Mundo Estas cidades fazem as casas de Nova Iorque parecerem baratas

Estas cidades fazem as casas de Nova Iorque parecerem baratas

Agora que as pessoas no mundo inteiro estão a mudar-se para as cidades e à procura de casa, há uma coisa clara: a maioria terá dificuldade em encontrar um lugar para mudar.
Estas cidades fazem as casas de Nova Iorque parecerem baratas
Bloomberg 29 de outubro de 2017 às 15:00

O rendimento líquido mensal não chega para cobrir o custo de comprar uma residência de aproximadamente 90 metros quadrados nem de arrendar uma casa de três quartos em nenhuma das 105 regiões metropolitanas classificadas pelo Bloomberg Global City Housing Affordability Index – tendo em conta uma regra geral entre os bancos dos EUA de que não se deve gastar mais de 28% dos rendimentos em habitação. Apenas 12 cidades seriam consideradas acessíveis se o gasto fosse de 50%.

Os moradores enfrentam muitos obstáculos, como regulamentos de utilização do terreno urbano, mercados de arrendamento subdesenvolvidos e dificuldade para obter financiamento, de acordo com Enrique Martínez-García, economista sénior de pesquisa da Reserva Federal de Dallas, EUA, que estuda preços de moradias. Em termos de políticas, não há soluções claras para esses problemas, acrescenta.


"Não ter acesso a crédito é um obstáculo para desenvolver um mercado imobiliário saudável", disse. "Mas abri-lo rápido demais também pode ser um problema. Poderia levar a uma situação de ascensão e queda."


O índice da Bloomberg calcula a acessibilidade de arrendar ou comprar em centros urbanos e subúrbios. As classificações baseiam-se em dados declarados pelos participantes, como salário líquido e taxas de juros do crédito à habitação, e compilados pela Numbeo.com, uma base de dados online de estatísticas sobre cidades e países.


Desde 2012, 48 cidades do índice Bloomberg tornaram-se menos acessíveis e em 51 a acessibilidade melhorou (não há dados históricos disponíveis para as 105 cidades). Em nove das 10 últimas, o rendimento líquido médio caiu, ao passo que em oito das 10 primeiras cidades o rendimento aumentou e os custos de arrendamento e o crédito à habitação diminuíram.





As economias emergentes actualmente são as menos acessíveis em termos de habitação, lideradas por Caracas e Kiev na Ucrânia. Entre as outras 20 últimas cidades, há sete na Ásia (quatro são chinesas) e seis na América Latina.


No Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, o rendimento líquido mensal médio de 640 dólares não consegue pagar uma renda nem mesmo nos arredores da cidade, e muito menos fornece os meios para comprar uma casa ou um apartamento no centro da cidade, onde as prestações mensais do crédito à habitação se aproximam dos 2 mil dólares. Tal contribui para a existência de famílias com múltiplas fontes de rendimento e também pode explicar por que mais de um em cada cinco habitantes do Rio moravam em favelas em 2010, segundo os dados mais recentes disponíveis. Seis das 10 cidades que registaram a maior degradação neste índice nos últimos cinco anos estão na América Latina.




Sete das 10 cidades mais acessíveis estão na América do Norte: quatro nos EUA e três no Canadá. A região metropolitana menos acessível entre estes dois países é Vancouver, onde um fluxo de dinheiro estrangeiro provocou um aumento dos preços das casas. Nova Iorque ficou perto do meio do índice.




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comentários mais recentes
Anonimo Há 3 semanas

Os centros das cidades só estão acessíveis aos detentores de corrupção ou saídos de euromilhões . Lisboa que tantos criticam era a cidade da europa até há 10 anos onde no seu centro mais habitantes tinha da classe baixa porque as rendas estavam congeladas há 50 anos e nessa época não havia propried