Conjuntura Euler Hermes: “Portugal não resolveu o desafio de financiamento da economia”

Euler Hermes: “Portugal não resolveu o desafio de financiamento da economia”

A Euler Hermes, accionista da COSEC, espera que Portugal cresça 2,2% este ano, abaixo da previsão do FMI, mas bastante acima das expectativas do Governo. Os maiores riscos estão no sector bancário.
Euler Hermes: “Portugal não resolveu o desafio de financiamento da economia”
Nuno Aguiar 11 de julho de 2017 às 13:42

A seguradora de crédito Euler Hermes sublinha os desenvolvimentos positivos da economia e das finanças portuguesas, mas avisa que o sistema bancário continua frágil e a dívida pública demasiado elevada.

 

"Portugal ainda não resolveu o desafio de financiamento da sua economia. O seu sistema bancário é frágil, com um rácio de malparado de 19,5% e com a distribuição de crédito ainda a contrair. Apesar de terem sido dados passos de emergência, o custo do crédito para as PME continua acima dos pares europeus", pode ler-se na avaliação da accionista da COSEC.

 

Estas dificuldades de financiamento estão também na base do número elevado de falências que, depois de terem caído 23,3% em 2016, deverão continuar a recuar em 2017 e 2018. No entanto, mesmo com descidas em dois anos consecutivos, a Euler Hermes estima que as falências continuem 42% acima do nível de 2007.

 

Ainda assim, a avaliação global não é negativa. A seguradora refere que o crescimento do PIB "excedeu as expectativas" no arranque do ano, com o crescimento mais elevado desde 2007. "O comércio internacional puxou pelo crescimento. Apesar da desaceleração do consumo privado, a procura interna continuou robusta graças ao forte investimento", acrescenta. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho continua a melhorar, com uma descida da taxa de desemprego. A recuperação da produção industrial prossegue e a actividade turística dá contributos mais fortes.

 

Daqui para a frente, a Euler Hermes espera um arrefecimento do consumo, mas uma aceleração do investimento e das exportações líquidas. Prevê um crescimento do PIB de 2,2% este ano. Abaixo dos 2,5% do FMI, mas muito acima dos 1,8% que o Governo inscreveu no Orçamento do Estado. Porém, lembra que o PIB real ainda não regressou ao nível pré-crise.

 

Do lado das contas públicas, o desenvolvimento mais importante foi a saída de Portugal do procedimento dos défices excessivos. "O governo anti-austeridade conseguiu cortar na despesa corrente e no investimento público sem afectar os gastos com Segurança Social", pode ler-se no relatório. "Contudo, no médio prazo, a falta de investimento público pode afectar a qualidade dos serviços públicos e das infraestruturas, penalizando o crescimento económico."

 

E, se é verdade que o défice melhorou, a dívida continua a desapontar, sem descidas significativas num indicador que é um dos mais elevados do mundo.


Este é o resumo das forças e fraquezas identificadas pela Euler Hermes:

 

Forças

 

  • Melhorias da competitividade, graças a reformas estruturais
  • Rede moderna de infraestruturas
  • Grandes empresas com presença internacional
  • Bom desempenho de alguns sectores industriais e inovadores
  • Potencial de turismo
  • Sistema eficiente de I&D e mão-de-obra relativamente qualificada

 

Fraquezas

 

  • Dívida pública elevada, apesar de esforços de consolidação
  • Dívida privada elevada
  • Sector bancário frágil, travando o financiamento da economia
  • Taxa de desemprego alta, embora a cair



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mais votado Anónimo Há 6 dias

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

comentários mais recentes
Antonio Há 4 semanas

Com a poupança das famílias em níveis nunca vistos de tão baixos, não é possível garantir o financiamento do investimento.

Anónimo Há 5 dias

O que os bancos de retalho portugueses querem é excedentários e o valor das remunerações a dobrar para toda gente na função pública. A quem é que eles concederiam crédito à habitação e ao consumo se não fossem os beneficiários do endividamento público excessivo? Aos fazedores de smartphones, foguetões, carros eléctricos e fundos de investimento portugueses que vendem o seu produto por esse mundo fora? É que desses não há cá. Têm que se voltar sempre para o mesmo lado. O lado mais fácil que arruína com o país e é resgatado ciclicamente porque é fácil passar factura aos portugueses todos em vez de a passar só ao grupo dos responsáveis por esta situação.

pertinaz Há 5 dias

PUDERA... NÃO HÁ DINHEIRO E A ESCUMALHA ESTÁ A ESBANJÁ-LO AO MESMO TEMPO QUE IMPÕE UMA AUSTERIDADE CEGA E ASSASSINA...!!!

o BAKINTER anda de volta do BCP Há 6 dias

o BAKINTER anda a sobrevoar o MILENIUM BCP por causa do BREXIT lá na TERRA deles eles querem um porto seguro

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