Ex-primeiro-ministro islandês escapa a ser o primeiro político preso devido à crise
23 Abril 2012, 15:18 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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Inocente: tribunal da Islândia considera que o antigo primeiro-ministro, Geir Haarde, não é culpado da maioria das acusações relativas à crise financeira de 2008, que levou à nacionalização de vários bancos no país. Geir Haarde só foi declarado culpado por não manter os seus ministros informados.
Geir Haarde não se tornou no primeiro político do mundo a ser preso devido ao seu envolvimento numa das mais recentes crises financeiras do globo. A decisão do tribunal especial criado para julgar membros do Executivo do país europeu foi já anunciada, e divulgada pelas agências de informação internacionais.

O político foi declarado inocente da maior parte das acusações dirigidas a si pelo exercício do cargo de primeiro-ministro islandês. As acusações estavam relacionadas com a crise financeira de 2008. Entre elas, o responsável foi absolvido da acusação de ter agido, de modo negligente, na gestão da crise. Não falhou, também, na fiscalização da estabilidade financeira da Islândia.

Contudo, numa das quatro acusações que pendiam sobre o líder do Executivo, Haarde não foi absolvido, de acordo com a leitura do veredicto do tribunal Landsdómur. O antigo primeiro-ministro islandês não mantinha os seus ministros adequadamente informados de elementos chave da gestão da crise, cita a agência Bloomberg. O responsável não será alvo de qualquer tipo de sanção por esta consideração judicial.

O político de 61 anos considerou que a decisão do tribunal não é justa. “É absurda. É óbvio que a maioria dos juízes se viram pressionados para darem um veredicto de culpado em apenas uma das questões, para salvar o pescoço dos deputados que investigaram isto”, afirmou Haarde, citado pela Reuters.

O Landsdómur, que emitiu a decisão, é um tribunal especial, estabelecido no início do século XX, cuja função é julgar casos em que os envolvidos sejam membros, actuais ou recentes, do Executivo islandês.

O primeiro-ministro que disse que o país podia viver da pesca

A investigação, iniciada em 2010, tinha como um dos principais focos de análise as poucas semanas de 2008 em que os principais bancos evitaram a falência por terem sido ajudados pelo Estado.

No início do julgamento, o antigo primeiro-ministro, actualmente com 61 anos, tinha-se declarado inocente. Haarde sempre afirmou que agiu no melhor interesse da Islândia.

No julgamento, Geir Haarde era acusado, por exemplo, de ter ignorado advertências que assinalavam a proximidade de uma crise no sistema financeiro do país.

Em Outubro de 2008, o Governo viu-se obrigado a nacionalizar os principais bancos da nação insular, de modo a evitar a ruína da banca. A Islândia teve de recorrer a ajuda externa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que não entrasse em incumprimento – um programa que começou a reembolsar, aliás, em Março passado.

Nessa altura, o então primeiro-ministro foi criticado pela declaração pública que fez, em que aconselhou os seus compatriotas a viver da pesca.

“Somos um país demasiado pequeno para sustentar um sistema bancário de tão grande dimensão”, disse Haarde. “Temos fantásticos recursos e uma abundância de energia verde e agora iremos utilizar tudo isso e os restantes recursos de que dispomos – o mar e o capital humano”, acrescentou, então.

A Islândia caiu para a pior recessão económica dos últimos 60 anos depois da nacionalização dos bancos, num momento em que o nível de desemprego disparou para um nível nove vezes superior ao sentido antes da crise.


(Notícia actualizada às 15h40 com mais informações e com novo título; Notícia actualizada pela segunda vez às 15h55)
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