Zona Euro Eurogrupo já tem valor para terceira tranche a Atenas: 8,5 mil milhões

Eurogrupo já tem valor para terceira tranche a Atenas: 8,5 mil milhões

Tal como já tinha sido hoje avançado, os ministros das Finanças da Zona Euro decidiram já o valor da terceira parcela a desembolsar à Grécia no âmbito do programa de assistência financeira.
Eurogrupo já tem valor para terceira tranche a Atenas: 8,5 mil milhões
Bloomberg

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, anunciou que os ministros das Finanças da Zona Euro, reunidos esta quinta-feira no Luxemburgo, chegaram a acordo quanto ao valor da terceira tranche a atribuir à Grécia, no âmbito do actual programa de resgate – o terceiro desde 2010: são 8,5 mil milhões de euros. 

Este valor tinha já sido avançado hoje pela Bloomberg e pela Reuters, que citavam fontes conhecedoras do processo negocial.

"Foi uma reunião crucial para o programa [de assistência à Grécia], e estou satisfeito por anunciar que chegámos a um acordo sobre todos os elementos: a condicionalidade, a estratégia a seguir para a dívida e a participação do Fundo Monetário Internacional", declarou Dijsselbloem, citado pela Lusa.

A aprovação desta nova parcela põe termo a meses de incerteza quanto à capacidade de Atenas conseguir honrar os seus compromissos de reembolso da dívida com maturidade já no próximo mês de Julho.

 

Relativamente ao alívio da dívida de Atenas – algo que o FMI tem insistido para que seja definido, condicionando a esse capítulo a sua participação no actual programa de ajuda à Grécia –, os ministros das Finanças do bloco da moeda única europeia reforçaram o seu compromisso no sentido de estender esse alívio, se necessário, avançou a Bloomberg.

 

No entanto, não deram passos definitivos, deixando em aberto essa decisão para a altura em que terminará o actual programa de resgate: em meados de 2018. Recorde-se que este programa de assistência financeira é já o terceiro e o seu prazo de vigência é de 19 de Agosto de 2015 a 20 de Agosto de 2018.

Ora, o Fundo Monetário Internacional – que tem reiterado a insustentabilidade da dívida helénica – tem condicionado a sua participação financeira a dados mais concretos sobre o alívio da dívida. Por isso, a directora-geral do Fundo, Christine Lagarde, veio já dizer em comunicado que irá propor ao conselho executivo do Fundo a "aprovação condicional" de um novo acordo de crédito contingente a Atenas, não entrando para já na assistência financeira ao país.

O FMI, que co-financiou os dois primeiros programas de resgate da Grécia, decidiu assim que só voltará a ajudar financeiramente o país quando tiver a garantia de que a dívida helénica, no valor de 315 mil milhões de euros, será sustentável, sublinha a Bloomberg.

 

O organismo presidido por Lagarde sugerirá então ao seu conselho executivo que aprove um resgate de 14 meses, que é o tempo que falta até terminar o actual programa de assistência, mas condicionará a atribuição de recursos até ao momento em que receber garantias suficientes sobre a sustentabilidade da dívida grega.

 

"Este compromisso deixa a Grécia com menos do que se pretendia. Um reconhecimento, pelo FMI, de que a dívida grega será sustentável, teria aberto caminho a que as obrigações soberanas do país pudessem ser incluídas no programa de ‘quantitative easing’ do Banco Central Europeu, o que reduziria os custos do empréstimo e facilitaria o seu regresso aos mercados", frisa a Bloomberg.

 

Sem essa aprovação do FMI, continua a ser improvável que os gregos possam ser incluídos no programa de compra de activos do BCE, acrescentou a agência noticiosa, citando responsáveis da União Europeia.

Apesar deste "revés", os ministros do euro mostraram-se satisfeitos com o acordo que foi hoje alcançado. Mário Centeno congratulou-se, tendo dito que se tratou de um "avanço muito construtivo no processo grego". O acordo de hoje é o corolário da "evolução muito positiva dos compromissos que o governo grego tem assumido e tem concretizado em termos de alterações estruturais, de reformas, de reafirmação de reformas que têm sido feitas", declarou o ministro das Finanças, citado pela Agência Lusa.


"São boas notícias para a construção da área do euro. É muito importante este avanço que hoje se deu. Vamos continuar obviamente a trabalhar todos para esse sucesso", acrescentou Centeno.

Por seu lado, o ministro luxemburguês das Finanças, Pierre Gramegna, disse que se trata de "uma decisão muito construtiva que ajudará a Grécia, também no mercado internacional, a conseguir gradualmente mais credibilidade".

Gramegna revelou-se também mais optimista do que outros responsáveis europeus quanto ao regresso de Atenas aos mercados para se financiar: "o objectivo é que a Grécia regresse aos mercados nos próximos meses ou no próximo ano", afirmou no final da reunião dos ministros do euro, citado pela Bloomberg.


(notícia actualizada às 22:16)




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mais votado Anónimo 15.06.2017

Querem ser donos de uma parte da organização sem terem que investir ou arriscar? Sindicalizem-se em Portugal, na Grécia, na Venezuela ou na Coreia do Norte, de preferência no sector público.

comentários mais recentes
Conselheiro de Trump 16.06.2017

O grego na rua pede o grexit,os do poleiro e a volta dele nem tanto,ca e exactamente o contrario.

Anónimo 16.06.2017

O governo Holandês de Mark Rutte, eleito em 2010, reduziu em 12% o número de colaboradores do sector público holandês. Não o fez por maldade ou mania. O processo está ainda em marcha, como o estará em França e tantos outros lugares. A irracionalidade, a fantasia e a manha são apanágio das forças sindicais e outros lóbis corporativos anti-mercado, anti-equidade e anti-sustentabilidade. Fê-lo com base nos mais correctos, adequados e facilmente justificáveis princípios da boa gestão moderna e da mais elementar racionalidade económica que permitem e fomentam a criação de valor. O putativo Rutte português, àquela época, poderia chamar-se José Sócrates ou Pedro Passos Coelho. Portugal teve a sua oportunidade para se modernizar e desenvolver de modo sustentável e jogou-a fora mais uma vez... Ainda vai a tempo de se redimir no todo em em parte. "Dutch to cut up to 12 percent of civil service jobs in five years" http://uk.reuters.com/article/uk-dutch-government-jobs-idUKBRE94M0N520130523

Anónimo 16.06.2017

O Jornal de Negócios, enquanto órgão de informação económica com notabilidade a nível nacional, que insista na pedagogia e no esclarecimento cabal em relação ás inevitáveis transformações urgentes que se impõem nas economias mais avançadas, às quais a portuguesa, por mais capturada e mal orientada que se afigure, não estará imune se quiser permanecer no chamado Primeiro Mundo. Na Holanda as organizações não dão guarida ao excedentarismo sindicalizado de carreira que atrasa o mais económico e eficiente progresso tecnológico, obstaculiza a justiça social, impede a sustentabilidade do Estado e enfraquece a economia por via do entorpecimento do empreendedorismo, do investimento reprodutivo e da capacidade de inovação. "Fewer people and more technology – that is the plan just announced by ING. The largest financial services company in the Netherlands is getting rid of 7,000 positions." http://www.euronews.com/2016/10/03/netherlands-bank-ing-to-cut-7000-jobs-in-digital-quest

Repentista 15.06.2017

Vou ter uma atitude brejeira
Vou sonhar com o sindicalismo
Ao capital vou por uma barreira
E abrir caminho ao socialismo

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