Política Escalões de IRS e reforma da floresta aquecem “rentrée”

Escalões de IRS e reforma da floresta aquecem “rentrée”

António Costa deixou em Faro a promessa de aumentar os escalões de IRS para beneficiar as famílias de mais baixo rendimento. Passos Coelho acusou o primeiro-ministro de "caça ao voto". Florestas foram também pomo de discórdia.
Escalões de IRS e reforma da floresta aquecem “rentrée”
André Veríssimo 27 de agosto de 2017 às 21:45

A descida das temperaturas um pouco por todo o país não arrefeceu o fim-de-semana político. Faro, Vila Real e Lisboa serviram de palco a um fim-de-semana já a cheirar a "rentrée" marcado por acusações entre António Costa e Pedro Passos Coelho, com dois temas a marcarem o discurso: impostos e florestas.

O secretário-geral do PS subiu ao palco do já habitual comício de "rentrée" do partido, na capital algarvia, para deixar boas novas a alguns contribuintes: "Nós vamos melhorar a progressividade do IRS, vamos aumentar os escalões do IRS, para que quem ganhe menos pague menos". Além de prosseguir com a "trajectória de controlo do défice", o primeiro-ministro prometeu no sábado que o próximo Orçamento do Estado trará mais investimento para a Saúde e a Educação.


A resposta do líder do PSD chegou na tarde de domingo. A propósito do aumento dos escalões de IRS, Pedro Passos Coelho acusou, segundo a Lusa, o primeiro-ministro de "fazer demagogia, propaganda e populismo", no que chamou de "caça ao voto" antes das autárquicas. Desafiou ainda António Costa a aliviar a carga fiscal sobre "os escalões que existem", em vez de criar novos.

Já a presidente do CDS-PP afirmou no sábado, a propósito dos números do défice que "não houve nenhum virar de página na austeridade", repetindo a ideia de que o Governo "tirou com uma mão, deu com a outra".

Em tempo de negociações para o Orçamento do Estado de 2018, o tema dominou o Fórum Socialismo 2017, do Bloco de Esquerda, com a coordenadora do partido a deixar no domingo recados ao PS e ao Governo. "Nós não vamos gerir o que já foi feito, vamos fazer o que falta fazer e o que nos comprometemos a fazer quando fizemos os acordos em Novembro de 2015", afirmou Catarina Martins, citada pela Lusa. "No próximo Orçamento do Estado nós vamos estar a discutir escolhas, muito mais do que restrição", avisou.

E o PS está disposto a escutar, por muitos anos. No mesmo Fórum, o deputado João Galamba veio reiterar a disposição do partido para prosseguir com a experiência da "geringonça", quase desejando que o PS não tivesse maioria absoluta nas próximas eleições.

Nem só de impostos se fez o fim-de-semana político. A reforma da floresta foi tema quente. Em Faro, António Costa acusou Passos Coelho e Assunção Cristas de nada terem feito pela floresta quando estiveram no Governo: "foi preciso chegar a tragédia". O líder do PSD ripostou no domingo que "nem uma tragédia como a de Pedrógão deu sentido de Estado e seriedade política ao primeiro-ministro".

A "rentrée" política prossegue esta semana com a Universidade de Verão do PSD, onde o ex-Presidente da República Cavaco Silva será cabeça de cartaz. 



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