Espanha estará a negociar linha de crédito de emergência (act.)
19 Junho 2012, 10:36 por Eva Gaspar | egaspar@negocios.pt
Enviar por email
Reportar erro
0
Subida vertiginosa das taxas de juro espanholas apressou a montagem de um "plano B". Contornos da linha de crédito poderão ser ultimados nesta sexta-feira. Rajoy critica que empréstimo à banca tenha de ser contabilizado na dívida pública. "Foi tremendamente danoso".
A mini-cimeira, que terá lugar nesta sexta-feira em Roma e que será reservada aos líderes das quatro maiores economias do euro, deverá afinar um roteiro, com medidas de curto, médio e longo prazo, com vista a enquadrar uma reforma de fôlego da arquitectura da união monetária que desejavelmente dará garantias firmes aos investidores sobre a perenidade do euro.

Mas o encontro entre o italiano Mário Monti, a alemã Angela Merkel, o francês François Hollande e o espanhol Mariano Rajoy, que precede a cimeira europeia de 28 de Junho, deverá ser dominado pela necessidade de responder aos problemas mais urgentes: o financiamento imediato do Estado espanhol e, numa segunda linha, também do italiano, com o desenho de um "plano B" para socorrer Madrid e/ou Roma caso os dois pesos pesados do euro se vejam impossibilitados de se financiar nos mercados.

A notícia está a ser avançada pelo “El Economista”, site espanhol de informação económica, segundo o qual do encontro deverá sair um compromisso mais firme sobre como Espanha poderá aceder a uma linha de liquidez assegurada pelos fundos europeus (FEEF/MEE), inaugurando assim uma outra modalidade de assistência europeia necessariamente mais “light”.

Os fundos europeus de resgate, depois dos programas de assistência a Portugal, Irlanda e Grécia, terão neste momento menos de 500 mil milhões de euros à sua disposição, aos quais se terão de retirar os 100 mil milhões de euros prometidos para a recapitalização da banca espanhola. Valores que tornam impossível um resgate puro e duro de Espanha, sobretudo quando ao virar da esquina poderá estar a necessidade de socorrer também Itália.

Os fundos de socorro do euro (FEEF/MEE) estão desde o início do ano autorizados a conceder linhas de crédito de emergência a países a quem os investidores reclamem juros proibitivos ou destinadas à recapitalização de bancos. O primeiro expediente, que exige também uma “estrita condicionalidade” como os programas de assistência puro e duros, nunca foi usado. O segundo foi prometido há menos de duas semanas para a banca espanhola, tendo sido seguido de uma reacção nervosa dos mercados, que estão agora a castigar as condições de financiamento do Estado espanhol.

As taxas de juro associadas ("yields") aos títulos de dívida a dez anos quebraram ontem a fasquia de 7%, que, para Grécia, Irlanda e Portugal, significaram o ponto de não-retorno em direcção a um pedido de ajuda externa. O Tesouro espanhol colocou esta manhã 2,4 mil milhões de euros em dívida a doze meses prometendo uma rendibilidade de 5,074% na maturidade, bem superior aos 2,985% que resultaram do anterior leilão comparável e já acima do que Portugal prometeu pagar (3,85%) para se financiar a doze meses num leilão realizado no início deste mês.

A degradação das condições de financiamento do Estado espanhol sucede após 14 semanas de ausência do BCE no mercado secundário de dívida, sendo que vários analistas antecipam a inevitabilidade de uma nova intervenção da autoridade monetária para fornecer algum alivío às taxas espanholas.

De bestial a besta

A origem desta renovada vaga de nervossismo tem sido localizada na falta de detalhe e nos impactos orçamentais da promessa de ajuda europeia à recapitalização da banca. A este propósito, Mariano Rajoy terá criticado, e ferozmente, as condições subjacentes ao empréstimo, depois de ter apresentado publicamente como uma grande vitória negocial do seu governo a linha de crédito que será concedido pela Europa ao Estado espanhol (a taxas em torno de 3-4%) para que este empreste depois à banca (a taxas em torno de 8,5%).

Segundo vários meios de comunicação espanhóis, que citam fontes que estiveram presentes na reunião do G20, que ainda decorre em Los Cabos (México), Rajoy terá sido muito enfático na crítica que fez, à porta fechada, aos efeitos “extremamente danosos” decorrentes de o empréstimo à banca espanhola ter de ser contabilizado na dívida pública do país, vinculando o risco bancário ao risco soberano.

Esse argumento tem sido recorrentemente usado por Espanha, França e Itália, mas também pelo FMI e mais recentemente pela Comissão Europeia, para defender a possibilidade de os fundos europeus poderem emprestar directamente a bancos, sem passar pela intermediação dos respectivos Estados. A Alemanha tem liderado a ala de países que recusa esta injecção directa, mas é provável que este passo venha a ser contemplado na proposta de união bancária que será integrada no roteiro de aprofundamento orçamental e político da Zona Euro, a ser discutido na cimeira de 28 e 29 deste mês.

Enviar por email
Reportar erro
0
pesquisaPor tags:
alertasPor palavra-chave: