Defesa Exército reforça segurança em Tancos e determina inspecções aos paióis

Exército reforça segurança em Tancos e determina inspecções aos paióis

O Exército informou este sábado que foram reforçadas as medidas de segurança nos Paióis Nacionais de Tancos e determinadas inspecções a estes paióis e aos de Santa Margarida.
Exército reforça segurança em Tancos e determina inspecções aos paióis
Marta Poppe
Lusa 02 de julho de 2017 às 12:19

Em comunicado, o Exército refere ainda que serão instaurados vários processos de averiguações e instaurado o sistema de vigilância eletrónica ainda em 2017.

Estas medidas acrescem às exonerações já anunciadas na RTP pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, de cinco comandantes de unidades do ramo para não interferirem com os processos de averiguações sobre o furto de material de guerra em Tancos.

A este propósito, o comunicado do Exército refere que estas exonerações não se encontram ligadas, nem têm qualquer associação, "a algum indício ou suspeita de envolvimento ilícito dos titulares destes cargos".

"Prende-se única e exclusivamente com a necessidade de se criarem todas as garantias de que as averiguações em curso decorrerão de forma absolutamente isenta e transparente", refere.

Os militares exonerados são o comandante da Unidade de Apoio da Brigada de Reacção Rápida, tenente-coronel Correia, o comandante do Regimento de Infantaria 15, coronel Ferreira Duarte, o comandante do Regimento de Paraquedistas, coronel Hilário Peixeiro, o comandante do Regimento de Engenharia 1, coronel Paulo Almeida, e o comandante da Unidade de Apoio de Material do Exército, coronel Amorim Ribeiro.

O comunicado do Exército informa que, por decisão do CEME, foi decidido tomar "de imediato" as seguintes medidas de reforço à segurança física dos Paióis Nacionais: aumento do número de militares envolvidos na segurança física das instalações e aumento da frequência das rondas móveis motorizadas e apeadas.

Por outro lado, a Inspecção-Geral do Exército (IGE) irá efectuar uma inspecção de segurança aos Paióis Nacionais de Tancos e de Santa Margarida.

O Exército informa ainda que serão instaurados processos de averiguações na Área Técnica (cargas e condições de armazenagem), Área de Segurança Física (intrusão) e Área do Sistema Integrado de Controlo de Acessos e Vigilância Electrónica (SICAVE).

O comunicado acrescenta que será assegurada, ainda este ano, a implementação do projecto SICAVE.

Na entrevista à RTP em que anunciou a exoneração dos cinco comandantes de unidades do ramo, o general Rovisco Duarte tinha já anunciado três processos de averiguações à segurança dos Paióis Nacionais de Tancos, a realizar pela Inspeção-Geral do Exército, no que respeita à armazenagem, à questão da intrusão, envolvendo todas as unidades, e ao sistema de vigilância.

Estas decisões foram tomadas na sequência de um primeiro relatório-síntese que lhe foi apresentado hoje à tarde, adiantou.

O responsável confirmou a relação do armamento roubado noticiada pelo DN, 44 lança-granadas, quatro engenhos explosivos, 120 granadas de mão e 1.500 munições de nove milímetros, e adiantou que o furto terá ocorrido "noite/madrugada" entre duas rondas.

O general reiterou que "pessoalmente" admite a possibilidade de ter havido fuga de informação face às "evidências" conhecidas, frisando que foram escolhidos dois paióis específicos em 20 e não eram os que estavam mais próximos da entrada.

O Exército anunciou na quinta-feira que foi detectada na quarta-feira, ao final do dia, a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois 'paiolins', tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros.

Na sexta-feira, o Exército acrescentou que entre o material de guerra roubado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

Em declarações hoje à SIC, o chefe do Estado-Maior do Exército, reconheceu que quem roubou o material de guerra do quartel de Tancos tinha "conhecimento do conteúdo dos paióis" e admitiu a possibilidade de fuga de informação.

Além da investigação conduzida pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Judiciária, vai decorrer um inquérito no Exército para apuramento de eventuais responsabilidades, disse.




A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 02.07.2017

Os Neros lusitanos geringonceiros estão loucos de contentamento. A austeridade acabou, mas orçamento para limpeza de matas junto a vias de comunicação e aviões apaga-fogos não há. Nem para serviço nocturno do INEM em cidades como Aveiro, Covilhã e Chaves. Aço e cimento para vedações nos paióis militares e sistemas de alarme e video-vigilância, também não. É preciso é dignificar o excedentarismo de carreira sindicalizado. E a dívida pública para eu e os meus pagarem continua a subir. Está muito bem...

comentários mais recentes
oluapaxe 02.07.2017

20 horas sem ronda. 21 bobines de fio.
Estes dois factos explicam tudo.
Os paióis estam vazios logo o longo tempo sem ronda. Os ratos levaram o que havia incluindo as bobines de vulgar fio se tivessem mais tempo até as portas tinham levado.
Não é necessário ser muito inteligente para saber quem faz este tipo de trabalho não foram terrorista se forem ao sucateiro mais próximo de certeza que vão encontrar as bobines o resto basta ver nos acampamentos da região.

oluapaxe 02.07.2017

O estado ainda não revelou totalmente o que ocorreu nos paiol. Estão a esconder. Algo mais grave.
Quando os ratos se dão ao trabalho de levar 21 bobines de arame que pesam cerca de 3kg cada isto significa que carregaram pelos 63 kg de material que pode ser comprado em qualquer loja isto significa que os ratos tiveram mais que tempo para limpar o paiol que quiserem ou seja as armas estavam ao abandono.
Que rico governo.....perdão BANDALHEIRA

Anónimo 02.07.2017

Portugal é uma democracia que se respeita, não deve dar cobertura a criminosos organizados em grupos de mafiosos com interesses duvidosos. Tudo o tem acontecido tem um objectivo escondido.

Anónimo 02.07.2017

As pessoas precisam de um Estado que seja bom gestor da coisa pública e pessoa de bem. Um Estado que faça boa gestão de recursos humanos despedindo onde e quando é preciso e que saiba investir em bens de capital onde e quando é necessário. Isto é o que Portugal não tem. Isto é o que falta às pessoas. O radicalismo sindical é tão nocivo como o corrupto capitalismo selvagem de compadrio. Quer uns quer outros atiram a coisa pública para os braços dos aproveitadores sem escrúpulos, para os bandidos e para os incompetentes.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub