Europa Finanças alemãs contra mutualização de dívida

Finanças alemãs contra mutualização de dívida

A Bloomberg divulgou as principais conclusões de um estudo do Ministério das Finanças alemão: mais partilha de risco orçamental pode ser difícil de alcançar.
Finanças alemãs contra mutualização de dívida
Reuters
Nuno Aguiar 26 de setembro de 2017 às 16:11

Se o regresso de um debate europeu em torno da dívida pública se tinha tornado muito mais complicado depois do resultado das eleições alemãs e do crescimento do FDP, mesmo no actual Governo, a ideia de mutualização da dívida na Zona Euro parece continuar a ser vista com maus olhos.

 

Essa posição está expressa num paper interno do Ministério das Finanças alemão a que a Bloomberg teve acesso, segundo o qual "a mutualização de dívida criaria incentivos errados, suscitaria problemas legais basilares e colocaria assim em risco a estabilidade de toda a Zona Euro".

 

Recorde-se que o Governo português esperava que a manhã a seguir às eleições alemãs trouxesse um ambiente mais propício para debater questões relacionadas com as dívidas soberanas dos Estados da moeda única e novas soluções para lidar com as mesmas. No entanto, nesta altura, esse não parece ser o cenário mais provável.
 

O estudo das Finanças alemãs tinha como objectivo analisar a possibilidade de um aprofundamento da união económica e monetária. A conclusão pode desiludir quem esperasse maior integração orçamental no futuro. "Um novo instrumento de estabilização sob a forma de mais capacidade de endividamento iria apenas comprar tempo e repetir os erros a nível nacional do passado", pode ler-se no documento, citado pela Bloomberg. "Temos de ser capazes de criar uma estabilidade real através de reformas, não através de engenharia financeira cara e complexa."

 

O paper defende também que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) é o "veículo certo" para a cooperação intergovernamental, mas necessita de mais recursos para desempenhar o seu papel de prevenção. No futuro, o MEE poderá incluir um mecanismo de reestruturação de dívida, que garanta uma "distribuição equilibrada dos encargos entre o MEE e os credores privados".

 

O estudo conclui ainda que um novo mecanismo orçamental ou um fundo de desemprego comum "não é economicamente necessário" para que a união económica e monetária seja estável.

Tem sido noticiado que Wolfgang Schäuble poderá deixar de ser ministro das Finanças no novo Governo alemão - passando talvez a presidente do Bundestag -, mas isso não quer dizer que o próximo Executivo esteja mais aberto a este tipo de reformas. Pelo contrário, caso o FDP faça parte da coligação, a sua visão do cumprimento das regras orçamentais parece ser mais ortodoxa do que o actual ministro das Finanças.




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 26.09.2017

Qual mutualização qual porra. Quem fizer dívidas que as pague. Como contribuinte, estou saturado de ter que pagar dívidas feitas por essa corja de ladrões que por aí proliferam impunemente e com a benção dos sucessivos (des)governos. É tudo uma cambada de chulos e caloteiros!

comentários mais recentes
Anónimo 26.09.2017

O FDP é aquilo que parece querer dizer? Áh.... entendo! então está bem.

General Ciresp 26.09.2017

D 1 coisa estamos certos.O d.branca enche as goelas para dizer bem alto q o pais nunca cresceu tanto neste seculo como agora,nao diz quanto dinheiro surrepiado pela casalinho e metido neste folclore,mas os Sr.jornalistas sabem.Vai o pais alguma vez sem "MULETAS"andar direito?Dinheiro a mais cria rat

Anónimo 26.09.2017

Qual mutualização qual porra. Quem fizer dívidas que as pague. Como contribuinte, estou saturado de ter que pagar dívidas feitas por essa corja de ladrões que por aí proliferam impunemente e com a benção dos sucessivos (des)governos. É tudo uma cambada de chulos e caloteiros!

pub