Américas Ex-banqueiro, católico e amante da natureza: a escolha de Trump para embaixador em Portugal

Ex-banqueiro, católico e amante da natureza: a escolha de Trump para embaixador em Portugal

Nomeado esta semana e ainda por confirmar no Senado, George E. Glass já esteve em Portugal pelo menos uma vez no passado. O adepto dos Portland Timbers e amante dos Eagles pode mudar-se em breve de armas e bagagens para Lisboa.
Ex-banqueiro, católico e amante da natureza: a escolha de Trump para embaixador em Portugal
DR/Twitter
Paulo Zacarias Gomes 22 de junho de 2017 às 15:50
Cinco meses depois da tomada de posse – e da saída de Robert Sherman, o representante diplomático que deixou para trás uma relação forte com Portugal – a administração de Donald Trump já indicou o nomeado para liderar o edifício na Avenida das Forças Armadas, que acolhe em Lisboa a embaixada norte-americana em Portugal.

Amante da natureza e de futebol americano, George Edward Glass, que é assim apontado como próximo inquilino do palacete do Conde dos Olivais e Penha Longa, até já esteve por Lisboa, pelo menos uma vez, há três anos. A nomeação foi conhecida ao início desta semana, mas a escolha deste empresário do Oregon, com 56 anos, ainda tem de ser confirmada pelo Senado, estando por definir a data de audição no comité de Assuntos Internacionais.

Do que publicamente se conhece da sua carreira, Glass é um ex-banqueiro de investimento que está actualmente no ramo imobiliário e com presença como administrador em universidades, tendo entretanto criado uma fundação em seu nome e no da mulher, Mary. Ao longo da última década e meia é pública a sua ligação aos republicanos, com doações para várias campanhas e candidatos do partido do elefante.

Os registos oficiais contabilizam cerca de 170 mil dólares doados pelo empresário entre 2001 e 2016 a partidos políticos e candidatos – sobretudo republicanos. A maior parte deste valor - 123.200 dólares – foi doado entre 2004 e 2016 a campanhas organizadas. Como a de John McCain em 2008 e a do actual presidente Donald Trump, à qual entregou 77.500 dólares no ano passado.

Apesar do esforço financeiro, no Oregon foi a candidata democrata Hillary Clinton a sair vencedora, com 50,1% dos votos, contra os 39% do então candidato republicano Trump. Na lista de doações conta também o apoio financeiro à campanha do lusodescendente Devin Nunes, candidato republicano pela Califórnia à Câmara dos Representantes do Congresso, onde lidera hoje o Comité dos Serviços de Informações, chamado a investigar os laços de Trump à Rússia.

Da banca para o imobiliário

O registo público da vida profissional de George E. Glass começa em 1998, quando funda em Portland, no estado do Oregon, a Pacific Crest Securities Inc., que viria a tornar-se na maior organização independente de serviços financeiros do nordeste do pacífico. O banco de investimento especializar-se-ia mais tarde no sector tecnológico e seria vendido em 2014 ao KeyCorp, ano em que Glass sai da empresa.

Meses depois, em Fevereiro de 2015, cria a MGG Development LLC em Lake Oswego, Oregon – onde reside -, uma empresa que compra e opera complexos de apartamentos e se dedica ao aluguer de casas. Esta é, actualmente, a sua ocupação profissional, tendo nos últimos anos sido administrador da universidade do Oregon, além de membro fundador da Oregon Health Sciences University Foundation.

Quase em simultâneo com a MGG Development LLC – em Novembro de 2014 -, criou também, na localidade onde vive, e com a mulher com quem é casado há mais de 30 anos a fundação sem fins lucrativos e isenta de impostos, George And Mary Glass Foundation. De acordo com os dados disponíveis, no final do primeiro semestre de operação – Novembro 2014 a Junho de 2015 – a instituição tinha recebido 200 mil dólares e, com parte desse montante, financiado as actividades de educação de várias escolas católicas da região.

Por Portugal, em 2014

"Pai, Marido, Orgulhoso de ser ambos": é a descrição que faz de si próprio no Twitter. George tem três filhos – Gordon, George e Andrew J. (este último estudante em Princeton, onde jogou futebol americano na equipa dos Princeton Tigers).

