Mundo Eurasia: 2018 pode ter uma "inesperada grande crise"

Eurasia: 2018 pode ter uma "inesperada grande crise"

As maiores incertezas estão relacionadas com a possibilidade de a China ocupar o lugar deixado vago pela perda de influência dos Estados Unidos, o que poderá alimentar a tensão entre as duas potências, refere a Eurasia.
Eurasia: 2018 pode ter uma "inesperada grande crise"
Reuters
Negócios com Bloomberg 02 de janeiro de 2018 às 16:12

A consultora norte-americana Eurasia, especializada em medir riscos de cenários políticos, alerta que este ano pode ocorrer uma crise geopolítica de grandes proporções, com uma escala idêntica à da crise financeira que rebentou há 10 anos.

 

Descrevendo os desafios globais como "desanimadores", a consultora refere que "se tivéssemos que escolher um ano para ocorrer uma ‘inesperada grande crise’ – o equivalente em termos geopolíticos à crise financeira de 2008 – seria 2018".

 

As maiores incertezas estão relacionadas com a possibilidade de a China ocupar o lugar deixado vago pela perda de influência dos Estados Unidos, o que poderá alimentar a tensão entre as duas potências, refere a Eurasia, referindo que tal também terá implicações na economia.

 

"Vemos uma muito maior fragmentação do mercado global pois os governos estão a tornar-se mais intervencionistas", disse o presidente da Eurasia, Ian Bremmer, numa entrevista à Bloomberg TV. "Tal deve-se em parte ao facto de a China ter um modelo alternativo para os seus investimentos e de os chineses estarem cada vez mais a ser vistos como os impulsionadores mais relevantes de outras economias, que vão assim estar mais alinhadas com Pequim do que com Washington".

 

Estas são as cinco maiores preocupações da Eurasia para 2018:

 

China 

A consolidação bem-sucedida da autoridade do presidente Xi Jinping está a contribuir para compensar o afastamento de Donald Trump do multilateralismo liderado por Washington. Em áreas como o comércio, investimento e tecnologia, a China está a definir os padrões internacionais cada vez com menos resistência.

 

"Para a maioria dos países ocidentais, a China não é um substituto apelativo", refere a Euroasia. "Mas para quase todos os outros, é uma alternativa plausível. E com Xi pronto e desejoso de oferecer essa alternativa e aumentar a influência da China, este é o maior risco para este ano".

 

Erros de cálculo 

São muitos os sítios onde um passo em falso ou um erro de cálculo pode provocar um conflito internacional sério. Ataques cibernéticos, Coreia do Norte, Síria, Rússia e o terrorismo são alguns dos riscos que podem gerar um erro que dê depois origem a confrontos.

 

"Não estamos à beira da III Guerra Mundial", diz a Eurasia. "Mas a ausência de um guardião da segurança global, e a proliferação de actores com capacidade de uma acção desestabilizadora, o mundo é agora um sítio mais perigoso".

 

Guerra fria tecnológica 

Os acelerados desenvolvimentos tecnológicos estão a remodelar a ordem política e económica, mas o processo está a ser confuso.

 

"À medida que os nossos carros, casas, fábricas e infra-estruturas pública começam a gerar montanhas de dados, e a conectividade entra na realidade aumentada, uma nova geração de humanos ‘entra na rede’ de forma contínua, o que terá importantes implicações para a sociedade e a geopolítica", refere a Eurasia. "Mas até lá chegarmos, é a maior luta mundial sobre o poder económico".

 

Irão 

As relações entre os Estados Unidos e o Irão em 2018 serão uma fonte de riscos geopolíticos e de mercado abrangentes. Se o acordo sobre o nuclear não sobreviver este ano, o Médio Oriente pode ser empurrado para uma crise real. "Mal ou bem, [Trump] vê o Irão como a raiz de grande parte do mal do mundo".

 

Proteccionismo 

O proteccionismo vai fazer novas incursões, liderado pelo populismo, capitalismo de Estado e maiores tensões geopolíticas. Os governos estão também a intervir na economia digital e indústrias inovadoras para preservar a propriedade intelectual e tecnologias relacionadas.

 

"O crescimento dos movimentos anti-sistema nos mercados desenvolvidos forçou (nalguns casos activou) os decisores políticos a mudarem para uma aproximação mais mercantilista à concorrência económica global e a tomar medidas contra a perda de postos de trabalho", diz a Eurasia. "Os muros estão a subir". 




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentários mais recentes
Antunes 02.01.2018

Análise fraquinha