Rendas Famílias transformam casas em alojamento local para superar desemprego

Famílias transformam casas em alojamento local para superar desemprego

Sem se conhecerem, Mafalda, Cristina e Marco partilham desilusões semelhantes sobre a falta de oportunidades de emprego, situação que os levou a rentabilizarem os imóveis de família, transformando-os em estabelecimentos de alojamento local em Lisboa e no Porto.
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Lusa 26 de dezembro de 2017 às 09:48

Agora, têm também em comum preocupações sobre as propostas em discussão para alterar a lei do sector.

 

Parte das memórias de 15 anos de vivência familiar mantêm-se intactas no apartamento, desde fotografias a objectos decorativos, mas o imóvel de Mafalda Nogueira tem hoje outro uso: foi transformado para receber turistas, bem no centro de Lisboa.

 

"Reconverti a minha casa de habitação em alojamento local", conta a proprietária, esboçando um rasgado sorriso de satisfação, já que esta foi a solução encontrada para evitar a venda do imóvel devido à situação de desemprego em que se encontrava.

 

Também desempregada e em risco de perder o dinheiro que tinha em depósitos bancários, Cristina Alves, com o apoio do marido, resolveu investir na compra de um imóvel em Lisboa, que "estava em muito más condições".

 

Feitas as obras de reabilitação, pôs o apartamento em alojamento local e ganhou assim uma actividade profissional que exige "disponibilidade a 100%".

 

Aproveitando um apartamento da família, que se encontrava inutilizado, na cidade do Porto, Marco Soares resolveu deixar o Reino Unido, onde esteve emigrado nos últimos quatro anos, para regressar à Invicta e apostar no sector do alojamento local.

 

"Com o turismo todo no Porto foi uma maneira de conseguir voltar e ter algum rendimento", confidencia o jovem portuense.

 

Satisfeitos com os recentes investimentos, Mafalda, Cristina e Marco estão preocupados com as propostas de vários grupos parlamentares para alterar a legislação do alojamento local, sobretudo com o projecto do BE para que os estabelecimentos só funcionem numa parte do ano, até 90 dias.

 

"A casa tem encargos de exploração e de manutenção, portanto 90 dias para explorar em alojamento local não me permite viver. Isso seria um caos na minha vida, porque deixo de ter fonte de rendimentos e é grave", afirma Mafalda Nogueira, indicando que, apesar de recente, o investimento "está a correr muito, muito bem".

 

Com um percurso profissional dedicado à gestão bancária, Mafalda ambiciona agora fazer outros investimentos no alojamento local, mas não consegue "enquanto as regras não estiverem definidas".

 

"Vou trabalhar 90 dias e o resto do ano que é que faço? E mesmo que continue com alojamento local os tais 90 dias, quem é que me vai querer alugar no dito aluguer normal os restos dos meses?", questiona Cristina Alves, considerando que estas medidas não só não resolvem o problema do arrendamento tradicional em Lisboa como vão "prejudicar todos aqueles que fazem disto uma profissão".

 

Mostrando-se bastante receosa em relação às possíveis alterações legislativas, Cristina rejeita a hipótese de colocar o imóvel em arrendamento tradicional, argumentando que assim voltaria a estar desempregada.

 

"O que está em discussão, pelo que estou a entender, é o seguinte: Junho, Julho e Agosto, que são os meses altos na cidade do Porto, à partida vão ser para alojamento local e o resto do ano é para esquecer ou então para fazer o alojamento normal", afirma Marco Soares, considerando "inconcebível" que lhe queiram dizer o que fazer com o negócio.

 

Com taxas de ocupação entre os 50% e os 65% nesta altura do ano, que é época baixa, o portuense reforçou que a proposta dos 90 dias vai "limitar completamente o tipo de negócio" que faz.

 

Outra das propostas polémicas é a obrigatoriedade de a assembleia de condóminos autorizar o titular da exploração do estabelecimento a exercer a actividade numa fracção do prédio, defendida tanto pelo PS como pelo PCP. Os proprietários manifestam-se contra.

 

Sobre o impacto do alojamento local no arrendamento tradicional, rejeitam responsabilidades, lembrando que há muitos imóveis devolutos que podiam ser reabilitados e que a subida dos preços tem a ver com dinâmica do mercado de arrendamento.

 

"Eu continuo a morar cá no Porto. Está mais caro? Está, sim senhora, mas não é devido a nós, é a própria inflação, é o próprio mercado que é assim", refere Marco Soares.

 




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mais votado Anónimo 26.12.2017

As pessoas podem-se autopropor enquanto ofertantes de factor trabalho no mercado de trabalho assalariado, avençado ou seja lá o que for. A partir do momento que um conjunto de leis permite que essas pessoas, quando chegadas a uma situação de injustificável sobreemprego ou sobrepagamento, sejam excedentárias de carreira ou sobrepagas bem acima do preço de mercado, o Estado, a economia e sociedade sofrem as consequências negativas e obviamente toda a pessoa contribuinte, utente, consumidora, trabalhadora com real procura de mercado, inovadora, empreendedora, investidora ou accionista, é implacavelmente prejudicada devido à actividade daninha das primeiras. A economia empobrece, o Estado definha, a sociedade torna-se iníqua. As oportunidades que o mercado global sempre em mudança oferece não são eficazmente aproveitadas. Mortes perfeitamente evitáveis acontecem também... E é isto que tem de mudar em Portugal. E não vai ser com este gajedo das esquerdas unidas.

comentários mais recentes
Anónimo 26.12.2017

Queria vêr alguns opinadores da TRETA a ganhar 600 euros com filhos,morar em Lisboa ou no Porto .... tenho A.L. mas reconheço que não serão boas noticias para milhares de familias!Muito bom para pessoas com dinheiro dos pais e avós investirem neste tipo de negocio ,desgraçados dos que ganham 6oo

O estado empecilho sempre a atrapalhar 26.12.2017

Se são os privados que investem o estado não tem que meter o bedelho, e meter- se onde não é chamado.
Está na altura dos privados se revoltarem contra inúteis que não fazem, nem deixam fazer, só querem roubar os que investem e arriscam o seu próprio dinheiro.
BE= Buraco de Estúpidos...

liberal encantador 26.12.2017

O alojamento local salvou (e salva) muitas pessoas e famílias de pobreza escondida. Não são os ricos que vivem do AL. Os ricos não viviam em T1 e T2 em alfama e bairro alto com 50m2 e em tabique. EU também gostava de viver num t5 no chiado recuperado e com garagem por 500€. Não empobreçam quem tem.

Anónimo 26.12.2017

Sempre que vou a Inglaterra fico em casas/apartamentos de alojamento local. Trato tudo online e pago com cartão de crédito. Funciona 100% às mil-maravilhas. Sem complicações nem surpresas desagradáveis. "The group - which last month saw its privatisation complete with the sale of the Government's final stake for just over £591 million - is also axing jobs and reducing costs across the business to help shore up its balance sheet, cutting its workforce by nearly 3,000 in the past six months alone." www.gazetteandherald.co.uk/news/towns/swindon/14093847.Parcel_machine_destined_for_Swindon_as_Royal_Mail_job_cuts_expected/

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