Política Eurodeputados portugueses devolvem acusação de Juncker: "ridículas" são as regras

Eurodeputados portugueses devolvem acusação de Juncker: "ridículas" são as regras

Pelo menos três deputados portugueses no Parlamento Europeu já criticaram as palavras usadas por Juncker e culparam as regras que permitem o funcionamento de comissões em simultâneo com o plenário.
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Paulo Zacarias Gomes 04 de julho de 2017 às 18:29

Três dos 21 eurodeputados portugueses recusaram as acusações do presidente da Comissão Europeia - que apelidou de "ridículo" o Parlamento Europeu dada a fraca afluência de parlamentares ao plenário desta terça-feira, 4 de Julho -, dizendo que "ridículas são as regras" que permitem reuniões simultâneas e alegando que estiveram durante a manhã em trabalho.


Foi o caso de Marisa Matias, a eurodeputada do Bloco de Esquerda, que em declarações ao Esquerda.net, se queixou desde logo do pouco tempo dado ao seu grupo parlamentar – dois minutos de possibilidade de intervenção para um grupo com 51 deputados – para um "debate dito prioritário."




"O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo. Saúdo os que se deram ao trabalho de estar na sala. Mas o facto de haver só uma trintena de deputados presentes neste debate é suficientemente demonstrativo que este parlamento não é sério", disse esta manhã Jean-Claude Juncker, intervindo no primeiro debate do dia em Estrasburgo, às 09:00 (08:00 em Lisboa), e perante uma sala praticamente vazia.

"Ridículo é haver um parlamento que tenha a funcionar ao mesmo tempo que o plenário as comissões, votos em comissões, reuniões de grupos parlamentares, conferências de presidentes de comissão, de presidentes de delegação… enfim, todo o tipo de reuniões. E nós não temos o dom da omnipresença", refutou Marisa Matias, responsabilizado o Partido Popular Europeu pela aprovação de "regras de funcionamento do plenário de maneira a que possa acontecer tudo ao mesmo tempo."


"Eu estava cá às 7h30 e às 8h da manhã tive uma audiência com o vice-presidente da Comissão, o Sr. Dombrovskis. A seguir estive a negociar o parecer que elaborei sobre o combate às desigualdades na UE," justificou a deputada do Bloco.

Já a eurodeputada socialista Ana Gomes lamentou igualmente não ter tido tempo atribuído para falar no primeiro debate, afirmando ter entrado ao trabalho antes das 9 da manhã e ter acompanhado a reunião do plenário pela televisão, ao mesmo tempo que trabalhava.


"Vou a plenário PE [Parlamento Europeu] qd tenho q lá fazer/dizer. Como esta manhã,a seguir ridículo @JunckerEU," publicou a parlamentar na rede social Twitter.


Partilhando as críticas de Marias Matias, o socialista Carlos Zorrinho considerou que "’ridículo’ é marcar um debate prioritário ao mesmo tempo que decorrem reuniões de grupos de trabalho e de coordenação de comissões", argumentando que esteve "parcialmente no debate" e usou da palavra. Depois, teve de comparecer num grupo de trabalho sobre Venezuela, Cuba e Brasil, "áreas em que tenho particulares responsabilidades."



 

Falando por "todos os deputados da delegação do PS no Parlamento Europeu," garantiu que os que não se encontravam no plenário ou estavam em grupos de trabalho, em reuniões de comissões "e até num dos casos numa reunião com uma Comissária convocada pela própria".

Entretanto também José Inácio Faria, e
urodeputado do Partido da Terra e "único deputado português membro efectivo na Comissão Ambiente do Parlamento Europeu", disse em comunicado estar ausente em Londres, a participar na reunião da Organização Marítima Internacional.


Esta manhã, na introdução inicial ao debate sobre a presidência semestral maltesa (que terminou no dia 30 de Junho), Jean-Claude Juncker disse ainda que, se em vez do primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, estivesse na sala a chanceler alemã, Angela Merkel, ou o presidente francês, Emmanuel Macron, haveria "uma casa cheia," refere a Lusa.


O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu durante a sessão que Juncker tivesse um tratamento "mais respeitoso" para com os eurodeputados, argumentando que "não é a Comissão que controla o Parlamento, é o Parlamento que controla a Comissão".

Juncker deixou no entanto a garantia: "Nunca mais estarei presente numa sessão como esta."




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comentários mais recentes
eleitor 05.07.2017

O Sr. Juncker, que eu nem sempre aprovei, só lhe posso dar razão neste caso !

Que cambada 05.07.2017

Querem o ordenadao que auferem não metem lá os pés e Ainda tem o descaramento de estarem chateados Votar para europeias acabou Chulos

Anónimo 05.07.2017

Ridículos são estes sr.e sras.que muito ganham e nada fazem.

Anónimo 05.07.2017

Tavam era com eles na cama

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