Conjuntura Estado força subida do peso do endividamento da economia nacional

Estado força subida do peso do endividamento da economia nacional

O peso do endividamento nacional na economia subiu do final de Março para Junho, puxado pela dívida pública. Face há um ano, peso do endividamento caiu, puxado exclusivamente pelo sector privado.
Estado força subida do peso do endividamento da economia nacional
Reuters
Rui Peres Jorge 22 de agosto de 2017 às 12:18
O peso do endividamento do sector não financeiro (famílias, empresas e Estado) na economia nacional subiu de 385,1% no final do primeiro trimestre para 385,9% do PIB em Junho (de 718,3 mil milhões para 726 mil milhões de euros), revelam dados do Banco de Portugal publicados a 22 de Agosto.

A evolução reflecte um aumento moderado da dívida privada nestes três meses (de cerca de mil milhões de euros, para 408,3 mil milhões de euros, ou 217% do PIB), que assim cresceu menos que o rendimento nacional e perdeu peso no PIB; reflecte igualmente o aumento significativo de 6,7 mil milhões de euros no endividamento do sector público entre Março e Junho, para 317,7 mil milhões de euros, ou 168,9% do PIB.

Esta é a tendência de contenção privada e agravamento público que, de resto, tem marcado a evolução deste ano, revela o Banco de Portugal na sua análise aos dados.

"Em relação ao final de 2016, o endividamento do sector não financeiro aumentou 10,9 mil milhões de euros, dos quais 9,9 mil milhões de euros respeitavam ao sector público e 1,0 mil milhões de euros ao sector privado", lê-se na nota divulgada à imprensa.

O banco central explica que "o acréscimo do endividamento do sector público deveu-se, sobretudo, ao aumento do financiamento concedido pelo sector residente, com destaque para o sector financeiro (6,5 mil milhões de euros) e para os particulares (2,3 mil milhões de euros)", sendo que "o financiamento do sector público junto de não residentes diminuiu 1,5 mil milhões de euros", para o que contribuiu o pagamento antecipado de dívida ao FMI.

Focando no sector privado, o Banco de Portugal destaca o esforço de desalavancagem das famílias: "A evolução do endividamento do sector privado reflecte, sobretudo, o acréscimo do endividamento das empresas privadas (1,3 mil milhões de euros), com destaque para o aumento de 3,5 mil milhões de euros do financiamento obtido junto de não residentes, parcialmente compensado pelo decréscimo do crédito concedido às empresas privadas pelo sector financeiro e outros sectores residentes", lê-se na análise, que dá conta de uma redução do endividamento dos particulares "de 0,3 mil milhões de euros, principalmente o obtido junto do sector financeiro".

Peso da dívida cai no último ano, puxada pelo sector privado

Os dados do banco central mostram que, num ano o endividamento das famílias, empresas e Estado aumentou de 716,5 mil milhões para 726 mil milhões de euros, o que traduz uma taxa de crescimento inferior à rendimento gerado pelo país, o que permitiu uma redução do peso da dívida na economia de 393,2% do PIB para 385,9% do PIB. A queda de quase sete pontos em doze meses é explicada em exclusivo pelo sector privado.

"No final do primeiro semestre de 2017, o endividamento do sector não financeiro situou-se em 726,0 mil milhões de euros [385,9% do PIB], dos quais 317,7 mil milhões [168,9% do PIB] referentes ao sector público e 408,3 mil milhões ao sector privado [217% do PIB]", lê-se na nota publicada pelo banco central.

Os valores comparam com um endividamento total de 716,5 mil milhões de euros (393,2% do PIB) no final de Junho de 2016, que se repartia entre 306,2 mil milhões de euros (168% do PIB) do sector público, e 410,3 mil milhões (225,2% do PIB) do sector privado.

Os números traduzem uma dinâmica de redução do peso endividamento na economia portuguesa explicada exclusivamente pelo contributo do sector privado. Da queda de 7,3 pontos percentuais no endividamento total (de 393,2% para 385,9% do PIB), as famílias e empresas contribuíram com uma redução de 8,2 pontos (traduzindo um recuo de cerca de dois mil milhões de euros), enquanto o Estado agravou este rácio em 0,9 pontos (traduzindo um aumento de cerca de 11,5 mil milhões de euros).



A sua opinião44
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 4 semanas

Muito sinceramente, já estou saturado de andar a sustentar despesas completamente desnecessárias do e no Estado.
Baixem mas é os impostos directos e indirectos.

comentários mais recentes
pertinaz Há 4 semanas

CONCORDO
QUEM PODE QUE TIRE O DINHEIRO DE PORTUGAL

vendedores de ilusões e fantasia Há 4 semanas

Emigra tu para a Coreia do Norte! É o lugar perfeito para comunas como tu! Cá só andas a estorvar e a contrair Dívida! É só para isso que servem! Vai contrair Dívida para outro continente! Baza!

The sky Há 4 semanas

O céu é o limite

Anónimo Há 4 semanas

Há que "mamar" agora o maximo porque quando isto rebentar todos pagam. Só se safam os das offshore.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub