Conjuntura Famílias com confiança ao nível mais alto desde Agosto de 2000

Famílias com confiança ao nível mais alto desde Agosto de 2000

Em Dezembro, os consumidores mostraram-se mais optimistas, revela o INE. Porém, os empresários estão menos confiantes.
Famílias com confiança ao nível mais alto desde Agosto de 2000
Bloomberg
Marta Moitinho Oliveira 03 de janeiro de 2017 às 11:33
Dezembro foi um mês de contrastes para a confiança dos agentes económicos. As famílias revelaram-se mais optimistas, com o indicador de confiança do Instituto Nacional de Estatística (INE) a atingir o valor mais alto desde Agosto de 2000. Porém, do lado da oferta, o sentimento não é o mesmo. O indicador de clima económico - que resume a confiança dos empresários - fechou o ano de 2016 a cair, graças aos empresários da construção e do comércio.

"O indicador de confiança dos consumidores aumentou nos últimos quatro meses, de forma mais significativa em Dezembro, atingindo o valor máximo desde Agosto de 2000", revelou o INE esta terça-feira, 3 de Janeiro de 2017. Esta marca aponta para uma evolução mais favorável do que aquela que foi observada em Novembro de 2016. Nesse mês, o indicador de confiança das famílias tinha conseguido o melhor registo desde Outubro de 2000.

As famílias estão mais optimistas sobretudo devido a dois aspectos que fazem parte do inquérito que o INE faz todos os meses: "perspectivas relativas à evolução do desemprego" e "expectativas relativas à situação económica do país".

O instituto estatístico acrescenta outros motivos que também contribuíram para esta recuperação do indicador, embora em menor grau. São eles as apreciações da evolução da situação financeira do agregado familiar e da poupança.

Já quanto ao indicador de clima económico, o INE registou uma diminuição entre Outubro e Dezembro, "depois de ter aumentado nos dois meses precedentes". 

No entanto, o comportamento dos empresários não é uniforme entre os vários sectores observados. "No mês de referência, o indicador de confiança diminuiu na construção e obras públicas e no comércio, tendo aumentado na indústria transformadora e nos serviços".

De onde vem o optimismo das famílias? 

Os dados divulgados esta terça-feira pelo INE mostram que há dois factores principais para a melhoria da confiança das famílias. Um refere-se à opinião que os consumidores têm sobre a situação económica do país e outro sobre a perspectiva que têm para a evolução do desemprego.

Estas opiniões permitem observar registos mais favoráveis nas séries do INE. "O saldo das respostas extremas [um método utilizado para avaliar as opiniões nos inquéritos] das opiniões sobre a evolução da situação económica do país aumentou expressivamente em Dezembro, prolongando o movimento ascendente iniciado em Setembro e atingindo o valor máximo desde Agosto de 1998". 

Isto significa que as famílias não tinham uma opinião tão favorável sobre a evolução da economia há 18 anos e quatro meses. "Por sua vez, o saldo das expectativas relativas à situação económica do país aumentou nos últimos quatro meses, de forma mais significativa em Dezembro", acrescenta o instituto estatístico. Esta questão do inquérito permite avaliar as opiniões das famílias sobre as perspectivas para os próximos meses.

Também na questão do inquérito sobre o Dezembro as opiniões dos consumidores melhoraram na recta final do ano. "O saldo das perspectivas relativas à evolução do desemprego diminuiu nos últimos quatro meses, de forma mais significativa em Novembro e Dezembro, renovando o valor mínimo da série."

Ou seja, no último mês do ano passado, os consumidores tinham a melhor opinião desde que o INE começou a fazer este inquérito sobre as perspectivas de desemprego, em Novembro de 1997. Um mês antes (em Novembro de 2016), o inquérito já tinha apontado para um novo valor mínimo nesta série.   

E os empresários? Como está a confiança?

Neste caso a resposta não é só uma. É que depende de que empresários estamos a falar. Enquanto na indústria e serviços os empresários fecharam o ano de 2016 mais optimistas, no caso da construção e do comércio os empresários estão mais pessimistas. 

Na informação publicada esta terça-feira, o INE conta que a melhoria do indicador de confiança dos industriais já vem desde Junho e que em Dezembro "todas" as respostas destes empresários ao inquérito do INE mostram mais optimismo. Esta avaliação foi feita a partir das médias móveis dos últimos três meses - um indicador que permite alisar comportamentos erráticos que possam resultar de factores pontuais. No entanto, as conclusões do INE deixam um aviso: "Não considerando médias móveis de três meses, o indicador de confiança diminuiu ligeiramente em Dezembro, reflectindo o forte agravamento das expectativas de produção". Os próximos meses serão importantes para perceber como evoluem as opiniões destes empresários sobre as perspectivas de produção.

No caso do sector dos serviços, a melhoria da confiança destes empresários está a ser motivada pelo "contributo positivo das apreciações sobre a evolução da procura, uma vez que as opiniões sobre a actividade da empresa e a evolução da carteira de encomendas contribuíram negativamente, de forma mais intensa no primeiro caso", explica o INE. Esta melhoria permitiu, ainda assim, contrabalançar a tendência de queda dos últimos dois meses. 

No sector da construção, a diminuição do indicador de confiança "deveu-se ao contributo negativo de ambas as componentes, perspectivas de emprego e opiniões sobre a carteira de encomendas, de forma ténue no segundo caso". Se observarmos apenas o valor do indicador para o mês de Dezembro, este aumentou em resultado de melhores perspectivas quanto às perspectivas de emprego.

O sector do comércio, fechou o ano com a confiança dos empresários a cair, apesar do Natal. Os comerciantes estão mais pessimistas quanto às perspectivas de actividade para os próximos meses. 

(Notícia actualizada às 12:13)

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mais votado Anónimo 03.01.2017


O BURACO ANUAL DA C.G.A. CUSTA MAIS DO QUE O RESGATE DE UM BANCO


Ladrões PS - PCP - BE - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o pagamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.


comentários mais recentes
Pois 03.01.2017

A sondagem não abarcou os ignorantes muito menos os invejosos maldizentes

Normal 03.01.2017

Só os anormais vivem no e do medo. Mais um indicador interessante

Anónimo 03.01.2017

Acredito que sim. A sondagem foi feita a empresas,advogados,fundações,observatórios etc que trabalham com e para o Estado e claro aos F.P.s

Anónimo 03.01.2017

a amaragem vai ser muito dolorosa...

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