Mundo EUA retiram 60% do pessoal diplomático da embaixada em Cuba após ataques sónicos

EUA retiram 60% do pessoal diplomático da embaixada em Cuba após ataques sónicos

O Departamento de Estado norte-americano ordenou a saída de funcionários não essenciais e das famílias de alguns diplomatas da Embaixada dos Estados Unidos em Havana. Esta decisão surge após vários sintomas detectados na sequência de ataques sónicos contra o corpo diplomático americano.
EUA retiram 60% do pessoal diplomático da embaixada em Cuba após ataques sónicos
Alexandre Meneghini/Reuters
David Santiago 29 de setembro de 2017 às 16:08

Os Estados Unidos decidiram retirar a maior parte do corpo diplomático da embaixada norte-americana em Havana, capital de Cuba. A decisão do Departamento de Estado dos EUA, adiantada pela CNN que cita duas fontes da Casa Branca, surge como resposta a uma série de misteriosos ataques sónicos contra diplomatas americanas.

 

As mesmas fontes acrescentaram que a embaixada americana em Havana continuará a trabalhar apesar do corpo diplomático ficar agora reduzido a menos de metade.

 

A ordem de regresso aos EUA decretada pelo Departamento de Estado dirige-se a 60% do pessoal diplomático em Cuba, designadamente funcionários considerados não essenciais e as famílias dos funcionários da embaixada.

 

Foi ainda decidido que a embaixada deixará, com efeitos imediatos, de poder passar vistos. As autoridades americanas revelaram que vão passar a comunicar aos turistas americanos que queiram viajar para Cuba do risco de sofrerem danos já que alguns dos ataques com ultra-sons foram feitos em hotéis.

 

Esta decisão foi tomada depois de nos últimos dias ter sido feita uma investigação exaustiva relacionada com a segurança do corpo diplomático em Havana e conversações mantidas com o governo cubano que negou qualquer envolvimento nos ataques sónicos.

 

Numa reunião que decorreu na passada terça-feira, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, ouviu o seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez, garantir que as autoridades cubanas não tiveram nada a ver com os ataques de ultra-sons contra vários cidadãos americanos. Rodríguez acusou ainda Washington de estar a instrumentalizar com fins políticos os incidentes.

 

Ainda na semana passada, Tillerson admitia que "estamos ainda a avaliar" a possibilidade de encerrar a embaixada americana em Havana, que foi reaberta no Verão de 2015 depois de cerca de 50 anos de afastamento entre os EUA e Cuba. O processo de reaproximação permitiu a Barack Obama visitar Havana em Março de 2016.

 

Desde a vitória presidencial de Donald Trump em 8 de Novembro do ano passado, os Estados Unidos têm vindo a dar sinais de que poderá estar em causa a aproximação entre os dois países, com o presidente americano a instar as autoridades cubanas a, de uma vez por todas, empreenderem reformas democráticas no país.


Até ao momento há registo de pelo menos 21 diplomatas norte-americanos e respectivos familiares com efeitos físicos provocados por ataques sónicos iniciados em Novembro de 2016. Foram detectados danos cerebrais, perdas de audição e danos no sistema nervoso central. Em Agosto, uma fonte referia à CNN a existência de cerca de 50 ataques com ultra-sons.

 

Até ao momento os EUA ainda não responsabilizaram directamente o governo cubano pela autoria dos "ataques específicos" contra diplomatas americanos, contudo responsabilizam as instituições lideradas por Raul Castro pela não garantia de segurança às embaixadas e corpos diplomáticos colocados no país.




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