Orçamento do Estado Ferreira Leite: "A crispação relativamente ao Orçamento é absolutamente injustificável"

Ferreira Leite: "A crispação relativamente ao Orçamento é absolutamente injustificável"

A antiga ministra das Finanças considera que existe uma "uma dramatização absolutamente injustificável" em torno da discussão do Orçamento do Estado e que se há um vencedor deste "braço-de-ferro" é o Governo português.
Ferreira Leite: "A crispação relativamente ao Orçamento é absolutamente injustificável"
Bruno Simão/Negócios
Negócios 05 de fevereiro de 2016 às 09:55

Na opinião da antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, "a crispação que existe no país relativamente à proposta do Orçamento é absolutamente injustificável". A ex-líder social-democrata desvalorizou, esta quinta-feira no programa Política Mesmo, na TVI24, a excessiva preocupação em relação ao Orçamento do Estado para 2016, falando de "dramatização".

"O que é normal é que analisem os países todos em conjunto, o que não foi o caso. Com o nosso atraso em relação à apresentação do Orçamento ficámos sozinhos na mesa das negociações e portanto ficou um foco maior sobre nós", analisou Manuela Ferreira Leite.

A antiga ministra das Finanças desvaloriza, por isso, a preocupação com o Orçamento do Estado para 2016 que não será "maior ou menor do que aquela que é em relação a outros países, como é o caso de Espanha, Itália e França".

Costa vence braço-de-ferro

Para a antiga líder do PSD, "o Governo português deve ter querido mostrar que não se conforma com tudo", e que por isso "em termos formais e políticos o Governo português ganhou", uma vez que "não tendo abdicado daquelas medidas que lhe garantiam o apoio" dos partidos que formam com o PS a maioria parlamentar de esquerda (PCP, BE e PEV), o Governo "quis mostrar, em termos políticos, que também não se conformava com tudo o que lhe diziam" e conseguiu um resultado com cedências de parte a parte.

"Bruxelas cedeu nalgumas coisas, o Governo português [cedeu] noutras", analisou.

O documento ontem aprovado pelo conselho de ministros "tem o cuidado de que as contas estejam equilibradas dentro dos critérios que estão a ser seguidos por Bruxelas e isso é bom para Portugal e para a sua credibilidade externa - que não se pense que não interessam nada as contas, interessam, é necessário fazê-las -, e ao mesmo tempo não tendo abdicado das medidas que lhe garantiam o apoio dos partidos que o apoiam na Assembleia, garantindo a aprovação do orçamento", sublinhou a social-democrata.

Posto isto, se há algum vencedor do braço-de-ferro entre o Governo e Bruxelas esse é António Costa, conclui.

Questionada sobre a banca, a antiga ministra é firme: "E os cidadãos não estão também numa situação tão frágil? Não levaram com redução de vencimentos e com redução de reformas e aumentos de IRS? Ainda está tudo vivo e ninguém morreu. Não posso ficar a chorar a banca."

Sobre a recandidatura de Passos Coelho à liderança do PSD, a antiga líder do PSD que disputou a liderança do partido em Maio de 2008 elogiou a escolha do slogan ("Social-democracia, Sempre!"), como ferramenta para recentrar o partido.

"Se ele considera que nunca saiu [da social-democracia] não sou eu que vou dizer que ele pensa que saiu. Mas a percepção pública não é essa, foi completamente diferente. Há que fazer um ajustamento do discurso para que [a percepção] passe a ser diferente", considerou.




A sua opinião29
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado AVerVamos Há 2 semanas

Só existe um pequeno grande problema Dr. MFL. A Sr.(a) observa o caso sob natureza politica. As criticas de muitos são sobre o seu conteúdo!!
A questão é pensa que o país está em condições para apresentar um orçamento com aquelas contas? Ou seja, está o país em condições para :
-Devolver 35 h tra à FP?
-Manter TAP, MTL, Carris, STCP, etc?
-Baixa de IVA de restauração?
- Enfim, e tudo aquilo que sabemos..

Qualquer cidadão com alguma formação, e sem clubismos partidários (onde me incluo, possuo um expectro amplo) verifica que é demasiadamente cedo para "propaganda"..E deixe-me adiantar-lhe que as previsões da OCDE, FMI, UE vão ser CERTEIRAS, e contrárias às do actual governo! Fazer omoletes com cascas não deixa de ser omolete de ovos...Percebe?? O povo engole aquilo que olhes vendem!!!
Também sabemos os seus "desgostos" com a actual direção do PSD..

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Passos já não carrega.
Por incrível que pareça, ainda há quem julgue que o Passos pode carregar.
Passos é agora um PM exilado e qualquer dia põem-lhe uns patins.
Já faltou mais.
O tempo de aproveitar a situação para vender tudo ao desbarato, sacrificar a população e favorecer a Banca já lá vai.

genio2 Há 2 semanas

Esta senhora quando abre a boca só diz disparates.
Francamente...

rosinda Há 2 semanas

esta velha se tem o azar de se canditar seja ao que for leva uma tareia como levou maria de belem!

Juca Há 2 semanas

Oh Manela, francamente, estás pior! Desde aquele período em que querias autoestradas de todo o litoral para Madrid... que já não estavas bem... tens vindo a piorar alarvemente.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub