Orçamento do Estado Fitch: OE “apoia consumo mas faz pouco pelo investimento”

Fitch: OE “apoia consumo mas faz pouco pelo investimento”

Numa nota sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2017, a Fitch realça que o documento mostra o compromisso do governo na consolidação. Mas alerta para o fraco crescimento que é um constrangimento para o “rating”.
Fitch: OE “apoia consumo mas faz pouco pelo investimento”
Fitch diz que há crescimento ténue é o maior risco do Orçamento
Miguel Baltazar
Rui Barroso 25 de outubro de 2016 às 14:33

Os analistas da Fitch consideram que a proposta de Orçamento do Estado para 2017 "sublinha o compromisso do governo na consolidação orçamental". Mas alerta que não "resolve totalmente os riscos orçamentais colocados pelo fraco crescimento e pelos problemas no sistema financeiro".

 

Numa nota divulgada esta terça-feira, 25 de Outubro, a agência refere que o documento vai ao encontro da sua perspectiva de que "as autoridades portuguesas continuarão a reduzir o défice orçamental, apesar da retórica anti-austeridade do governo e de algumas medidas como o aumento dos salários da função pública e das pensões".

 

Os analistas Federico Barriga Salazar e Mark Brown defendem ainda que "o risco de confrontos políticos entre os Socialistas e os mais radicais Partido Comunista e Bloco de Esquerda aparentam ter diminuído significativamente, assegurando uma maior estabilidade política".

 

"Crescimento ténue" é o maior risco

 

Os analistas da Fitch consideram que "o crescimento ténue é o maior risco para a consolidação orçamental, já que assenta fortemente nas receitas". A agência detalha que o plano orçamental conjuga a "redução do défice com medidas para estimular o crescimento, incluindo algumas descidas de impostos e novos benefícios sociais".

 

Mas a Fitch alerta que "apesar de esses factores poderem apoiar o consumo privado, fazem pouco para incentivar o investimento, que enfrenta dificuldades". E sublinha que "o crescimento mais baixo que o originalmente previsto já levou o governo a aumentar a estimativa do défice de 2016 de 2,2% para 2,4%". A agência tem uma previsão que diz ser mais cautelosa. Antecipa um défice de 2,7% este ano.

 

Sistema financeiro é outra das preocupações

 

Em relação às previsões do OE, a Fitch refere que o documento "é mais realista para as tendências do valor elevado da dívida pública, que é projectada ficar em 128,3% do PIB no final de 2017, comparado com os 122,3% no Programa de Estabilidade de Abril". E realça que a diferença é explicada pela inclusão de 2,7 mil milhões de euros como parte da capitalização da Caixa Geral de Depósitos e pela exclusão de ganhos com a venda de activos financeiros como o Banif e o Novo Banco.

 

Além do fraco crescimento e do elevado nível da dívida, a Fitch considera ainda que "as perspectivas para o sector bancário continuam fracas". E aponta para a falta de detalhes do OE sobre "a solução sistémica" para limpar o balanço dos bancos.

 

A Fitch tem um "rating" de BB+ para Portugal, um nível abaixo de grau de investimento. Durante dois anos a agência teve uma perspectiva positiva para a notação, que poderia sinalizar uma melhoria do "rating", mas em Março deste ano baixou o "outlook" para estável. E na nota desta terça-feira, a agência conclui que o "rating" está "constrangido pela elevada dívida e pelo fraco crescimento". 



(Notícia actualizada às 14:55 com mais informação. Título alterado)

 




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mais votado Anónimo 25.10.2016


AS PENSÕES DOURADAS DA CGA

As reformas mais antigas são as mais elevadas porque tiveram fórmulas mais favoráveis.

São também aquelas em que as pessoas se reformaram/aposentaram com menos idade.

Por isso devem ter os maiores cortes.

comentários mais recentes
Fernando 26.10.2016

Onde é que está o aumento de salário na função pública? Ando à procura dele desde 2009, o que houve foi reposição dos roubos feitos pelos dois anteriores governos.

Anónimo 25.10.2016


AS PENSÕES DOURADAS DA CGA

As reformas mais antigas são as mais elevadas porque tiveram fórmulas mais favoráveis.

São também aquelas em que as pessoas se reformaram/aposentaram com menos idade.

Por isso devem ter os maiores cortes.

Anónimo 25.10.2016


AS PENSÕES DOURADAS DA CGA

As reformas mais antigas são as mais elevadas porque tiveram fórmulas mais favoráveis.

São também aquelas em que as pessoas se reformaram/aposentaram com menos idade.

Por isso devem ter os maiores cortes.

Anónimo 25.10.2016


Um governo de ladrões

PS . BE . PCP - ESTRAGAM A VIDA A 9 MILHÕES DE PORTUGUESES

Para dar mais dinheiro e privilégios a 1 milhão de FP e seus pensionistas.

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