Finanças Públicas Europa acorda novo método de cálculo que pode reduzir dose de austeridade em Portugal

Europa acorda novo método de cálculo que pode reduzir dose de austeridade em Portugal

Já terá sido fechado um acordo sobre o novo método de cálculo do saldo orçamental estrutural. As consequências poderão ser significativas para os países que têm sofrido as recessões mais profundas, como é o caso de Portugal. Para estes, o esforço de consolidação necessário ao cumprimento do Tratado Orçamental deverá ser menor do que o até agora projectado.
Europa acorda novo método de cálculo que pode reduzir dose de austeridade em Portugal
Reuters
Eva Gaspar 20 de março de 2014 às 15:28

Os Estados-membros da União Europeia terão chegado a acordo sobre o novo método de cálculo do saldo orçamental estrutural. Este passou a ser a variável central no quadro europeu para medir os esforços de consolidação e para aferir o cumprimento do Tratado Orçamental, segundo o qual os Governos europeus devem, em regra, fazer Orçamentos equilibrados ou quase (défice estrutural não deve ser superior ao equivalente a 0,5% do PIB).

 

A informação está a ser avançada pela Dow Jones, que cita um alto responsável europeu, de acordo com o qual este consenso foi obtido ontem, quarta-feira 19 de Março, entre os representantes permanentes dos Governos europeus em Bruxelas.

 

Este acordo surge na sequência dos mais recentes resultados do grupo de trabalho que havia sido criado pela Comissão Europeia para reavaliar a mediação desta variável, que depende amplamente de uma outra ainda mais complexa: o PIB potencial.

 

Refere a agência noticiosa que o novo método é sensível às críticas, designadamente dos países mais afectados pela recessão, caso de Espanha e de Portugal, que contestavam o metodologia seguida até agora pela Comissão Europeia que assume que uma boa parte da quebra cíclica da actividade não se restabelecerá, o que resulta num PIB potencial inferior, sendo este o indicador que serve de denominador para calcular o défice estrutural.  

 

As consequências poderão, assim, ser significativas para os países que têm sofrido as recessões mais profundas. Para estes, o esforço de consolidação necessário ao cumprimento do Tratado Orçamental será menor menor do que o até agora projectado, e esse menor esforço tenderá a ser proporcional à revisão em alta que venha a ser realizada ao respectivo PIB potencial. 

 

A Dow Jones exemplifica com o caso de Espanha. Com a antiga metodologia, o país vizinho apresentaria em 2015 um défice estrutural equivalente a 5,8% do PIB e apenas em 2018 teria um défice estrutural quase nulo; agora, conseguirá ficar já em 2015 em linha  com os limites estabelecidos no Tratado (ou seja, apresentar um défice estrutural não muito distante de 0,5% do PIB). Sem quantificar, a mesma fonte refere que Portugal, Irlanda e Grécia também beneficiarão com estas alterações metodológicas.

 

(notícia actualizada às 16h10)


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mais votado Anónimo 20.03.2014

Muito bem. É assim que se negoceia com financiadores e parceiros e não na praça publica com exigências e ameaças.
Força Portugal.

comentários mais recentes
armando 21.03.2014

O nosso governo sempre a surpreender-nos, pois a ministra das finanças não tem conhecimento do que se passa na união europeia? Isto não é estranho? Então os almoços com a Merkel ´são para falar do campeonato do mundo?

Anónimo 21.03.2014

ELEIÇOES EUROPEIAS NO SEU MELHOR!!!
SÓ OS IMBECIS ACREDITAM NESTES POLITICOS MAFIOSOS.

O Milagre da Matemática ! 20.03.2014

Tudo é possível na Matemática , gestão de números , excel depende de números que a matemática lhe dá , ( alimento ) , economia só é feroz se o Homem quiser, uma questão de baptismo ou seja os vários nomes do PIB ! A dose do PIB foi implacável para os PIGS , o nome do rapaz ( o Alemão ) não era adequado , foi violento. ( violência doméstica ) quase matou a mãe ( Zona Euro ) economia , o que já todos sabiam menos a Avó Europa ( UE ) ! Com a gestão de dívida vai ter que acontecer o mesmo , se não for a bem vão ser obrigados ou adeus EURO , o pai da criança . A filha, Dívida Soberana , cresceu, ficou adulta e agora tem nova vida pela frente, é preciso tratar dela ( Casar , arranjar casa nova ) . Pode ser que assim o casamento da Europa que criou os filhos e os uniu , resista para garantir a sobrevivência dos netos, que ainda tem a seu cargo ! Sem pessoas não há economia , jamais teria existido ! Demora a concluir mas vai chegar o dia ! Se for como processos de justiça em Portugal será no mínimo ao fim de 20 anos ! Esquecem que a nossa vida é curta e passa a correr ! Génios ! ????? Pelo menos já temos vozes a levantar a questão , primeiro passo neto !

Luis 20.03.2014

Cheira a eleições por essa Europa, não? Tanta hipocrisia e cinismo de todos estes politiqueiros...Começa a caça ao voto pra evitar que os movimentos extremistas originarem uma situação gravissima na UE caso obtenham votações expressivas nos principais paises.

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