Economia FMI: Portugal e Grécia só terão sucesso se resolverem problemas estruturais "profundos"

FMI: Portugal e Grécia só terão sucesso se resolverem problemas estruturais "profundos"

Poul Thomsen, responsável do Departamento Europeu do FMI, afirmou hoje que o programa de ajuda externa a Portugal, que dirigiu, e o da Grécia, só terão sucesso se ambos os países resolverem os seus "problemas estruturais profundos".
Lusa 21 de abril de 2012 às 11:21
"Não deve haver dúvida de que, se estes programas, particularmente da Grécia e de Portugal, [países] que têm problemas estruturais profundos, vão falhar se forem só de consolidação orçamental e desalavancagem financeira", disse Thomsen, numa conferência do FMI sobre os três programas de ajuda externa na zona euro. "Só vão ter sucesso com reformas estruturais para lidar com o problema de competitividade. É o assunto chave para estes países no futuro", adiantou.

Os riscos são "significativos", referiu, mas o FMI está "pronto para trabalhar com estes países e adaptar estes programas consoante circunstâncias evoluírem".

Em relação à Grécia, sublinhou que os dois principais partidos estão a apoiar o programa, uma "grande mudança" em direcção a uma desejada "revigoração das reformas estruturais", mas assumiu que as próximas eleições "serão um teste ao apoio ao programa" de ajuda externa.

Disse ainda ter dúvidas de que o programa grego tenha sucesso "se não houver uma melhoria significativa da administração fiscal" e que, se estas não acontecerem, o país poderá "ser forçado a cortes muito duros nas transferências sociais".

Sobre o regresso de Portugal, Grécia e Irlanda aos mercados, Thomsen reconheceu que "obviamente existe incerteza" em relação à data prevista, mas salientou que os líderes europeus, de forma "sem precedentes", já se disponibilizaram para apoiar estes países "o tempo que for preciso para os levar de volta ao mercado, desde que haja progressos ao abrigo do programa".

Thomsen defendeu ainda que o "mix de políticas" proposto pela "troika" FMI-UE-BCE para estes países "evitou políticas demasiado procíclicas e desalavancagem excessiva", que poderiam ter agravado a crise.

Reza Moghadam, director do Departamento Europeu do FMI, considerou "muito úteis" as medidas do Banco Central Europeu para assegurar necessidades financiamento bancário na zona euro, incluindo nos três países-programa.

"Os nossos parceiros europeus mostraram que estão prontos para tomar as medidas necessárias. Não tão rápidas como o desejado, mas mudanças as mudanças do EFSF [fundo europeu de estabilização], que indirectamente afectam estes países, foram importantes", disse.

Em relação às medidas defendidas na quinta-feira pela directora do FMI, Christine Lagarde, para virar o EFSF para a recapitalização da banca, Moghadam sublinhou que tal "podia ajudar", mas que "é preciso apoio vasto na Europa para serem implementadas".

Ajai Chopra, que falou sobre o programa da Irlanda, afirmou que, apesar do "muito que foi feito" para lidar com os problemas da zona euro, os três países-programa continuam "seriamente" sujeitos ao "nível elevado de riscos na zona euro".

"O que a Irlanda e outros precisam de focar-se é em cumprir, um compromisso forte de implementação de políticas", afirmou.

Em relação à Grécia, Mark Flanagan alertou para o "difícil caminho em frente" em particular se a recuperação da economia demorar mais do que o previsto e o ambiente externo for adverso, o que pode levar a dívida a uma "trajectória insustentável".




A sua opinião33
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 22.04.2012

Desculpe que lhe diga, mas não me convence com esse argumento que classifico de "fuga para a frente". Conheço suficientemente o sistema para lhe dizer que se vai esperar que neste tipo de condições essas empresas surjam por aí como cogumelos, pode esperar sentado. O que sucede a quem se atreva a investir em empresas desse cariz é o mesmo que está reservado à actuais empresas de cariz familiar. Já que deve apreciar modernismos, observe que uma grande parte do tecido empresarial alemão é composto por empresas do sector metalomecânico fino, corrente, químico e agrícola que são de cariz familiar e muito competitivas. A pergunta que se põe é porquê...? Certamente que o facto de terem conhecimentos técnicos foi fundamental para o seu sucesso, mas se fossem permanentemente hostilizadas dentro do seu próprio país, a Alemanha não passava de um país à beira do precipício, como é o caso por cá. Parece que o mesmo é verdade em grande parte do tecido empresarial dos países da OCDE. Agora pensado neste assunto pode tirar conclusões. Se persistirem nessa moda de atacar tudo quanto não parece moderno ou que parece de cariz familiar, em vez de obter uma modernização e dinamização da economia, o que vai ser obtido é o colapso económico, financeiro e social, tal como o Sr Thomsen muito sobriamente prevê. Os senhores vêm os filmes ao contrário, para os agentes económicos evoluirem no sentido de uma economia mais robusta é necessário apoiar, motivar e dar apoio técnico e mesmo financeiro aos mesmos, com o objectivo de os motivar e entusiasmar a progredirem. A actuar de forma hostil o que vão obter vai ser o fim da economia e por arrasto das finanças do país. Veremos se assim não é, e por este caminho a breve prazo.

Anónimo 22.04.2012

este pais so tem politicos corruptos ligados a organizacoes criminosas k abastecem a europa com droga i dinheiro lavado as leis sao todas criadas por quem delas precisa os grandes criminosos nao s legalizam os negocios da economia paralela porque esse dinheiro e util para financiar os partidos do poder

varegue 22.04.2012

estrutural profundo é a existência de portugueses de segunda que suportam todas as medidas de austeridade ( a maioria) e aqueles ( as excepções ! ) a quem austeridade não "assiste" . Será que esse "problema" estrutural também é para resolver ?

Anónimo 22.04.2012

Juntem-se os paises descontentes e saiam duma vez deste clubes de ricos que se aproveitam dos menos favorecidos. Pagem-nos para sairmos, deixem ter a nossa agricultura, a nossa fruta não normalizada, as nossas quotas pesqueiras e ide vender a vossa produção a quem a queira......exploradores

ver mais comentários
pub