Finanças Públicas FMI: Portugal tem de consolidar política orçamental para reconstituir almofada financeira

FMI: Portugal tem de consolidar política orçamental para reconstituir almofada financeira

O Fundo Monetário Internacional, na sua análise preliminar à Zona Euro, focalizou-se, nomeadamente, na política orçamental, que deve ser delineada à medida das circunstâncias de cada país. Relativamente a Portugal, considera que se deve consolidar gradualmente, de modo a recuperar amortecedores.
FMI: Portugal tem de consolidar política orçamental para reconstituir almofada financeira
Reuters
Carla Pedro 15 de junho de 2017 às 23:55

A política orçamental na Zona Euro deve ser feita à medida das circunstâncias específicas de cada país, considera o Fundo Monetário Internacional na sua missão de análise aos Estados-membros do bloco da moeda única europeia.

No relatório preliminar divulgado esta quinta-feira, 15 de Junho, o organismo liderado por Christine Lagarde destaca que a margem orçamental não está distribuída de forma equilibrada na Zona Euro, sendo inexistente onde as lacunas na produção são maiores. 

"Países com margem orçamental, como a Alemanha e a Holanda, devem usá-la para iniciativas que elevem o crescimento potencial; isto ajudará também a um reequilíbrio externo", sublinha.

E diz mais: "os países com dívidas elevadas que têm pouca ou nenhuma margem orçamental, muito especialmente Itália e Portugal mas também França, devem consolidar-se gradualmente, de uma forma que estimule o crescimento, para reconstituírem almofadas financeiras, aproveitando a recuperação e a janela ainda existente da polícia monetária acomodatícia".

No entender do Fundo, "os países que já estão a operar em plena capacidade poderão ajudar no processo de cura, nomeadamente aceitando uma inflação acima de 2% durante um período prolongado e promovendo mais procura interna".

 

Feitas as contas, salienta o FMI, "as nossas recomendações a título orçamental, se aplicadas, resultariam numa situação orçamental neutra" ao nível da Zona Euro em 2018, o que é adequado à luz da retoma".

Retoma ganhou dinâmica

 

Sobre a retoma, o FMI destaca que esta "ganhou dinâmica, com um círculo virtuoso de consumo privado e criação de emprego". E este cenário, refere o Fundo no seu relatório de avaliação ao bloco do euro, "constitui uma excelente oportunidade para fazer avançar reformas arquitecturais de modo a aprofundar a União Económica e Monetária".

 

Ao mesmo tempo, "são necessárias reformas estruturais, ao nível específico dos Estados-membros, de modo a estimular o crescimento da produtividade, reduzir os fossos de competitividade e ajudar a revitalizar a convergência dos rendimentos" no bloco do euro, acrescenta.

Além de a recuperação da Zona Euro estar a ganhar força, está também a ficar cada vez mais abrangente, refere o FMI neste documento. "A dispersão das taxas de crescimento entre países está agora no nível mais baixo desde a introdução do euro. Este progresso está a ser conseguido a nível interno, motivado pela procura doméstica e sustentado por uma revitalização do crédito – os frutos de anos de reparação dos balanços, de políticas acomodatícias e de construção de instituições".

No entanto, "a inflação e as perspectivas para a inflação continuam moderadas, com a inflação ‘core’ em níveis indesejavelmente baixos", salienta.

 
Aprofundar a integração

Na opinião do FMI, a solidez da retoma e o contexto político favorável constituem uma oportunidade para aprofundar a integração. "Deve renovar-se o compromisso de concluir a união bancária, avançar com a união dos mercados de capitais e criar uma capacidade orçamental comum. Estes projectos teriam benefícios muito abrangentes para os Estados-membros, ao mesmo tempo que reforçariam a resiliência da união monetária".

 

Ainda no que diz respeito à união dos mercados de capitais, os especialistas do Fundo consideram que o Brexit pode ser uma boa oportunidade para avançar com essa ideia.

 

"A migração de actividades financeiras multifacetadas de Londres para o continente poderá resultar nalguma perda de economias de escola e ter também algum impacto – provavelmente modesto – nos custos de transacção", de modo que "os recursos e capacidades de supervisão devem ser reforçados em conformidade". E isto, segundo o FMI, daria impulso à união dos mercados de capitais, promovendo fontes de financiamento não-bancárias e intensificando a partilha de risco entre os privados.

 

O Brexit colocará muitos desafios, podendo pesar no sentimento dos investidores e podendo também perturbar as cadeias de fornecimento distribuídas entre o Reino Unido e a Europa Continental, advertem ainda.

 
"Houve poucas resoluções bancárias"

Entre vários outros aspectos analisados mais a fundo pelo FMI está a união bancária. De acordo com os especialistas do Fundo, "criar um sistema bancário unificado exige que se conclua a união bancária".

 

E ainda no que concerne a banca, o relatório sublinha que a baixa rentabilidade dos bancos requer uma acção concertada, incluindo medidas de resolução quando necessário. "Os bancos têm de se reestruturar e consolidar, descontinuando as unidades de negócio não rentáveis, desenvolvendo novas fontes de rendimento que não provenham de juros e racionalizando os níveis de pessoal e as redes das suas agências".

 

"Apesar de alguns grandes bancos, confrontados com a pressão do mercado, terem recentemente procedido a aumentos de capital e melhorado a sua rentabilidade, as debilidades estruturais continuam a penalizar os lucros em muitos bancos de pequena e média dimensão", frisa o FMI.

 

No entender do Fundo Monetário Internacional, "houve poucas resoluções bancárias, ou mesmo fecho de bancos, o que demonstra uma relutância, por parte das autoridades nacionais, em aplicar integralmente a Directiva sobre Recuperação e Resolução Bancária, bem como uma falta de coordenação entre as várias instituições ao nível da Zona Euro que estiveram envolvidas". 


(notícia actualizada à 01:14)




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 16.06.2017

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

Conselheiro de Trump 16.06.2017

Pois e Sra.presidente do FMI,a gerigonca nao veio para "CONDOLIDAR"mas sim para se "CONSOLAR".

Conselheiro de Trump 16.06.2017

Oh,ho! Boa almofada tem o salgado capela,ladrao44,tome do banif,os filhos do intentona apassarados construidos pela via do ladrao44,os primeiros presidentes de camera apos o 25 de abril do passado seculo,mexias,e mais 1 bom punhado deles q me escapa de momento.So sai coton dos bolsos da gerigonca.

pub