Banca & Finanças Esquerda quer nacionalizar Novo Banco. Mas será que falam todos da mesma coisa?

Esquerda quer nacionalizar Novo Banco. Mas será que falam todos da mesma coisa?

O processo de venda do Novo Banco ainda decorre, mas a hipótese de nacionalização ganha força entre os partidos que apoiam o Governo. Porém, PS, Bloco e PCP defendem formas diferentes para o fazer.
Esquerda quer nacionalizar Novo Banco. Mas será que falam todos da mesma coisa?
Miguel Baltazar/Negócios
Marta Moitinho Oliveira 11 de janeiro de 2017 às 12:46
A nacionalização do Novo Banco ganha adeptos entre as forças políticas que apoiam o Governo de António Costa na Assembleia. No entanto, os partidos da esquerda parlamentar não defendem exactamente o mesmo tipo de nacionalização. Para o PS o que importa é falar em nacionalização, sem definir se é temporária ou definitiva. Mas para o Bloco e o PCP o banco que resulta do fim do BES tem de ficar nas mãos do Estado para sempre.

"A questão aqui não é saber se a nacionalização é definitiva ou temporária", disse o porta-voz do PS, João Galamba, no Fórum da TSF que esta manhã discutiu a possibilidade de o Novo Banco ser nacionalizado. 

Galamba defende que o banco não seja vendido nesta fase, já que o Estado não deve aceitar propostas "ruinosas". As ofertas que estão em cima da mesa - da Lone Star e do consórcio Apollo/Centerbridge - prevêem que o Estado dê uma garantia para vender o Novo Banco a privados.
 
"O que é importante é dizer que é uma nacionalização", acrescenta o deputado socialista, que nos últimos dias tem defendido activamente que esta venda não aconteça e que o banco fique na esfera pública. "
Vender ou não vender é uma discussão independente", explica na TSF, adiantando ser necessário "retirar o estatuto de banco transitório".


O objectivo é "ganhar tempo" para resolver problemas do Novo Banco que são comuns ao sistema financeiro e que passam pelo crédito malparado e definir uma estratégia para valorizar este activo, argumenta o socialista.

No entanto, para o Bloco e PCP a nacionalização que assumem é para sempre. No mesmo programa da TSF, Mariana Mortágua questionou a vantagem de nacionalizar o Novo Banco para mantê-lo por dois ou três anos para depois o vender. 

A deputada do Bloco defendeu que o Novo Banco deve ficar nas mãos do Estado mas de forma separada face à Caixa Geral de Depósitos (CGD). 

"Temos a Caixa e temos o Novo Banco que tem um perfil diferente mais virado para as empresas", afirmou, acrescentando que "há interesse para o Estado em manter os dois de forma separada". Por uma questão de "interesse público".

Miguel Tiago, deputado comunista, alinha pelo mesmo argumento. O Novo Banco "devia passar a ser um banco público" e "não é só" por uma questão contabilística, frisou. O deputado comunista acrescenta motivos "políticos" para garantir o financiamento da economia. 

"No início do próximo mês será debatido e votado no Parlamento o projecto do PCP" que recomenda ao Governo a nacionalização do Novo Banco. O objectivo é que o Novo Banco ajude a financiar a economia de forma "autónoma" face à Caixa. "Não é para ser um departamento da Caixa", frisa.

Parlamento debate nacionalização no início de Fevereiro 

Questionado sobre se o PCP admite deixar cair a ideia de ser uma nacionalização definitiva para ter os votos do PS, o deputado comunista destaca que a palavra definitivo não está no diploma, apesar de ser essa a ideia. 

"Se houver uma nacionalização temporária estamos a falar de prolongar a actual situação", diz, acrescentando que será fazer o mesmo que foi feito com o BPN, nacionalizado em 2008, no âmbito da crise financeira mundial.

"Se aplicarmos essa estratégia ao NB estamos a aplicar uma falsa nacionalização", defende, argumentado que uma venda mais tarde será sempre por uma "
bagatela face ao que estado lá pôs". Em 2014, o Governo de Passos Coelho criou o Novo Banco como banco transição, depois do fim do BES. O Fundo de Resolução injectou no Novo Banco 4,9 mil milhões de euros.

Segundo Miguel Tiago, se é para nacionalizar para depois vender a privados o banco já com os problemas resolvidos não. "Tanto quanto me lembro [o projecto de resolução] não tem a palavra definitivo mas é nesta perspectiva que foi apresentado." Este projecto foi entregue em Fevereiro de 2016, mas só um ano depois vai ser debatido e votado. Essa discussão ainda não tem data marcada.   

O porta-voz do PS não quis assumir posição sobre o projecto do PCP, dizendo que o assunto ainda não foi decidido na bancada parlamentar socialista. 

Quais os cenários para o Novo Banco

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mais votado Ciifrão 11.01.2017

Os gerigonços devem pensar que o dinheiro nasce nos bancos, como aquela história do homem que tinha uma galinha que punha ovos de ouro: matou-a porque não lhe chegava um ovo por dia. A ganância é má conselheira.

comentários mais recentes
Nitrato de escarreta 11.01.2017

Não eram os geringonços que tinham a solução para tudo e todos ? Inteligentes da treta.

JCG 11.01.2017

A solução é óbvia: não são os outros bancos, todos os bancos, que estão a arder com o caso BES/ NB?

Então o Governo que entregue as ações do NB a todos os outros bancos na proporção em que estes participam no fundo de resolução.
Quem paga que fique com os salvados para ver se recupera alguma coisa.
Suponho que os outros bancos - acionistas do NB - teriam todo o interesse em que o NB fosse bem gerido e poderiam futuramente vender em bolsa as suas ações (depois de terem pago a sua parte da dívida ao Estado referente aos 3,9 mil milhões).

Anónimo 11.01.2017

Tudo simples, o NB é absorvido pela CGD, com ativos e passivos, passa-se a ganhar de imediato na dispensa dos chefões.
O glorioso nomeado para a CGD que se desembrulhe!
Mas neste País só se pensa em lugares de chefia, se dividissem a metade que na banca que no Estado, todos estariamos melhor.

Paulo Belchior 11.01.2017

A geringonça vai toda de lado e a trabalhar a três cilindros quase sem gasolina, mas estar no poder aparentemente e muito bom, comese uns sapos gigantes mas lá vai indo

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