Naquela rede social - na versão aberta, que alimentou entre 2013 e 2015, já que tem uma outra conta, mas fechada -, existem pelo menos três referências ao país em que se prepara para viver nos próximos anos. Desde logo a fotografia de capa, uma imagem de George na piscina "infinita" da Quinta do Crasto, em Sabrosa – Douro, sem data conhecida.

Em Abril de 2014 esteve em Lisboa, na companhia da mulher. A testemunhá-lo, uma imagem de Mary com a baixa da capital e a ponte 25 de Abril ao fundo. E, a poucos dias do 13 de Maio, uma outra fotografia, esta tirada em Fátima, mostra uma procissão das velas, com a Basílica do Rosário ao fundo, numa das suas várias demonstrações de católico praticante.



A conta de Twitter mostra ainda outras afinidades: é adepto dos Portland Timbers - a equipa de futebol que celebra cada golo ao som do corte de um tronco de madeira com uma moto-serra e dos gritos de "cut that wood" ["corta esse tronco"] -, um amante da música dos Eagles e tem uma relação próxima com a natureza – são várias as imagens de caminhadas no Colorado, a descer rápidos ao lado do filho ou de espingarda em riste, parecendo preparar-se para caçar patos no Minnesota.


Se for confirmado pelo Senado, Glass chega ao país numa altura em que a relação entre o Velho Continente e os Estados Unidos está perturbada por episódios sucessivos. A desvinculação dos norte-americanos do Acordo de Paris, as promessas de proteccionismo, as críticas da administração Trump de subfinanciamento da NATO por parte de parceiros europeus ou de valorização artificial do euro (que puseram Donald e Merkel de costas voltadas), a que se juntou mais recentemente o adiamento da visita do presidente ao Reino Unido.

Quando aterrar em Lisboa, a base das Lajes – onde houve desinvestimento durante a era Obama, o mesmo que nomeou o antecessor Sherman na embaixada – deverá continuar a ser um dos temas principais que Glass receberá na pasta dos pendentes na relação com Portugal, numa altura em que a administração Trump se prepara para manter o efectivo militar na base dos Açores, depois de o Governo português reconhecer o interesse da China no local.

Depois da sua nomeação para ocupar o cargo deixado vago por Robert Sherman, só é conhecida uma reacção do empresário, deixada à FOX 12, afiliada da cadeia de televisão FOX, a quem disse ser com "humildade e honra" que recebe esta nomeação."

Mas do que é dado a conhecer da sua vivência pelas redes sociais, a experiência de Glass em Portugal poderá dar sequência à popularidade do seu antecessor Robert Sherman – recorde-se o entusiasmo do diplomata no apoio à selecção nacional no Euro 2016.

Mas o "day after" dependerá também de como evoluírem as relações EUA-União Europeia, esperando-se que não tenham um desfecho tão doloroso como o que foi sugerido por Glass naquele dia de 2014 em que publicou no Twitter a imagem de um balde com 11 garrafas de champanhe Don Perignon enterradas em gelo. "Festejei como as estrelas de rap esta noite. Amanhã vai doer," dizia na altura.




A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 1 hora

Amante da natureza? Tem mais ar de ser caçador, daqueles que adoram matar animais e poluir tudo com chumbo e cartuchos de plástico. Destruir não é seguramente amar.

comentários mais recentes
Luis Há 4 semanas

Vai para a tua terra

YOU ARE WELCOME Há 4 semanas

Please come to Portugal!
YOU ARE WELCOME!

Anónimo Há 1 hora

Amante da natureza com carabina, caçadeira e sabe-se lá que mais. É tão amante da natureza como os esquerdistas são amantes das pessoas quando questionam: "Então mas vamos despedir as pessoas assim sem mais nem menos mesmo que elas já não tenham desde há muito qualquer tarefa justificável a cumprir na organização que as emprega e tem remunerado? Claro que não. Aumentem-se as comissões, as contribuições e os impostos às "não pessoas" que são os clientes ou utentes da organização e os contribuintes. O nível de vida das pessoas tem que ser salvo e mantido em elevado patamar custe lá o que custar. Haja humanidade. Tenham as pessoas em consideração. As não pessoas que paguem e não bufem."

Anónimo Há 1 hora

Amante da natureza? Tem mais ar de ser caçador, daqueles que adoram matar animais e poluir tudo com chumbo e cartuchos de plástico. Destruir não é seguramente amar.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub