Saúde Estrutura portuária antiga atrasa hospital CUF Tejo

Estrutura portuária antiga atrasa hospital CUF Tejo

As obras do novo hospital CUF Tejo, em Alcântara, Lisboa, vão derrapar por alguns meses. A descoberta de uma estrutura portuária antiga nos terrenos leva a José de Mello Saúde a prever inaugurar a obra apenas em 2019.
Estrutura portuária antiga atrasa hospital CUF Tejo
ERA Arqueologia

O novo hospital do grupo José de Mello Saúde, CUF Tejo, vai ser inaugurado alguns meses mais tarde do que o que estava inicialmente previsto. A nova unidade hospitalar, que está a ser construída num terreno em Alcântara conhecido como "triângulo dourado", tinha abertura prevista para o segundo semestre de 2018. Porém, a descoberta de uma antiga estrutura portuária no local, associada a uma antiga doca militar, vai obrigar a atrasar a inauguração para o primeiro semestre de 2019.

Fonte oficial da José de Mello Saúde confirma que o "ritmo da obra" teve de ser ajustado aos "necessários procedimentos de preservação deste achado". "Foi cuidadosamente avaliado, catalogado e recolhido por uma equipa de arqueólogos", explica. Esses procedimentos levarão o hospital a ficar concluído "poucos meses depois do inicialmente previsto".

De acordo com a informação divulgada na página de Facebook da ERA Arqueologia, a empresa que está a trabalhar no local, em causa está uma "estrutura portuária inédita tipo ‘molhe’. Surge associada a uma antiga doca militar, também ela descoberta nestas escavações." Numa outra publicação, a empresa adianta que se trata de uma estrutura do século XVII, que estaria associada ao antigo Forte do Sacramento ou da Alfarrobeira.

[Foi ajustado o] ritmo da obra aos necessários procedimentos de preservação deste achado. A obra estará concluída no primeiro semestre de 2019. fonte oficial
José de Mello Saúde

E o que se vai fazer com esta estrutura? Para já, pondera-se integrá-la no novo hospital, garante a José de Mello Saúde. "A possibilidade de integração no projecto" está a "ser estudada por uma equipa técnica em coordenação com a Direcção-geral do Património Cultural  (DGPC)", informa a José de Mello Saúde, embora sem detalhar em que área em específico. "Ainda estamos numa fase de estudo", diz.

Questionada pelo Negócios, a  ERA Arqueologia remeteu explicações para o  gestor do projecto, que por sua vez encaminhou o pedido para a José de Mello Saúde. Esta última sublinhou que a DGPC é a entidade que melhor pode responder sobre a relevância do achado, mas não foi possível entrar em contacto com esta entidade em tempo útil.

O terreno onde vai nascer o  hospital CUF Tejo localiza-se entre a Avenida 24 de Julho, a Avenida da Índia e a Rua de Cascais, numa área de 21 mil metros quadrados. A José de Mello Saúde comprou o terreno em hasta pública à Câmara de Lisboa, em 2015, por 20,3 milhões de euros.

A construção do hospital vai implicar uma complexa intervenção urbanística na zona, que, de acordo com o Público, passará pela construção de um jardim, a requalificação da passagem pedonal entre a linha de Cascais e a Avenida de Brasília e ainda o desvio do trânsito da Avenida da Índia.

O objectivo, escreveu o diário em 2016 com base em informação camarária, é "eliminar progressivamente o trânsito até ao Cais do Sodré, reduzir o perfil da Avenida da Índia a um único sentido e acomodar duas vias no sentido de saída da cidade (Belém)".

Investimento de 100 milhões

O novo hospital CUF Tejo vai mobilizar um investimento de 100 milhões de euros do grupo José de Mello Saúde, que pretende transferir para esta unidade o actual hospital CUF Infante Santo. A nova unidade de saúde, que deverá agora abrir no primeiro semestre de 2019, vai ter 10 pisos, 100 gabinetes de consulta, 60 gabinetes de exames e tratamentos, 11 salas de bloco e ainda 200 camas de internamento geral e 14 de cuidados intensivos. Quando apresentou esta nova unidade, em Novembro de 2015, a José de Mello Saúde afirmou que ela estará focada nas chamadas "doenças do futuro", apostando em áreas como oncologia, neurociências, cardiovascular ou oftalmologia.




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mais votado IS 11.05.2017

A Arqueologia não provoca atrasos porque a valorização e conservação de sítios arqueológicos é sempre importante!

comentários mais recentes
Bri 14.05.2017

Que título mais triste, que forma de colocar a questão tão pré-historica. Numa Lisboa que se diz a cidade dos descobrimentos e grande cidade cultural não aproveitar estes vestígios e outros que pela cidade se encontram é que é um atraso. Comecem a ter outra visão, uma visão consciente e patrimonial

Paulo Abreu 11.05.2017

Os achados arqueológicos são património de todos, porque irrepetíveis, representando, neste caso, um período da história nacional ligado à expansão, e como tal de interesse universal. É bom que todos entendamos esta realidade, sob pena de continuarmos culturalmente na cauda da Europa.

IS 11.05.2017

A Arqueologia não provoca atrasos porque a valorização e conservação de sítios arqueológicos é sempre importante!

IS 11.05.2017

A valorização e conservação de sítios arqueológicos é sempre importante.

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