Mundo Estados árabes exigem ao Qatar fecho da Al Jazeera e redução de relações com o Irão

Estados árabes exigem ao Qatar fecho da Al Jazeera e redução de relações com o Irão

Quatro estados árabes sunitas fizeram um ultimato ao Qatar em que apresentam uma lista de 13 exigências ao país, a cumprir no prazo de 10 dias, entre as quais o encerramento da Al Jazeera e a redução dos laços com o Irão.
Estados árabes exigem ao Qatar fecho da Al Jazeera e redução de relações com o Irão
David Santiago 23 de junho de 2017 às 17:38

Depois de no início deste mês um conjunto de países árabes de maioria sunita ter cortado relações com o Qatar, num processo liderado pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, esta sexta-feira, 23 de Junho, quatro desses estados apresentaram um ultimato a Doha.

 

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egipto e o Bahrain fizeram uma lista com 13 exigências que querem ver cumpridas no período de 10 dias para que sejam normalizadas as relações com Doha. Entre as principais exigências constam o encerramento da estação televisiva de notícias Al Jazeera, a diminuição dos laços diplomáticos que ligam o país ao Irão, o encerramento de uma base militar turca localizada no Qatar, o corte de relações com organizações extremistas, o cessar de interferências nos assuntos domésticos e de concessão de nacionalidade aos cidadãos daqueles quatro estados.

Citada pela CNN, a Al Jazeera, que constitui o principal órgão noticioso do mundo árabe, já reagiu dizendo que qualquer pedido no sentido do encerramento da estação representa uma tentativa de acabar com a liberdade de expressão na região.

 

No passado dia 5 de Junho, várias nações árabes cortaram relações diplomáticas com o Qatar (e também comerciais através do corte das ligações por ar, terra e mar ao país) acusando Doha de apoiar o terrorismo e de contribuir para desestabilizar a região, designadamente apoiando grupos sectários e, ou, terroristas como a Irmandade Muçulmana, o Daesh, a al-Qaeda ou o Hezbollah. Acusações classificadas pelo Qatar como "injustificadas".

 

Apesar de não ter ainda reagido à revelação do ultimato, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, afirmou esta segunda-feira que Doha não iniciaria negociações com aqueles países árabes antes de as medidas adoptadas contra o Qatar serem levantadas.

A Time escreve que o ultimato prevê que se o Qatar aceitar cumprir as exigências feitas, terá também de ser inspeccionado uma vez por mês no primeiro ano e, depois, uma vez por trimestre no segundo ano. Nos restantes 10 anos o  cumprimento das exigência pelo Qatar seria monitorizado anualmente.
 

A lista de exigência foi entregue ao Qatar pelo Kuwait, país que assumiu o papel de intermediário entre Doha e as restantes capitais, de acordo com uma informação avançada pela Al Jazeera. Em relação à exigência feita acerca da base turca, o ministro turco da Defesa, Fikri Isik, já avisou que a Turquia não tem qualquer intenção de encerrar a sua base militar no Qatar.

 

Apesar de tanto o Qatar como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos viverem sob regimes monárquicos fortemente ortodoxos e de serem maioritariamente sunitas, Doha é vista com grande desconfiança devido às ligações com o Irão (xiita) e também com Israel.




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comentários mais recentes
Jose 23.06.2017

Sim... O que mais se vê por aí, especialmente na Europa, são ataque de grupos influenciados pelo islamismo xiita, i.e Irão... Isso são fake news.É sim a arabia saudita, e o seu financiamento á ideologia de wahabismo, e principalmente as grandes potencias mundiais como os EUA e UK, que os ajudam

Conselheiro de Trump 23.06.2017

Se eu fosse ao Qatar dizia-lhes:olha ido-vos (A)Qatar de pulgas,nao o fazendo,os 4 vao querer empoleirar-se mais em cima.Parece que ja estou a ver o filme.

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