo 21.12.2017

so get ready to start the other way around

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