Américas EUA estudam acção contra a China por causa da propriedade intelectual

EUA estudam acção contra a China por causa da propriedade intelectual

O clima de amizade entre Washington e Pequim pode estar em vias de sofrer um revés. Os Estados Unidos estarão a estudar actuar sobre o regime de propriedade intelectual vigente na China.
EUA estudam acção contra a China por causa da propriedade intelectual
Reuters
Ana Laranjeiro 02 de agosto de 2017 às 13:12

Donald Trump ameaçou durante a campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas impor tarifas elevadas às importações chinesas. Depois da tomada de posse, convidou o presidente chinês Xi Jinping, para a sua residência da Flórida, um encontro que pareceu decorrer num tom amistoso.

Mas agora a situação pode estar a mudar de figura e as ameaças poderão transformar-se em acções. O Financial Times (FT) avança que a administração Trump está a considerar tomar a sua primeira grande acção em termos comerciais contra a China. Os funcionários da Casa Branca estarão mesmo a desenvolver "discussões sérias" sobre actuar em relação ao regime de propriedade intelectual, aplicado a empresas estrangeiras que obriga a que estas companhias transfiram a tecnologia para subsidiárias locais ou para parceiros locais.

Este movimento, descrito pelas pessoas com conhecimento do mesmo, citadas pelo jornal, abordaria uma das principais preocupações das empresas norte-americanas e europeias que operam na China.

De acordo com os planos que estão a ser debatidos, em cima da mesa poderá estar a possibilidade de a administração norte-americana usar o estatuto de 1974, mais concretamente a "section 301" que permite que os presidentes norte-americanos apliquem taxas aos produtos estrangeiros, como forma de retaliação para com países que consideram ter práticas comerciais injustas.


Esta medida não é usada desde 1995, quando foi criada a Organização Mundial do Comércio, refere o FT. Antes de ter sido criada esta organização, esta era uma das ferramentas que os Estados Unidos usavam nas batalhas comerciais.

Fontes do jornal, alertam que, apesar de poder ser anunciada esta semana uma medida, a Casa Branca ainda não tomou uma decisão sobre se vai impor ou não uma medida contra a China, estando a ponderar qual vai ser a forma de proceder.


A notícia sobre uma possível acção de Washington contra Pequim surge numa altura em que as críticas de Trump à China sobem de tom, muito sobretudo devido à Coreia do Norte. No passado dia 30, Trump acusou a China de inacção na Coreia do Norte. "Estou muito decepcionado com a China. Os nossos antigos líderes, ingénuos, permitiram-lhes fazer centenas de milhares de milhões de dólares por ano em comércio e, no entanto, não fazem nada por nós em relação à Coreia do Norte", escreveu na rede social Twitter.

"Não permitiremos que isto continue. A China poderia facilmente resolver este problema!", acrescentou. Trump condenou na sexta-feira, 28 de Julho, o lançamento de um novo míssil balístico pela Coreia do Norte, e garantiu que vai tomar "todas as medidas necessárias" para proteger o seu país e os aliados na região.

 

O míssil balístico intercontinental lançado pela Coreia do Norte, o segundo deste tipo em menos de um mês, é "a última acção imprudente e perigosa" do regime de Pyongyang, criticou Trump, num comunicado divulgado pela Casa Branca.

"Ao ameaçar o mundo, estas armas e testes isolam ainda mais a Coreia do Norte, enfraquecem a sua economia e sacrificam o seu povo", destacou Trump.

Em resposta, a Coreia do Sul e os Estados Unidos realizaram na sexta-feira um teste com mísseis balísticos. O Hwasong-14 voou 998 quilómetros durante 47 minutos e alcançou uma altitude máxima de 3.724,9 quilómetros antes de cair no mar do Japão, segundo os 'media' estatais norte-coreanos, uma informação que corresponde aos dados do exército sul-coreano.

A Coreia do Norte considerou o teste um êxito e garantiu que pode alcançar qualquer parte dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos enviaram também este domingo bombardeiros estratégicos B-1B para a península coreana, em resposta ao míssil intercontinental lançado pela Coreia do Norte na sexta-feira, segundo informou hoje o ministro da Defesa do Japão, que participou nestas manobras aéreas.

Entretanto a Coreia do Norte ameaçou realizar uma "acção justa e enérgica" se os EUA continuarem com a actual política militar e de endurecimento de sanções como castigo pelo míssil balístico intercontinental lançado pelo regime de Pyongyang.




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