Europa Felipe VI chega aos 50 anos a recuperar popularidade com luta contra o secessionismo

Felipe VI chega aos 50 anos a recuperar popularidade com luta contra o secessionismo

Educado para ser árbitro e ter um papel moderador, cumprido o 50.º aniversário Felipe VI está a caminho dos quatro anos como chefe de Estado e já conseguiu recuperar a popularidade da monarquia espanhola. A inflexibilidade contra o secessionismo da Catalunha e o respeito pela Constituição são as principais armas de Felipe VI.
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David Santiago 30 de janeiro de 2018 às 18:15

Ao cabo de três anos e meio desde que assumiu a coroa espanhola, Felipe VI já enfrentou e continua a deparar-se com diversos obstáculos e crises. Em Junho de 2014 tornou-se chefe do Estado espanhol com a missão de recuperar a popularidade e a credibilidade da coroa espanhola, da crise relacionada com as inúmeras polémicas em torno do seu pai (Juan Carlos) e penoso caminho até à abdicação, passando pelos fenómenos de corrupção em torno da sua irmã, a infanta Cristina.

 

Um ano depois da sua proclamação, em Junho de 2015, Felipe VI colhia o apoio de 75% dos espanhóis numa sondagem da SigmaDos. Desde então, o monarca deparou-se com uma crise política que deixou Espanha durante um ano numa situação de interinidade, sem governo em plenitude de funções. Perante a indisponibilidade do então primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, para formar governo dada a falta de apoio parlamentar, Felipe VI dirigiu-se ao país a pedir a unidade de todos os espanhóis. Exerceu um papel de moderador entre os partidos políticos e o interesse geral.

 


Seguiu-se a crise na Catalunha e a proclamação unilateral de uma república independente catalã em finais de Outubro do ano passado. No início desse mês, Felipe VI fez provavelmente o discurso mais marcante desde a sua proclamação, acusando a Generalitat catalã de "deslealdade inadmissível" e prometendo salvaguardar a "unidade de Espanha".

 

A mensagem inflexível de respeito pela Constituição valeu a Felipe VI uma inédita subida dos níveis de popularidade da monarquia, que atingiu um patamar (7,2 pontos numa escala de 0 a 10) que não era observado desde os anos 1990, a época dourada das revistas cor de rosa espanholas. Segundo os estudos de opinião da SocioMétrica, quando Juan Carlos abdicou a favor de Felipe a popularidade da coroa estava em 3,7 pontos.

 

Educado para ser um mediador por excelência

 

Felipe de Borbón foi preparado para ser árbitro e moderador da monarquia constitucional espanhola, adoptada em 1978 na sequência da transição democrática. Quando em Junho de 2014 jurou a Constituição, Felipe VI tornou-se no primeiro rei constitucional, já que foi o primeiro a jurá-la antes de ser investido rei.

 

Nasceu em 1968, em Madrid, licenciou-se em Direito e tirou uma pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade de Georgetown, em Washington. Teve também uma educação com perfil militarista, tendo passado por três academias militares durante a sua formação.

De acordo com a imprensa espanhola, Felipe VI cedo assumiu o papel de mediador no seio da família real, um perfil que terá ficado patente, mais recentemente, na forma como tentou conciliar os diversos interesses em jogo durante a crise institucional provocada pelo parlamento mais fragmentado da história espanhola.

 

No discurso sobre o independentismo catalão, em 3 de Outubro, Felipe VI fez questão de passar uma mensagem tranquilizadora quanto ao futuro de uma Espanha unida.

 

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Neste dia em que comemora 50 anos de idade, Felipe VI optou por realizar uma acção institucional em que condecorou a sua filha princesa Leonor (herdeira da coroa) com o colar de Toisón de Oro, a mais alta condecoração atribuída pela casa real.

 

"Terás de respeitar todos os demais, as suas ideias e crenças; e amarás a cultura, as artes e as ciências. Guiar-te-ás permanentemente pela Constituição, cumprindo-a e observando-a", declarou Felipe VI numa afirmação que mostra o compromisso com a observância do texto constitucional e o respeito pela heterogeneidade do reino.

No entanto, Felipe VI não será um imobilista, podendo até estar de acordo com uma revisão constitucional que possa melhor acomodar as pretensões de maior autonomia das diversas regiões espanholas, designadamente a Catalunha. Cenário defendido pelo PSOE e que será estudado em conjunto com o PP e o Cidadãos.

 


No discurso de Natal, o rei espanhol disse que é crucial "a adaptação aos novos tempos", no que foi lido como uma demonstração de disponibilidade para alterações à Constituição. De acordo com o
SocioMétrica, 84,5% dos espanhóis aprovaram a mensagem natalícia, o que mostra que Felipe VI soube utilizar as diversas crises atravessadas em menos de quatro anos para solidificar o seu papel e o da monarquia na atribulada realidade espanhola.




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